Edição 1 625 - 24/11/1999

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O rap dos cifrões

Com mais visão empresarial do que talento,
Puff Daddy é a nova sensação americana

Sérgio Martins

O artista do momento na música americana é uma máquina de fazer dólares.Trata-se do empresário e rapper Puff Daddy, de 29 anos, que estreou em 15o lugar na lista de personalidades do meio artístico mais ricas dos Estados Unidos, divulgada anualmente pela revista Forbes. Sua fortuna pessoal é estimada em 53 milhões de dólares. Só nos últimos dois anos, sua gravadora, a Bad Boy, faturou 280 milhões de dólares. Puff mora em um luxuoso apartamento localizado em Park Avenue, um dos lugares mais chiques de Nova York. O imóvel está avaliado em 5 milhões de dólares. Tem também uma casa de praia no exclusivo balneário The Hamptons. Para completar, sua noiva é ninguém menos do que Jennifer Lopez, atriz cujas curvas generosas brilharam em filmes como Anaconda e Selena. "Sou a maravilha do gueto, posso dirigir pela Quinta Avenida de Rolls-Royce com a capota levantada tocando rap no último volume", gaba-se o emergente.

O império de Puff

Gravadora Bad Boy. Valor de mercado: 250 milhões de dólares
Fortuna pessoal: 53 milhões de dólares
Apartamento na Park Avenue,
em Nova York:
5 milhões de dólares
Casa de praia: 2,5 milhões de dólares
Dois automóveis Bentley:
300 000 dólares cada um

O êxito de Puff Daddy tem muito a ver com o aumento da popularidade do rap nos Estados Unidos. Só no ano passado, o gênero teve um crescimento de 31% nas vendas, contra 6% do rock e 2% da country music. As rimas de suas canções podem não ser grande coisa, mas ele descobriu um filão ao combinar dois ritmos que a garotada adora: o rock e o rap. Do primeiro ele aproveita trechos inteiros de músicas que já fizeram sucesso. Sua I'll Be Missing You, por exemplo, nada mais é que uma versão reciclada de Every Breath You Take, do trio inglês The Police. O compacto com a música vendeu 4 milhões de cópias só nos Estados Unidos. O mesmo fenômeno se repetiu em Come with Me, que ele compôs para a trilha do filme Godzilla. O rapper simplesmente aproveitou Kashmir, do quarteto inglês Led Zeppelin. O rap de Puff evita o discurso politizado, que nos anos 80 consagrou grupos como o Public Enemy. Ele prefere narrar seus feitos, vangloriando-se de ter um carro importado e morar bem. É a tradicional auto-afirmação do rap levada às últimas conseqüências.

Pai traficante – A trajetória vitoriosa de Puff Daddy é um exemplo de senso de oportunidade. Sean Combs – seu verdadeiro nome – nasceu em Nova York. Sua mãe era enfermeira e aspirante a modelo. Seu pai traficava drogas, vivia de pequenos bicos e foi assassinado no Central Park quando o cantor tinha 3 anos de idade. Foi no colégio que ele ganhou o apelido que o tornaria conhecido. Era chamado de Puff (algo como "bufar") porque se irritava com facilidade. Aos 20 anos, já cursando a faculdade de administração, foi trabalhar na pequena gravadora Uptown como gerente de promoções. Lá, ele conseguiu impulsionar a carreira de vários artistas. Puff permaneceu no emprego até 1993, quando foi demitido por insubordinação. Melhor para ele: criou o selo Bad Boy, formou um elenco (com ele próprio à frente, no papel de cantor) e assinou um contrato de distribuição de seus artistas com uma gravadora do primeiro time. Pelo contrato, recebeu 15 milhões de dólares. O investimento não foi em vão: só nos Estados Unidos, os dois álbuns de Puff venderam 8,5 milhões de unidades.


Hoje em dia Puff Daddy lembra muito pouco o adolescente que tinha de economizar para fazer uma refeição por dia. Um de seus passatempos é visitar o Harlem, bairro negro onde nasceu. Quando depara com um mendigo, presenteia o sujeito com uma nota de 100 dólares. Em abril deste ano, Puff aplicou uma surra em Steve Stoute, executivo de uma gravadora rival. Para evitar um processo por agressão, deu à vítima 250.000 dólares. "Meu cliente quis apenas fazer um remix na cara daquele senhor", declarou seu advogado na época.

Puff Daddy tem outros investimentos fora da área musical. Ele é dono da cadeia de restaurantes Justin's (jamais coma lá, prezado leitor). Também criou uma grife de roupas chamada Sean John e uma revista dedicada ao público negro, Notorious. Recentemente, ele sonhou em virar produtor de cinema. Bolou um roteiro, chamou a atriz Cameron Diaz e o ator Dennis Quaid para o elenco e iniciou conversações com o diretor Oliver Stone. O projeto só não foi para frente por causa das constantes brigas entre Puff e Stone. Muitos críticos americanos acham que o império de Puff Daddy está prestes a se dissolver. O principal indício da decadência seria a performance de Forever, seu CD mais recente, que vendeu "apenas" 1,5 milhão de cópias. A resposta de Puff virá em seu próximo single, a ser lançado no mês que vem, com a música Public Enemy 2000. Diz a letra: "O que você tem contra mim?/ Minha namorada ou meu carro/ Ou talvez contra os três?" Talvez o público esteja descobrindo que, embora astuto nos negócios, Puff faz raps bem fraquinhos.