Edição 1 625 - 24/11/1999

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Vamos faturar

Globo inova no merchandising.
Videoclipes compõem a abertura da novela das 7

A novela Vila Madalena, da Rede Globo, pode não ser uma maravilha em termos de audiência, mas entra para a história por ter criado um novo tipo de merchandising. Até agora, o recurso consistia em abrir espaços nas cenas para encaixar um rótulo de cerveja, uma marca de automóvel ou a fachada de um banco. Na novela rodada em São Paulo, a emissora decidiu comercializar também a abertura e o encerramento dos capítulos. As tradicionais vinhetas em que aparecem os créditos do elenco e da equipe técnica foram acrescidas de videoclipes dos artistas que estão na trilha sonora. É uma maneira inédita de promover o CD com as músicas da novela, que é lançado pela Som Livre, empresa que pertence à emissora. Além disso, é uma forma de fazer caixa. A Globo repassou o custo dos clipes para as gravadoras. Essas, por sua vez, viram na novidade a chance que faltava para divulgar seus artistas, principalmente aqueles desconhecidos do grande público, caso da cantora Ana Carolina e do grupo LS Jack.



LS Jack, Milton Nascimento, Pedro Luis e a Parede e Lenine: valor acertado entre
emissora e gravadoras foi
de 30 000 reais por clipe

Cada videoclipe, com duração média de um minuto, custa
30 000 reais, valor acertado em uma reunião na Associação Brasileira dos Produtores de Discos, entidade que congrega o setor fonográfico no país. A quantia estipulada equivale ao custo médio de um clipe no mercado. Ainda assim, é bem inferior ao que se paga pelo merchandising tradicional, cerca de 70 000 reais por apenas trinta segundos. Há quem veja na inovação da Globo algo semelhante ao "jabá", nome que se dá ao investimento escuso para que uma música estoure em determinadas rádios. Mas existem diferenças entre as duas práticas. A primeira é que não há nada de errado em uma gravadora pagar pela produção de um videoclipe. É dessa forma, por exemplo, que a maior parte da programação da MTV se viabiliza. Outra diferença é que, ao contrário das estações de rádio que cobram para tocar uma música, a Globo não recebe dinheiro para transformar suas vinhetas em videoclipes. Os 30 000 reais são pagos a produtoras independentes.

A idéia de introduzir videoclipes na abertura e no encerramento de uma novela já havia sido testada, de forma menos elaborada, pelo SBT. Em A Usurpadora, o cantor Paulo Ricardo aparecia interpretando a música-tema, em um clipe cedido pela gravadora Universal. O que a Globo fez foi incrementar esse procedimento, oferecendo a possibilidade a todas as gravadoras que têm canções na trilha sonora do folhetim. Na emissora, justifica-se o expediente como sendo uma inovação artística, e não comercial. "Quando eu mostrei as músicas da novela para o diretor de criação Daniel Filho, ele gostou tanto da escolha que sugeriu abrirmos espaço para os clipes", diz Mariozinho Rocha, diretor musical da Rede Globo. Antes dessa decisão, o único cantor que costumava se beneficiar de merchandising nas novelas da casa era Orlando Moraes, marido da atriz Gloria Pires. Agora, Milton Nascimento, Lenine, Pedro Luis e a Parede, Maria Bethânia, Lulu Santos e Paralamas do Sucesso vão tirar proveito de Vila Madalena. Ironicamente, nenhum deles é de São Paulo.