Edição 1834 . 24 de dezembro de 2003

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A semana
Retrospectiva 2003
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VEJA Recomenda


DVD


Pernalonga e sua turma: caixa cheia de bônus

Coleção Looney Tunes (Warner) – A turma do Pernalonga cativa gerações desde os anos 30. As crianças se divertem com o ritmo vertiginoso dos desenhos e com as cenas de comédia pastelão levadas ao absurdo, como as quedas de precipícios, os personagens esmagados por pedras e incinerados por bombas. À medida que cresce, a criança se dá conta do humor envenenado dos desenhos – e se torna ainda mais fã. Pernalonga é cínico, Patolino é enlouquecido pela cobiça e pela ambição, e os olhos meigos de Piu-Piu escondem um certo sadismo. A Coleção Looney Tunes compila episódios clássicos desses e de outros personagens numa bem transada caixa de quatro DVDs, repleta de bônus. Há a origem do Gaguinho – personagem pioneiro, criado em 1937 –, desenhos em preto-e-branco e documentários sobre Mel Blanc (o homem que deu voz aos principais heróis da série).

Pandora Filmes
Gritos e Sussurros: jogos de poder entre mulheres


Gritos e Sussurros
(Viskningar och Rop, Suécia, 1972. Versátil) – Uma criada e duas irmãs, a mais velha e a caçula, cuidam de sua irmã do meio, que está à morte. O grupo vive numa mansão repleta de lembranças. O cineasta sueco Ingmar Bergman exorciza aqui mais uma vez sua crença na ilimitada capacidade feminina para a frieza, e mostra, através dos jogos de poder entre as quatro mulheres, que a memória é a mais tirana das faculdades humanas, capaz de perpetuar indefinidamente os ressentimentos passados. Com um time de atrizes fabulosas (Ingrid Thulin, Harriet Andersson, Kari Sylwan e sua musa, Liv Ullman, em papel duplo) e a colaboração de Sven Nykvist, seu diretor de fotografia, Bergman ao mesmo tempo encena esse embate e o observa, a meia distância. O resultado é um casamento inimitável entre o cinema e o teatro, a outra grande paixão do diretor. Assista ao trailer.

UIP
Passagem para a Índia: riqueza de nuances


Passagem para a Índia
(A Passage to India, Inglaterra/Estados Unidos, 1984. Fox) – Nos anos 20, a inglesa Adela vai para a Índia casar-se com um juiz do Império Britânico. Lá chegando, quebra o protocolo ao aceitar o convite de um jovem médico indiano para visitar as cavernas da região. A moça sai das cavernas em pânico, acusando o médico de ter tentado estuprá-la. E, embora tudo obviamente não passe de uma alucinação sexual de Adela, só a sua futura sogra parece se chocar com a prontidão com que a comunidade britânica local abraça a farsa. O que, afinal, os ingleses estavam fazendo na Índia, e com a Índia, é o que indaga o escritor E.M. Forster no romance em que o filme se baseia. Em seu último trabalho, o diretor David Lean, de Lawrence da Arábia, transpõe essa inquietação para a tela com uma riqueza de nuances e um cuidado com as atuações que mais do que fazem valer as quase três horas de filme.
Assista ao trailer.

Greatest Video Hits 2, Queen (EMI) – Um dos principais ícones do rock inglês nos anos 70, o Queen passou por uma curiosa metamorfose na década seguinte. O grupo começou a flertar com a música negra e o cantor Freddie Mercury escancarou sua bissexualidade, assumindo um estilo cada vez mais teatral de cantar e apresentar-se. Essa é a fase coberta por Greatest Video Hits 2, que acompanha a carreira do Queen de 1981 até 1991. Há clipes divertidos como I Want to Break Free (em que os roqueiros se vestem de mulher) e superproduzidos como Radio Ga Ga. O DVD 2 é cheio de curiosidades, como vídeos de exibição antes proibida e cenas de apresentações ao vivo – numa delas, Mercury pede desculpas aos fãs pelo fato de o grupo deixar o rock de lado para investir no funk. Leia mais detalhes sobre o DVD.

BMG/Ariola

Prince: ainda um músico genial


Live at the Aladdin Las Vegas,
Prince (Universal) – Nos anos 80, o cantor, compositor e multiinstrumentista Prince Rogers Nelson sintetizou o legado de grandes artistas negros da música americana. Ele havia aprendido a saracotear no palco com James Brown, tinha assimilado o coquetel de funk, rock e psicodelismo de grupos como Sly & the Family Stone e era herdeiro da guitarra cheia de efeitos de Jimi Hendrix. Nos anos 90, Prince sabotou a própria carreira. Ele substituiu seu nome por um símbolo impronunciável e foi notícia por esquisitices como obrigar as namoradas a fazer "treinamentos de telepatia". Embora tenha deixado as paradas, Prince ainda dá mostras de sua genialidade. É o que prova esse show ao vivo, gravado em 2002. À frente de uma banda em que se destacam a percussionista Sheila E. e o tecladista brasileiro Renato Neto, Prince desfia os principais sucessos de sua carreira e ainda premia o público com uma versão de Whole Lotta Love, do Led Zeppelin.

 

CINEMA

Divulgação

Adeus, Lênin!: os traumas da reunificação alemã


Adeus, Lênin!
(Good Bye, Lenin!, Alemanha, 2003. Estréia no país no dia 25) – Até o colapso do bloco socialista, em 1989, Berlim era uma espécie de Pólo Norte, compara o diretor alemão Wolfgang Becker: assim como no pólo todas as direções levam ao Sul, Berlim era uma ilha cercada de Leste comunista por todos os lados. Essa idéia serve de ponto de partida para um dos filmes mais engenhosos e bem-sucedidos da temporada, que acaba de levar o Prêmio Europeu de Cinema nas categorias de filme, roteiro e ator, para Daniel Brühl, o protagonista. Brühl é Alex, um rapaz que vive em Berlim Oriental com a irmã e a mãe (a excelente Katrin Sass) – a qual, desde que foi abandonada pelo marido, se aferrou ainda mais à sua militância socialista. Por isso é até consolador que ela tenha entrado em coma na mesma noite em que o Muro caiu, e motivo de pânico que ela recupere a consciência meses depois, quando a cidade já está em franco processo de acomodação ao mundo capitalista. Para poupar os sentimentos maternos, Alex monta uma farsa elaborada, que inclui vídeos feitos para imitar os noticiários estatais e caçadas a geléias e ervilhas em lata da velha Alemanha – tudo para que a convalescente continue na ilusão de que nada mudou durante sua doença. Aos poucos, porém, percebe-se que Alex é quem está sofrendo com a nova ordem e a iminência da vida adulta, e é ele quem realmente precisa desse conto de fadas. O diretor Becker diz ter desejado dar voz, com Adeus, Lênin!, à desorientação que a erradicação de seu passado causou entre os alemães-orientais. Conseguiu isso e mais um tanto – uma história de um amor verdadeiro entre mãe e filho.
Assista ao trailer.

 

 

 
 
 
 
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