Edição 1 625 - 24/11/1999

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A volta por cima

Novos métodos de tratamento
ajudam um número crescente
de viciados a vencer
o horror das drogas

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  Selmy Yassuda
Exercícios e terapia: receita contra a cocaína
e a favor da auto-estima

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"Vivo um dia de cada vez"

"Depois de três meses 'limpo' tive nova recaída de cocaína. Fiquei três dias na rua. Um horror. Mais uma vez falei para mim que não queria aquilo. Agora, consigo ficar longe da droga sem me sentir marginal num grupo. Até hoje vou às reuniões do Narcóticos Anônimos para entender meus problemas. Vivo um dia de cada vez."
Felipe Camargo, 39 anos, ator. Está há três anos longe das drogas


O Brasil inteiro acompanhou o drama do ator Felipe Camargo nos tempos em que ele mergulhou fundo no mundo das drogas. Há três anos Felipe não encosta em um copo de álcool, não cheira cocaína nem toma remédios para dormir. É um ex-viciado. Hoje, faz parte de um crescente contingente de ex- dependentes químicos que se livraram do tormento das drogas. Protagonista de brigas cinematográficas com a ex-mulher, Vera Fischer, Felipe virava noites cheirando pó e rebatendo o efeito com álcool e remédios para dormir. Não ficava um dia sem aspirar pelo menos 1 grama de cocaína. Em suas fases de crises mais agudas não tinha condições de dar atenção ao filho, Gabriel, quando o menino o visitava. "Ele chegava para me ver e eu preferia ir dormir", diz. "Tudo o que estava a minha volta era um caos." Sem força para dar um basta sozinho, pediu ajuda à irmã. Depois de uma internação de apenas quinze dias em uma clínica para desintoxicação, passou a freqüentar os Narcóticos Anônimos. Teve diversas recaídas. "Numa delas, fiquei três dias na rua", relembra. "Um horror, mas falei outra vez para mim que não queria aquilo." Insistiu em novo tratamento e, aos poucos, conseguiu sair do inferno. Por bom comportamento, Felipe foi recontratado pela Rede Globo e teve direito à guarda de Gabriel, hoje com 6 anos. "Não vou dizer que não tenho vontade, mas hoje eu sei que não posso cheirar a primeira carreira de cocaína", diz o ator de 39 anos.

Situações como a de Felipe Camargo são cada vez mais comuns no Brasil, como se verá nas histórias descritas a seguir. Ele conseguiu o que parece impossível a um dependente químico: livrar-se do horror das drogas e retomar a vida normal. Não é um caso isolado. A recuperação de viciados no Brasil já chega a 35%. É a mesma média registrada nos Estados Unidos e na Europa. Ou seja, de 100 viciados que se tratam, 35 conseguem reestruturar a vida, num processo recheado de dores físicas, sofrimentos e preconceitos. Nos últimos dez anos, os centros para recuperação de drogados multiplicaram-se no país. Há 300 deles para o tratamento de dependência química no Brasil, um número seis vezes maior do que no início da década – embora modesto, se comparado com os Estados Unidos, onde existem 9.000 centros.


Selmy Yassuda

"Foi duro, mas ganhei força"

"Estraguei tudo na minha vida por causa das drogas e a recuperação foi lenta e dolorosa. Achava que tinha o controle da situação, bebia um gole, cheirava e voltava tudo. Com tantas recaídas, aprendi que tinha amigos. Ao resgatar algum carinho, ganhei força."  
Ricardo Hermanny, 54 anos, ex-empresário. Deixou as drogas há cinco anos


Desde o final dos anos 80, houve uma espécie de revolução no tratamento de viciados. Até dez anos atrás, eles ficavam por aí, descendo uma escada de degradação que podia acabar na morte, ou eram trancafiados nas clínicas psiquiátricas. Nessas clínicas conviviam com psicóticos, esquizofrênicos e outros doentes mentais. A internação durava até o fim da fase pior, em que o viciado enfrentava as agruras físicas e psicológicas decorrentes do corte abrupto da ingestão de drogas. Depois desse período, o paciente era simplesmente devolvido à vida normal para se virar sozinho como pudesse. O resultado não podia ser mais desanimador. É de quase 100% a chance de recaída nos casos em que o dependente químico não tem apoio familiar, trabalho e motivação. "Os dependentes químicos eram um caso de polícia e não de saúde", diz o psicólogo Adriano Mossinamm, da Coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde. Um novo modo de encarar a dependência da droga mostrou que são raros os casos em que o viciado precisa ficar recolhido em clínicas de tratamento ou hospitais psiquiátricos. Hoje, 90% dos pacientes continuam em casa. São tratados em ambulatórios dentro das clínicas, onde desenvolvem uma série de atividades. À noite, voltam para casa.


