Edição 1 625 - 24/11/1999

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Filme dos Pokémons é sucesso nos EUA
Vaca paranaense será clonada
Satélite revela urbanização da Amazônia
Cientistas descobrem planeta pela sombra
O litoral brasileiro vai ferver como nunca
Paco-paco, o carro caboclo feito de sucata
Harley-Davidson já é fabricada no Brasil
Novidades no tratamento do vício
Um novo curso: Ciências da Religião
A busca de fuxicos na vida de grandes nomes

Altamira, o maior município do mundo
Gucci compra a Yves Saint Laurent
A vida pós-PC
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Cotações

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


Dança de grifes

A Gucci compra a Yves Saint Laurent e põe
mais fogo na disputa pelo mercado de luxo

Mais um tremor abala o mundo da moda, e ele não tem nada a ver com o comprimento das saias ou com a profundidade dos decotes. Na semana passada, a italiana Gucci, marca consagrada por seus artigos de couro, anunciou a compra da francesa Yves Saint Laurent, grife favorita de chiquérrimas como a atriz Catherine Deneuve. Visto de fora, parece que a Gucci está podendo tudo e a Itália marcou um tento no duelo de agulhas e linhas com a França. De perto, não é bem assim. O negócio de 1 bilhão de dólares é mais um round no duelo de dois gigantes franceses, os grupos PPR e LVMH, e faz parte do mercado persa de aquisições e fusões em que se engalfinham atualmente as grandes empresas.

 

Como todas as suas colegas da alta-costura, a Yves Saint Laurent cria vestidos de 50.000 dólares para um rarefeito grupinho de bilionárias, mas ganha dinheiro mesmo é com a venda de óculos, perfumes e lençóis. No começo do ano, foi comprada pela Sanofi Beauté, dona de perfumes caros como Krizia e Fendi. Foi a Sanofi que a Gucci agora abocanhou, transformando-se da noite para o dia em um conglomerado de marcas de luxo. O legendário Yves Saint Laurent, 63 anos e muitos problemas de saúde, e o co-fundador da maison, Pierre Bergé, levaram 70 milhões de dólares extras para ceder as três letrinhas e nunca mais dar palpite em acessórios e prêt-à-porter. Preservaram, a título de consolação, um posto na direção da alta-costura, mas a palavra final sobre a criação de todos os produtos YSL que dão dinheiro passou para o superestilista da Gucci, o americano Tom Ford.

 
Concentração de luxo Ponto para a Gucci, claro. Mas ponto com nó. Quem lhe vendeu a Sanofi Beauté em condições muito camaradas foi o PPR, um gigante do varejo fino (lojas Le Printemps, livrarias Fnac) que também empilha no seu cofrinho 34,4% das ações de quem? Da Gucci. A ambição do PPR é fincar raízes no setor de alto luxo, no qual ele não tem tradição e onde reina soberano seu maior rival, o conglomerado LVMH (LV das bolsas Louis Vuitton, M do champanhe Moët & Chandon e H do conhaque Hennessy). No começo do ano, a Gucci, prensada na parede por um bote aquisitivo da LVMH, considerou que, se um parceiro forte era inevitável, o PPR seria a melhor escolha. Aproximou-se do grupo, facilitou-lhe a compra de um lote de ações e abortou o golpe do rival. Agora, ao passar a Saint Laurent, que era sua, para a Gucci, que é meio sua, o PPR concentra num mesmo canto de seu guarda-chuva um poderoso grupo de grifes elegantes. Com isso, aumenta seu poder de fogo no admirável mundo do luxo e de seus subprodutos que vendem milhões.