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VEJA
Recomenda
LIVROS
A
Bem-Amada, de Thomas Hardy (tradução de Luís
Bueno e Patrícia Cardoso; Códex; 272 páginas;
35 reais) Embora seja um dos grandes nomes da literatura
inglesa, o romancista e poeta Thomas Hardy (1840-1928) é
desconhecido do público brasileiro. Poucos livros do autor
foram traduzidos no país até hoje e a maioria
está fora de catálogo. O lançamento de A
Bem-Amada ajuda a preencher essa lacuna. Publicado em 1897,
o livro exibe as principais marcas de Hardy. Ele era um escritor
à frente de seu tempo: com ironia refinada, questionava os
ditames morais da sociedade vitoriana, tocando em temas tão
incômodos para a época como a questão da liberdade
sexual. Hardy foi a fundo nisso e escandalizou a crítica
com os romances Tess e Judas, o Obscuro, graças
aos quais passou a ser visto como um autor obsceno e degenerado.
Para além do aspecto polêmico, no entanto, seus romances
falam de inquietações existenciais profundas, como
os limites tênues entre o instinto e a vontade consciente
no ser humano. A Bem-Amada é uma espécie de
ataque à instituição do casamento. No centro
da história está um escultor obcecado pela busca da
mulher ideal. Em diferentes fases da vida, da juventude à
velhice, o personagem identifica essa musa em mulheres de uma mesma
família.
Fábulas,
de La Fontaine (vários tradutores; Landy; 630 páginas;
55 reais cada volume) Escritas no século XVII, as
Fábulas do francês Jean de la Fontaine são
um tesouro da literatura universal. Baseado em fontes que remontam
à Antiguidade, como as fábulas de Esopo, La Fontaine
criou dezenas de narrativas curtas e alegóricas, que transmitem
preceitos morais. Essa edição caprichada reúne,
em dois volumes, mais de 200 fábulas. Seu maior mérito
é recuperar traduções clássicas dos
versos de La Fontaine. São do poeta português Bocage,
por exemplo, as versões de A Cigarra e a Formiga e
A Raposa e as Uvas, entre outras. O brasileiro Machado de
Assis comparece com a tradução da fábula Os
Animais Enfermos da Peste. As ilustrações em preto-e-branco,
do francês Gustavo Doré (1833-1888), também
são clássicas. Leia
trecho.
Histórias
da Pré-História, de Alberto Moravia (tradução
de Nilson Moulin; 34; 240 páginas; 25 reais) Uma das
figuras mais importantes da literatura italiana no século
XX, Alberto Moravia (1907-1990) escreveu contos e romances nos quais
sobressai uma visão ácida sobre o modo de vida da
burguesia européia. Histórias da Pré-História
traz outra face de Moravia: a do autor de fábulas para lá
de bem-humoradas. Na verdade, é mais apropriado classificar
os 24 textos reunidos no livro de "antifábulas", já
que as historietas contêm algo de anárquico
Moravia, vale lembrar, era um antimoralista convicto. Numa delas,
o escritor conta como um unicórnio se transformou em rinoceronte.
Em outra, fala sobre um bicho-preguiça que atua como bombeiro.
A vida ociosa de Adão e Eva no paraíso é também
motivo de sátira. Em tempo: trata-se de um lançamento
mais adequado para adolescentes do que para crianças, pois
o humor de Moravia às vezes se revela um tanto picante.
Leia
trecho.
A
Companhia, de Robert Littell (tradução de
Alves Calado; Record; 768 páginas; 70 reais) O americano
Robert Littell construiu sua reputação nos anos 1970,
com romances de espionagem que tinham a Guerra Fria como mote. Nos
anos 1990, diante do fim do conflito, craques do gênero como
o inglês John Le Carré preferiram buscar outros temas.
Littell, pelo contrário, permaneceu fiel às origens.
Mesmo tratando de um período histórico superado, suas
histórias continuam envolventes. A Companhia, seu
13º romance, é um exemplo disso. O livro acompanha a
trajetória de três espiões da Cia dos anos 1950
aos 1990. A trama é fictícia, mas por meio dela Littell
passa em revista a atuação da agência de inteligência
americana em momentos cruciais da história recente, como
a crise dos mísseis cubanos e a queda do Muro de Berlim.
Leia
trecho.
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| Kafka:
inspiração nos sonhos |
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Sonhos,
de Franz Kafka (tradução de Ricardo F. Henrique;
Iluminuras; 158 páginas; 33 reais) Com obras como
A Metamorfose e O Processo, o escritor checo Franz
Kafka (1883-1924) inscreveu seu nome entre os maiores da literatura
modernista. O universo de seus livros é freqüentemente
descrito como onírico, e não sem razão. Esse
lançamento é uma amostra de quanto os sonhos foram
uma preocupação real e, sem dúvida,
uma fonte inspiradora do escritor. Trata-se de uma antologia
de relatos de sonho registrados por Kafka em diários e cartas
a amigos. Percebem-se nesses relatos, de caráter privado,
vários pontos de contato com sua obra ficcional, como a presença
opressiva do pai. "O impulso de representar minha vida onírica
deslocou todo o resto para um plano secundário", anota Kafka
em seu diário. Em carta a Milena Jesenská, uma de
suas paixões, ele revela: "Na noite passada cometi um assassinato
por você, um sonho louco, uma noite ruim. Não sei maiores
detalhes". Leia
trecho.
O
Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë (tradução
de Renata Maria Parreira Cordeiro e Eliane Gurjão Silveira
Alambert; Landy; 432 páginas; 50 reais) Já
existiam cinco traduções dessa obra-prima do romantismo
inglês no Brasil, mas essa nova edição é
um primor, uma bela aquisição para qualquer biblioteca
de clássicos. Ela traz quadros cronológicos do período,
quadros genealógicos da família Brontë, perfis
da autora que morreu em 1848, aos 30 anos e um apanhado
de comentários críticos desde a época do lançamento
do livro até hoje. Com sua atmosfera lúgubre, O
Morro dos Ventos Uivantes é uma história de amor
atormentado, mas também uma espécie de romance metafísico
sobre o homem em confronto com os "poderes eternos". "Um dos mais
belos livros da literatura de todos os tempos", dizia o francês
Georges Bataille em 1957, enquanto o crítico americano Harold
Bloom sentenciou, em 2002: "Uma obra de uma grandiosidade solitária".
Leia
trecho.
Especiarias
e Ervas Aromáticas, de Jean-Marie Pelt (tradução
de André Telles; Jorge Zahar; 224 páginas; 33 reais)
As especiarias são um item do cardápio humano
ao menos desde a Antiguidade. Nesse tratado sobre o tema, o autor
um reputado botânico francês examina a
importância do comércio das especiarias ao longo da
história e explica as origens e propriedades de cada um dos
condimentos. Vindos do Oriente, produtos como a canela e a noz-moscada
foram durante muito tempo uma mercadoria estratégica, a ponto
de seu comércio impulsionar as descobertas marítimas
dos séculos XV e XVI. Ao recontar essa trajetória,
Jean-Marie Pelt traz à luz fatos curiosos. Na Idade Média,
uma das utilidades das especiarias era disfarçar o gosto
das carnes, que, em virtude das dificuldades ligadas à sua
conservação, muitas vezes se estragavam. Outro exemplo:
na França absolutista, a pimenta-do-reino era a moeda corrente
que os cidadãos com pendências nos tribunais usavam
para pagar propinas aos juízes. No final do livro, vem a
parte gastronômica em si: uma seleção de dezessete
receitas. Leia
trecho.
Divulgação
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| Obra
de Matisse: arte em verbetes |
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Estilos,
Escolas & Movimentos, de Amy Dempsey (tradução
de Carlos Eugênio Marcondes de Moura; Cosac & Naify; 304
páginas; 149 reais) Esse manual ilustrado é
um ótimo guia para quem se interessa por arte moderna e contemporânea.
A historiadora americana Amy Dempsey apresenta 300 verbetes que
cobrem os estilos, escolas e movimentos artísticos mais influentes
do fim do século XIX aos dias de hoje. As descrições
são sucintas e claras e vêm sempre acompanhadas
de imagens das obras mais representativas de cada tema. Do fauvismo
do francês Henri Matisse ao cubismo do espanhol Pablo Picasso,
não falta nenhuma das principais tendências da arte
moderna. Mas o livro vai muito além disso. Ele oferece verbetes
substanciosos sobre temas aos quais a maioria das obras do gênero
costuma dedicar umas poucas linhas, como é o caso do raionismo
russo. Por meio dessa obra é possível se versar em
temas que soam complicados aos ouvidos leigos, como as diferenças
entre o impressionismo, o neo-impressionismo e o pós-impressionismo.
Leia
trecho.
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