Claudio Rossi

"Retornei à vida "

"Já não estava mais raciocinando. Havia emagrecido 20 quilos. Meus braços estavam roxos e tinham mais de 35 picadas. Aos 32 anos fui parar num hospital por overdose. Fiquei sessenta dias internada. Sofria crises de abstinência horríveis. Dava cabeçadas na parede. Aos poucos, retomei minha vida."
Lúcia Ferreira, 40 anos, dona de casa paulistana, casada. Há oito anos livre das drogas


Só são internados quando não dispõem de nenhum ponto de apoio, como a família, a casa, o trabalho. As internações duram no máximo três meses. É o período em que eles "limpam" o corpo. Depois, passam a visitar diariamente os centros de recuperação. Como não sabem, ou esqueceram, como é o dia-a-dia de uma pessoa normal, passam por um processo de reeducação intensiva. O objetivo, por mais surpreendente que possa parecer, é este: reaprender a viver como todas as outras pessoas. Não é fácil. A carioca Carolina Pedrosa, 26 anos, começou a beber aos 14 anos e aos 18 experimentou a cocaína. Aos 22, já acordava cheirando fileiras de pó. Definhou até os 38 quilos. Depois de uma overdose que quase a matou, ela pediu ajuda à mãe. Queria ser internada. Teve recaídas e finalmente fez o tratamento numa clínica. Morava com a mãe, mas ia diariamente a clínicas para terapia e outras atividades em grupo. Toda a família, arrasada, entrou numa terapia para recuperar a confiança entre eles. "Até hoje minha mãe me pergunta se voltei a cheirar quando chego em casa mais agitada", diz. Hoje, Carolina está estudando de novo. Faz o 4º ano de psicologia. "Não tinha mais amigos nem projetos de vida. Tive de descobrir o que queria fazer", lembra ela.


Coquetel sombrio

Quase sempre viciados que se internam para tratamento usam mais de uma droga. Veja abaixo a relação das drogas mais usadas:
 
Álcool 80%
Cocaína 60%
Maconha 40%
Remédios 25%

Crack 25%

Fontes: Solar do Rio, Centro Vida, Greenwood, Vila Serena

Quando o viciado entra em tratamento, a família se torna a base de apoio dele. "É claro que o dependente terá um caminho para trilhar sozinho e só sairá da dependência se realmente quiser", diz a psiquiatra carioca Maria Tereza de Aquino. "Com a família apoiando, no entanto, o processo é muito facilitado." O efeito do tratamento é enfraquecido quando o dependente depara com as expressões de reprovação no rosto dos pais, dos cônjuges ou dos filhos ao chegar em casa. Durante o período de dependência, o viciado só pensa na droga e nega o resto do mundo. É a família ou alguém da família que vai reapresentar a ele um mundo de coisas que podem dar-lhe prazer, além das drogas.


Claudio Rossi

"Quase perdi o emprego"

"Aos 28 anos comecei a cheirar para ir às festas e, depois, não ficava um dia sem a droga. Quase perdi minha família e meu emprego. Fui internado, mas só pensava na droga. Aos poucos, vi que havia muita gente igual a mim e consegui resgatar a auto-estima. Durante muito tempo eu sonhava com a cocaína."   Roberto Teixeira, 36 anos, funcionário público em São Paulo. Fora das drogas há três anos


Serviço cinco-estrelas
"Minha família foi fundamental para minha recuperação", afirma a paulista Leila Marcelino, de 39 anos e há três longe das drogas. "Eles me levaram para o tratamento sob pressão e me deram a maior força." Dona de casa, casada, mãe de dois filhos e com padrão de vida típico da classe média, Leila durante cinco anos afundou-se na cocaína e no crack. Diz que provou o primeiro cigarro de maconha aos 30 anos, por causa de "um vazio inexplicável". O marido só descobriu o tamanho do problema depois de dois anos: Leila já cheirava cocaína todas as tardes e seu círculo de amizades se resumia a traficantes e bandidos. Desceu mais alguns degraus ao provar (e passar a usar constantemente) o crack. "Cheguei a ficar quinze dias fora de casa, perdida", relembra. "A essa altura, meu relacionamento com as crianças não existia mais. Só percebi quanto havia perdido quando comecei a me recuperar."

