BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2092

24 de dezembro de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Lya Luft
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Cinema
Choro fisiológico

Em Sete Vidas, Will Smith renova com o diretor
Gabriele Muccino uma parceria calculada para levar
a platéia às lágrimas – e dar a ele a oportunidade
de exercitar seu talento dramático


Isabela Boscov

Everett Colection/Grupo Keystone

UM INSTANTE PERFEITO
Smith e Rosario, que encabeça uma lista misteriosa com sete nomes: atores que deixam a sensação de que ainda têm muito a mostrar


VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line
Trailer

Em seu início de carreira, Will Smith impressionou os não muitos espectadores que viram Seis Graus de Separação com um desempenho dramático extraordinário – o qual, nestes quinze anos desde então, ele poucas vezes se interessou em revisitar. Pesam aí a facilidade que Smith demonstra para escolher material cômico ou de ação que o mantenha no posto de astro mais consistente do cinema americano hoje, em bilheteria e popularidade, e a recepção pouco calorosa às suas tentativas passadas de se envolver em filmes mais densos, como Ali. Há dois anos, porém, Smith encontrou o meio-termo que lhe agrada na pessoa do cineasta italiano Gabriele Muccino. À Procura da Felicidade, em que Muccino o dirigiu no papel de um pai que, largado sozinho com o filho pequeno, tenta driblar a má sorte, deu a Smith a oportunidade de exercitar sua flexibilidade sem alienar seu público. Agora, ator e diretor repetem a parceria em Sete Vidas (Seven Pounds, Estados Unidos, 2008), que estréia nesta sexta-feira no país, arriscando-se em uma história alguns tons mais sombria que a anterior.

No filme, Smith é Ben Thomas, um auditor do imposto de renda movido por razões que só no final serão explicadas, mas que desde o começo se intuem complicadas. Ben carrega consigo uma lista de sete pessoas, e as submete a testes, por assim dizer. O diretor de um asilo de velhos, por exemplo, é inquirido sobre sua situação financeira, e também acerca da evolução de sua leucemia. Sobre um cego que trabalha como operador de telemarketing (Woody Harrelson), ele despeja insultos cruéis, à espera de uma reação. De toda a lista, a pessoa a que ele dedica mais tempo e curiosidade é Emily (Rosario Dawson), uma tipógrafa que sofre de insuficiência cardíaca. Ben a procura no hospital e em casa, bisbilhota sua vida, observa-a de perto e a distância, telefona com hora marcada ou a visita de improviso. A certa altura, o teste acaba e um relacionamento começa – no qual a missão de Ben, seja ela qual for, vai interferir.

O título original de Sete Vidas, "sete libras", é uma referência à célebre passagem de O Mercador de Veneza, de William Shakespeare, em que o personagem Shylock exige de um devedor que lhe pague com uma libra da própria carne. Significa, portanto, a cobrança dura e desproporcional de uma dívida. No filme, fica claro que Ben é que está cobrando de si mesmo um preço alto por um erro cometido. E não há dúvida também de que o objetivo é pôr a platéia para chorar – ao que ela corresponde em peso, numa reação quase que fisiológica. Muccino avança além do necessário na manipulação, mas ganha pontos pelo ótimo partido que tira de Rosario Dawson e por expor um pouco mais das inflexões dramáticas de Will Smith. O "um pouco", aqui, corre não por conta do diretor, mas do próprio ator: se a impressão é verdadeira ou não, só outros filmes poderão dizer, mas Smith é talvez um caso único de astro que intriga não tanto pelo que já mostrou como pela promessa do que ainda tem a mostrar.

Trailer

Video



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |