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Dança
de grifes
A Gucci
compra a Yves Saint Laurent e põe
mais fogo na disputa
pelo mercado de luxo
Mais
um tremor abala o mundo da moda, e ele não tem nada
a ver com o comprimento das saias ou com a profundidade dos
decotes. Na semana passada, a italiana Gucci, marca consagrada
por seus artigos de couro, anunciou a compra da francesa Yves
Saint Laurent, grife favorita de chiquérrimas como
a atriz Catherine Deneuve. Visto de fora, parece que a Gucci
está podendo tudo e a Itália marcou um tento
no duelo de agulhas e linhas com a França. De perto,
não é bem assim. O negócio de 1 bilhão
de dólares é mais um round no duelo de dois
gigantes franceses, os grupos PPR e LVMH, e faz parte do mercado
persa de aquisições e fusões em que se
engalfinham atualmente as grandes empresas.
Como todas
as suas colegas da alta-costura, a Yves Saint Laurent cria
vestidos de 50.000
dólares para um rarefeito grupinho de bilionárias,
mas ganha dinheiro mesmo é com a venda de óculos,
perfumes e lençóis. No começo do ano,
foi comprada pela Sanofi Beauté, dona de perfumes
caros como Krizia e Fendi. Foi a Sanofi que a Gucci agora
abocanhou, transformando-se da noite para o dia em um conglomerado
de marcas de luxo. O legendário Yves Saint Laurent,
63 anos e muitos problemas de saúde, e o co-fundador
da maison, Pierre Bergé, levaram 70 milhões
de dólares extras para ceder as três letrinhas
e nunca mais dar palpite em acessórios e prêt-à-porter.
Preservaram, a título de consolação,
um posto na direção da alta-costura, mas a
palavra final sobre a criação de todos os
produtos YSL que dão dinheiro passou para o superestilista
da Gucci, o americano Tom Ford.
Concentração
de luxo
Ponto para a Gucci, claro. Mas ponto com nó. Quem lhe
vendeu a Sanofi Beauté em condições muito
camaradas foi o PPR, um gigante do varejo fino (lojas Le Printemps,
livrarias Fnac) que também empilha no seu cofrinho
34,4% das ações de quem? Da Gucci. A ambição
do PPR é fincar raízes no setor de alto luxo,
no qual ele não tem tradição e onde reina
soberano seu maior rival, o conglomerado LVMH (LV das bolsas
Louis Vuitton, M do champanhe Moët & Chandon e H
do conhaque Hennessy). No começo do ano, a Gucci, prensada
na parede por um bote aquisitivo da LVMH, considerou que,
se um parceiro forte era inevitável, o PPR seria a
melhor escolha. Aproximou-se do grupo, facilitou-lhe a compra
de um lote de ações e abortou o golpe do rival.
Agora, ao passar a Saint Laurent, que era sua, para a Gucci,
que é meio sua, o PPR concentra num mesmo canto de
seu guarda-chuva um poderoso grupo de grifes elegantes. Com
isso, aumenta seu poder de fogo no admirável mundo
do luxo e de seus subprodutos que vendem milhões.
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