|
|
|
|
O rap dos cifrões
Com mais visão empresarial
do que talento,
Puff Daddy é a nova
sensação americana
Sérgio Martins
O artista do momento na música americana é
uma máquina de fazer dólares.Trata-se do
empresário e rapper Puff Daddy, de 29 anos, que
estreou em 15o lugar
na lista de personalidades do meio artístico mais
ricas dos Estados Unidos, divulgada anualmente pela revista
Forbes. Sua fortuna pessoal é estimada em
53 milhões de dólares. Só nos últimos
dois anos, sua gravadora, a Bad Boy, faturou 280 milhões
de dólares. Puff mora em um luxuoso apartamento
localizado em Park Avenue, um dos lugares mais chiques
de Nova York. O imóvel está avaliado em
5 milhões de dólares. Tem também
uma casa de praia no exclusivo balneário The Hamptons.
Para completar, sua noiva é ninguém menos
do que Jennifer Lopez, atriz cujas curvas generosas brilharam
em filmes como Anaconda e Selena. "Sou a
maravilha do gueto, posso dirigir pela Quinta Avenida
de Rolls-Royce com a capota levantada tocando rap no último
volume", gaba-se o emergente.
O êxito de Puff Daddy tem muito a ver com o aumento
da popularidade do rap nos Estados Unidos. Só no
ano passado, o gênero teve um crescimento de 31%
nas vendas, contra 6% do rock e 2% da country music. As
rimas de suas canções podem não ser
grande coisa, mas ele descobriu um filão ao combinar
dois ritmos que a garotada adora: o rock e o rap. Do primeiro
ele aproveita trechos inteiros de músicas que já
fizeram sucesso. Sua I'll Be Missing You, por exemplo,
nada mais é que uma versão reciclada de
Every Breath You Take, do trio inglês The
Police. O compacto com a música vendeu 4 milhões
de cópias só nos Estados Unidos. O mesmo
fenômeno se repetiu em Come with Me, que
ele compôs para a trilha do filme Godzilla.
O rapper simplesmente aproveitou Kashmir, do quarteto
inglês Led Zeppelin. O rap de Puff evita o discurso
politizado, que nos anos 80 consagrou grupos como o Public
Enemy. Ele prefere narrar seus feitos, vangloriando-se
de ter um carro importado e morar bem. É a tradicional
auto-afirmação do rap levada às últimas
conseqüências.
Pai traficante A trajetória vitoriosa
de Puff Daddy é um exemplo de senso de oportunidade.
Sean Combs seu verdadeiro nome nasceu em
Nova York. Sua mãe era enfermeira e aspirante a
modelo. Seu pai traficava drogas, vivia de pequenos bicos
e foi assassinado no Central Park quando o cantor tinha
3 anos de idade. Foi no colégio que ele ganhou
o apelido que o tornaria conhecido. Era chamado de Puff
(algo como "bufar") porque se irritava com facilidade.
Aos 20 anos, já cursando a faculdade de administração,
foi trabalhar na pequena gravadora Uptown como gerente
de promoções. Lá, ele conseguiu impulsionar
a carreira de vários artistas. Puff permaneceu
no emprego até 1993, quando foi demitido por insubordinação.
Melhor para ele: criou o selo Bad Boy, formou um elenco
(com ele próprio à frente, no papel de cantor)
e assinou um contrato de distribuição de
seus artistas com uma gravadora do primeiro time. Pelo
contrato, recebeu 15 milhões de dólares.
O investimento não foi em vão: só
nos Estados Unidos, os dois álbuns de Puff venderam
8,5 milhões de unidades.
Hoje em dia Puff Daddy lembra muito pouco o adolescente
que tinha de economizar para fazer uma refeição
por dia. Um de seus passatempos é visitar o Harlem,
bairro negro onde nasceu. Quando depara com um mendigo,
presenteia o sujeito com uma nota de 100 dólares.
Em abril deste ano, Puff aplicou uma surra em Steve Stoute,
executivo de uma gravadora rival. Para evitar um processo
por agressão, deu à vítima 250.000
dólares. "Meu cliente quis apenas fazer um remix
na cara daquele senhor", declarou seu advogado na época.
Puff Daddy tem outros investimentos fora da área
musical. Ele é dono da cadeia de restaurantes Justin's
(jamais coma lá, prezado leitor). Também
criou uma grife de roupas chamada Sean John e uma revista
dedicada ao público negro, Notorious. Recentemente,
ele sonhou em virar produtor de cinema. Bolou um roteiro,
chamou a atriz Cameron Diaz e o ator Dennis Quaid para
o elenco e iniciou conversações com o diretor
Oliver Stone. O projeto só não foi para
frente por causa das constantes brigas entre Puff e Stone.
Muitos críticos americanos acham que o império
de Puff Daddy está prestes a se dissolver. O principal
indício da decadência seria a performance
de Forever, seu CD mais recente, que vendeu "apenas"
1,5 milhão de cópias. A resposta de Puff
virá em seu próximo single, a ser lançado
no mês que vem, com a música Public Enemy
2000. Diz a letra: "O que você tem contra
mim?/ Minha namorada ou meu carro/ Ou talvez contra os
três?" Talvez o público esteja descobrindo
que, embora astuto nos negócios, Puff faz raps
bem fraquinhos.
|
|