Os centros de recuperação públicos, como o Nepad, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e o Proad, pertencente à Escola Paulista de Medicina, são referências nacionais, mas oferecem um tratamento espartano se comparado ao das clínicas particulares. Baseados em terapias individuais e em grupo, eles funcionam em prédios públicos sem luxo e as atividades de recreação são alguns jogos simples como pingue-pongue. As internações são feitas em hospitais públicos. Hoje, dos 62.000 leitos em hospitais psiquiátricos, 15.000 são destinados aos dependentes químicos e alcoólatras. No ano passado, 85.000 pessoas foram internadas por causa das drogas nos hospitais federais. Na ponta oposta à do sistema público, há fazendas e clínicas com serviço de hotel cinco-estrelas. São casas confortáveis e bonitas, como o Solar do Rio, no Rio de Janeiro, e o Greenwood, em São Paulo, que servem uma culinária bem-cuidada, têm até aulas de equitação e massagem, mas custam em torno de 5.000 reais por mês de internação. São preços proibitivos para a maior parte da classe média brasileira. Mas existem também centros sérios, embora menos luxuosos, cobrando entre 500 reais e 1.000 reais por mês pelo mesmo serviço – ainda que o custo de eventuais medicamentos não esteja incluído no preço final.


Claudio Rossi

"Fui ao fundo do poço"

"Dos 20 aos 30 anos eu só cuidava dos meus filhos. Depois convivi com garotos da rua com quem cheirava. Em 1994, fui ao fundo do poço com o crack. Na última vez que usei, quase tive duas overdoses. Fiquei nove meses em tratamento e percebi que não era culpada pela doença. Já tive vontade de voltar, mas me agarrei às coisas boas que conquistei sem as drogas."
Leila Marcelino, 39 anos, dona de casa paulista. Livre das drogas há três anos


Depois da fase de internação, o paciente continua freqüentando a clínica para praticar esportes, participar de atividades como artesanato ou teatro e para assistir a palestras de ex-dependentes. A terapia individual é diária e costuma durar pelo menos um ano, ao preço de 800 reais por mês nos centros mais caros. Aos poucos, as atividades do ambulatório começam a ser substituídas pelo trabalho, pelos amigos e pela família até que o paciente receba alta. Muitos continuam indo aos encontros em grupo para manter a abstinência. Uma dessas reuniões acontece na última sexta-feira de cada mês na clínica CentroVida, no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Sexta-feira é o dia da semana apelidado pelos viciados de
sexta-cheira e considerado perigoso para recaídas. Lá, eles celebram a abstinência. Sentados em cadeirinhas de bar, no jardim da clínica, sessenta pessoas que acabaram de sair do trabalho ou da escola curtem uma happy hour. Nesse encontro, ao contrário dos bate-papos regados a uísque e cervejinha, são servidos apenas água, refrigerantes e sanduíches. Ninguém reclama. "Permanentemente, a droga é um referencial na minha vida", afirma o tradutor carioca Júlio Laudemir de 39 anos e há oito em abstinência. "Quem disser que perdeu isso está mentindo." Durante quase vinte anos, Laudemir entupiu-se de quantidades estúpidas de cocaína, maconha e álcool. Parou com tudo pouco antes de sua filha nascer. "É maravilhoso estar inteiro", diz.

"Durante a dependência, os viciados se isolam e só pensam na droga. O tratamento resgata os interesses e valores", diz o psiquiatra carioca Jaderson Cahu Filho. O funcionário público Roberto Teixeira, paulistano de 36 anos, continuou a sonhar que estava consumindo cocaína mesmo muito depois de um tratamento que o fez largar a droga há três anos. "Hoje, raramente isso acontece, mas preciso freqüentar um grupo de ajuda", diz Teixeira, que começou a cheirar cocaína aos 28 anos. Tímido, usava a droga para ficar mais sociável. Isso no início. "Depois, virei um problema para minha família, meus amigos e para o meu chefe", afirma. Resolveu se tratar quando, durante uma licença médica de dez dias, chafurdou-se no pó e foi parar no hospital num princípio de overdose. Recebeu um ultimato do chefe e da mulher, que queria deixá-lo definitivamente. "Percebi que acabaria virando um bandido", diz Teixeira. Fora das clínicas há também o Narcóticos Anônimos, NA, grupo de ajuda criado há quase cinqüenta anos nos Estados Unidos. No Brasil, perto de 20.000 pessoas participam de reuniões do NA.


Alexandre Belem/Ag. Lumiar

"Resisti e me libertei"

"Namorava um rapaz que se picava. Usei e gostei. Me picava nos braços, nas pernas, nos seios, no pescoço e na virilha. Só parei durante a gravidez. Um dia, percebi que iria morrer e que deixaria minha filha sozinha. Pedi a Deus que me ajudasse. Prometi que, se vivesse, largaria as drogas. Passei um ano sonhando com elas. Acordava angustiada e chorava. Resisti e, agora, estou livre do tormento há onze anos."
Fernanda Pires, 41 anos, pernambucana


Vacina anticocaína
Encarada como uma fraqueza ou um desvio de comportamento até a década passada, a dependência química atualmente é vista como uma doença. A partir dessa ótica, os avanços da medicina passaram a contribuir também para o desenvolvimento dos tratamentos. Hoje, na primeira consulta, os psiquiatras fazem um mapa neurológico do viciado. Pedem exames, como tomografia e ressonância magnética, que possibilitam saber até onde a droga atingiu o corpo do dependente. "Antes de começar o tratamento, fazemos uma radiografia da cocaína no cérebro da pessoa", diz o psicólogo Evaldo Melo de Oliveira, da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e outras Drogas.

