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e ficar
A polícia do Rio começa
a ocupação de favelas
antes dominadas por traficantes, a melhor
aposta para reconquistar a cidade

Ronaldo
Soares
Oscar
Cabral
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LÍDER
DA TROPA Capitã Priscila: 120
PMs em policiamento comunitário |
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, iniciou sua gestão
na área de segurança optando pelo enfrentamento dos traficantes
que há décadas dominam as favelas cariocas. Uma medida necessária,
mas que vinha se revelando insuficiente. Terminadas as operações
policiais, os bandidos se encastelavam novamente e tudo voltava ao que era antes
uma rotina de venda de drogas, maus-tratos aos moradores e crimes nas redondezas.
Na semana passada, foi dado um passo importante na política de segurança
do governo do Rio, com a ocupação permanente do Morro Dona Marta,
em Botafogo, que terá a vigilância de 120 policiais especialmente
designados para a tarefa. A alocação desse destacamento é
a segunda etapa da operação iniciada há um mês com
a expulsão dos traficantes. O que diferencia essa investida de tentativas
anteriores é que agora os soldados, recém-saídos da academia,
receberam treinamento especial em policiamento comunitário. Seu trabalho
será vigiar as ruelas e garantir que os traficantes não voltem à
ativa. É o que abrirá caminho para que aquela parte do território
seja reincorporada à vida da cidade. "Se deseja realmente combater
os criminosos nas favelas, o estado tem de dar sinais inequívocos de que
chegou para ficar", diz Claudio Beato, coordenador do Centro de Estudos de
Criminalidade e Segurança Pública, da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG).
Anibal
Philot/O Globo
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CLIPE
NA LAJE Michael Jackson no morro: favela
pop |
O Dona Marta
tem 10 000 habitantes que desfrutam uma vista fabulosa para os três principais
cartões-postais da cidade: o Cristo Redentor, o Morro do Pão de
Açúcar e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Foi lá que o cineasta
Spike Lee filmou, em 1996, um clipe do cantor Michael Jackson. A presença
do tráfico de drogas, inaceitável em qualquer lugar, era especialmente
inexplicável ali, ao lado da sede da prefeitura, em frente a um batalhão
da PM e a poucos metros de alguns dos mais tradicionais colégios do Rio.
Até o início da operação, funcionavam quatro bocas-de-fumo,
que eram controladas por trinta traficantes. Para incrementarem os negócios,
eles usavam a velha estratégia mercadológica da promoção
de bailes funk. Com a tomada do território pela polícia, esse cenário
mudou, mas os moradores ainda temem o retrocesso. A policial responsável
pela ocupação, a capitã da PM Priscila Azevedo, admite que
não será fácil conquistar a confiança da população.
"Dou bom-dia, mas as pessoas não respondem. Vou continuar cumprimentando
todo mundo, até que os moradores vejam que quem pode realmente ajudá-los
é a polícia, não os traficantes", diz a oficial. A escolha
de uma favela tão notória pode ter algum viés de marketing
político. Não importa. Se a medida for bem-sucedida, ficará
demonstrado que é possível reconquistar a cidade. É isso
que fará a diferença.