Edição 1 625 - 24/11/1999

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Longe do Sol

Cientistas encontram prova visual
de um planeta distante

 

Anderson Marçal
Representação da passagem
do planeta pela estrela: órbita
dura
três dias


A descoberta de planetas fora do sistema solar sempre rendeu polêmicas. Isso porque, como é impossível visualizá-los, só podiam ser localizados com cálculos baseados na atração gravitacional das estrelas sobre corpos próximos – um método que muitos astrônomos viam como pouco apurado. Na semana passada, finalmente, cientistas viram um planeta numa estrela distante. Ou, pelo menos, captaram sua sombra. Os pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, fizeram isso registrando um eclipse sobre a estrela HD 209458, um astro semelhante ao Sol a 153 anos-luz de distância da Terra. É uma descoberta fantástica por duas razões. A primeira, óbvia, é a comprovação incontestável da existência de um planeta fora do sistema solar. As perspectivas que se abrem são enormes, incluindo a possibilidade de vida extraterrestre e de migração espacial do ser humano. A segunda é pôr ponto final à discussão acadêmica sobre a metodologia de detectar planetas. O recém-descoberto já havia sido localizado dois dias antes pelo método antigo.

Para comprovar a existência do novo corpo celeste, a equipe de Berkeley valeu-se de medições da irradiação luminosa da estrela. Com um telescópio, constatou-se que a luz da estrela foi reduzida em 1,7%, como se um obstáculo se tivesse interposto entre a Terra e a HD 209458. Era o planeta. Já se sabe que ele tem uma órbita de três dias e raio 60% maior que o de Júpiter, o gigante do sistema solar. Antes, os astrônomos se baseavam principalmente no estudo do movimento das estrelas. Foi assim que catalogaram pelo menos duas dezenas de novos corpos extra-solares.

Da mesma forma que exerce atração gravitacional, a estrela também é atraída pelos planetas ao seu redor. O astro sofre um pequeno deslocamento detectado na forma de variação luminosa. A principal crítica a esse método indireto era que a oscilação observada a distância poderia ser uma variação natural da estrela. Parte do descrédito desse tipo de recurso usado na astronomia se deveu a uma barbeiragem matemática protagonizada por pesquisadores da Universidade de Manchester em 1991. Eles anunciaram com toda a pompa a descoberta de um planeta orbitando um pulsar. Na verdade, foi apenas um erro nas contas que identificou um corpo celeste onde não existia nada.