Nos Estados Unidos e até no Brasil, alguns médicos começam a testar os remédios usados para a epilepsia, como o Vigabatrim, no combate à dependência de cocaína. O uso de antidepressivos também está mais freqüente. "Os usuários de cocaína desenvolvem a depressão e é preciso cuidar dela também. Senão, a depressão traz de volta a cocaína, como em um círculo vicioso", diz o psiquiatra paulista Ronaldo Laranjeiras. Em agosto passado, cientistas do Instituto de Pesquisa Scripps, da Califórnia, apresentaram uma vacina que inibe o vício da droga. Ela será testada em seres humanos até o fim deste ano. Desde 1995, a vacina está sendo manipulada em ratos com resultados positivos: reduziu os efeitos da cocaína no sistema nervoso central dos animais em até 77%. Sabe-se que as moléculas da droga são muito pequenas e atingem o cérebro em segundos, sem ser reconhecidas pelo sistema de defesa do corpo. Com a vacina, as moléculas de cocaína são destruídas no meio do caminho. É outra boa notícia num campo que está sendo favorecido com novos recursos a cada dia.

Em sua maioria, os centros brasileiros de recuperação seguem os modelos de tratamento americanos, que partem do princípio da abstinência total. Nos novos tratamentos, há uma tolerância maior em relação à recaída. Sabe-se hoje que 80% dos pacientes sucumbem à tentação pelo menos uma vez, no decorrer de um ano de tratamento. Os médicos especializados afirmam que um ano longe das drogas é o prazo-chave para chamar alguém de ex-viciado. Não é um dado científico. Até porque a possibilidade de uma recaída nunca está totalmente eliminada – e esse é um alerta de todos os médicos que lidam com o problema. Não é incomum um ex-dependente, livre há anos das drogas, se internar em momentos de tentação.


Paulo Jares
Grupo de ex-dependentes
numa clínica carioca:
reuniões para espantar
a tentação da recaída


Antes o que era motivo para o desânimo ou para a desistência do tratamento é encarado agora de outra forma. "A recaída faz parte do processo de recuperação", afirma o psiquiatra Carlos Parada, do centro de recuperação francês Marmottan, o maior da Europa, que atende 100 pacientes por dia. A dona de casa Lya Llerena Guinle, carioca de 39 anos e desde os 22 emendando sua vida em uma seqüência compulsiva de álcool e cocaína, submeteu-se a longo tratamento e conseguiu ficar dois anos "limpa", como se diz na gíria dos dependentes. Em março deste ano, teve uma recaída. Bebeu um copo de uísque. "O problema é que, mais uma vez, tentei levar a vida sozinha", diz Lya. "Afastei-me do grupo e o inferno voltou." A dependência, para os médicos, não está relacionada à periodicidade com que o viciado se droga. Mas, sim, ao quanto ela faz parte da vida da pessoa. Ou seja, o viciado pode até ficar longe da cocaína por uma ou duas semanas. Só que, nesse período, é comum que ele esteja pensando na droga o tempo todo.

Durante os quatro anos em que foi viciada em cocaína, a secretária gaúcha Simone Köhler conseguiu algumas vezes parar de cheirar por períodos de dois ou três meses. Em seguida, vergava-se inapelavelmente à fissura. Numa de suas fases mais deprimentes ficou cinco dias andando sem rumo pelas ruas de Porto Alegre. "No auge de minha euforia quis saltar do alto de um prédio", relembra Simone, de 26 anos e há um longe da cocaína. "Quando o efeito da droga passou, a sensação foi terrível." Resolveu pedir ajuda aos pais e, finalmente, se internou. Durante nove meses permaneceu numa fazenda de recuperação, perto de Porto Alegre. Ainda sente vontade de usar a droga, principalmente quando vai a festas. "Mas penso em tudo de bom que está acontecendo na minha vida agora e vejo que não vale a pena", afirma Simone. Uma ex-dependente como Simone não pode se dar ao luxo de uma escapada sequer. Sabe que o horror pode voltar. Para quem nunca passou pelo fundo do poço das drogas pode parecer que o ex-viciado leva uma vida ainda penosa demais. Afinal, o fantasma do vício nunca deixa de ser uma sombra pavorosa. Mas a sensação do ex-dependente é exatamente a oposta. Ele tem a consciência forte de que está num mundo melhor que o anterior.

Com reportagem de Ronaldo França, do Rio de Janeiro, Juliana De Mari, de São Paulo, Angélica Tasso, do Recife, Rosele Martins, de Porto Alegre, e Adriana Setti, de Salvador