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Gigante adormecido
Altamira, o maior município do mundo,
quer entrar para o Guinness
Klester Cavalcanti, de Altamira
Janduari Simões
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Rua vazia de Altamira: luz elétrica
chegou só no ano passado |
O maior município do mundo fica no Brasil e busca reconhecimento
internacional: quer entrar para o Guinness O Livro
dos Recordes. Para tanto, a prefeitura de Altamira, uma
imensa fatia de terra encravada no Pará, enviou ofício à sede
da editora em Londres e dela recebeu resposta de que o pedido
está sendo considerado e, se aprovado, será incluído na edição
de 2001. A notícia está causando alvoroço no município, que
ocupa a impressionante área de 161.445 quilômetros quadrados,
um tantinho de nada menor do que três países europeus
Portugal, Holanda e Bélgica somados. Quer dizer, o
alvoroço possível entre seus 75.000 habitantes. Sim, porque
Altamira detém também um recorde nacional: o de menor densidade
demográfica. Enquanto a média do país é de dezoito habitantes
por quilômetro quadrado, lá esse número é 0,4. O comércio
local é pífio, a indústria, inexistente, e a arrecadação de
impostos cobre meros 10% do orçamento mensal de 1 milhão de
reais. Os governos federal (75%) e estadual (15%) cobrem o
resto.
Altamira tem terra fértil, onde se produzem todo ano 30.000
toneladas de cacau, 8 000 de pimenta-do-reino e 8.000 de café,
que rendem 90 milhões de reais. As madeireiras escondem o
jogo, mas estima-se que embolsem entre 7 e 10 milhões de reais
a cada ano. Tirando isso, e o caudaloso Rio Xingu, pouca coisa
resta no município. Emancipado em 1911, o gigante adormecido
sacudiu a modorra no início da década de 70, com a inauguração
da Rodovia Transamazônica, monstrengo de 1.520 quilômetros
que nunca foi asfaltado. "Todos esperavam que a estrada trouxesse
o progresso, mas só trouxe mais problemas", lamenta o historiador
Ubirajara Marques, 73 anos, autor do livro Altamira e Sua
História. A população saltou de 10.000 para 30 000 habitantes
em três anos, sem a contrapartida de investimentos em infra-estrutura
e suporte para os recém-chegados, e o desenvolvimento estancou
praticamente sem ter começado. Em junho do ano passado, nova
sacudida com a chegada da energia da hidrelétrica de Tucuruí.
Até agora, tudo continua igual.
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