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Vamos faturar
Globo inova no merchandising.
Videoclipes compõem a abertura da novela das
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A novela Vila Madalena, da Rede Globo, pode
não ser uma maravilha em termos de audiência,
mas entra para a história por ter criado um novo
tipo de merchandising. Até agora, o recurso consistia
em abrir espaços nas cenas para encaixar um rótulo
de cerveja, uma marca de automóvel ou a fachada
de um banco. Na novela rodada em São Paulo, a
emissora decidiu comercializar também a abertura
e o encerramento dos capítulos. As tradicionais
vinhetas em que aparecem os créditos do elenco
e da equipe técnica foram acrescidas de videoclipes
dos artistas que estão na trilha sonora. É
uma maneira inédita de promover o CD com as músicas
da novela, que é lançado pela Som Livre,
empresa que pertence à emissora. Além
disso, é uma forma de fazer caixa. A Globo repassou
o custo dos clipes para as gravadoras. Essas, por sua
vez, viram na novidade a chance que faltava para divulgar
seus artistas, principalmente aqueles desconhecidos
do grande público, caso da cantora Ana Carolina
e do grupo LS Jack.
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LS
Jack, Milton Nascimento, Pedro Luis e a Parede
e Lenine: valor acertado entre
emissora
e gravadoras foi
de
30 000 reais por clipe
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Cada videoclipe, com duração média
de um minuto, custa
30 000 reais, valor acertado em uma reunião na
Associação Brasileira dos Produtores de
Discos, entidade que congrega o setor fonográfico
no país. A quantia estipulada equivale ao custo
médio de um clipe no mercado. Ainda assim, é
bem inferior ao que se paga pelo merchandising tradicional,
cerca de 70 000 reais por apenas trinta segundos. Há
quem veja na inovação da Globo algo semelhante
ao "jabá", nome que se dá ao investimento
escuso para que uma música estoure em determinadas
rádios. Mas existem diferenças entre as
duas práticas. A primeira é que não
há nada de errado em uma gravadora pagar pela
produção de um videoclipe. É dessa
forma, por exemplo, que a maior parte da programação
da MTV se viabiliza. Outra diferença é
que, ao contrário das estações
de rádio que cobram para tocar uma música,
a Globo não recebe dinheiro para transformar
suas vinhetas em videoclipes. Os 30 000 reais são
pagos a produtoras independentes.
A idéia de introduzir videoclipes na abertura
e no encerramento de uma novela já havia sido
testada, de forma menos elaborada, pelo SBT. Em A
Usurpadora, o cantor Paulo Ricardo aparecia interpretando
a música-tema, em um clipe cedido pela gravadora
Universal. O que a Globo fez foi incrementar esse procedimento,
oferecendo a possibilidade a todas as gravadoras que
têm canções na trilha sonora do
folhetim. Na emissora, justifica-se o expediente como
sendo uma inovação artística, e
não comercial. "Quando eu mostrei as músicas
da novela para o diretor de criação Daniel
Filho, ele gostou tanto da escolha que sugeriu abrirmos
espaço para os clipes", diz Mariozinho Rocha,
diretor musical da Rede Globo. Antes dessa decisão,
o único cantor que costumava se beneficiar de
merchandising nas novelas da casa era Orlando Moraes,
marido da atriz Gloria Pires. Agora, Milton Nascimento,
Lenine, Pedro Luis e a Parede, Maria Bethânia,
Lulu Santos e Paralamas do Sucesso vão tirar
proveito de Vila Madalena. Ironicamente, nenhum
deles é de São Paulo.
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