A descoberta
de planetas fora do sistema solar sempre rendeu polêmicas.
Isso porque, como é impossível visualizá-los,
só podiam ser
localizados com cálculos baseados na atração
gravitacional das estrelas sobre corpos próximos
um método que muitos astrônomos
viam como pouco apurado. Na semana passada, finalmente,
cientistas viram um planeta numa estrela distante. Ou,
pelo menos, captaram sua sombra. Os pesquisadores da
Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, fizeram
isso registrando um eclipse sobre a estrela HD 209458,
um astro semelhante ao Sol a 153 anos-luz de distância
da Terra. É uma descoberta fantástica
por duas razões. A primeira, óbvia, é
a comprovação incontestável da
existência de um planeta fora do sistema solar.
As perspectivas que se abrem são enormes, incluindo
a possibilidade de vida extraterrestre e de migração
espacial do ser humano. A segunda é pôr
ponto final à discussão acadêmica
sobre a metodologia de detectar planetas. O recém-descoberto
já havia sido localizado dois dias antes pelo
método antigo.
Para
comprovar a existência do novo corpo celeste,
a equipe de Berkeley valeu-se de medições
da irradiação luminosa da estrela. Com
um telescópio, constatou-se que a luz da estrela
foi reduzida em 1,7%, como se um obstáculo se
tivesse interposto entre a Terra e a HD 209458. Era
o planeta. Já se sabe que ele tem uma órbita
de três dias e raio 60% maior que o de Júpiter,
o gigante do sistema solar. Antes, os astrônomos
se baseavam principalmente no estudo do movimento das
estrelas. Foi assim que catalogaram pelo menos duas
dezenas de novos corpos extra-solares.
Da mesma
forma que exerce atração gravitacional,
a estrela também é atraída pelos
planetas ao seu redor. O astro sofre um pequeno deslocamento
detectado na forma de variação luminosa.
A principal crítica a esse método indireto
era que a oscilação observada a distância
poderia ser uma variação natural da estrela.
Parte do descrédito desse tipo de recurso usado
na astronomia se deveu a uma barbeiragem matemática
protagonizada por pesquisadores da Universidade de Manchester
em 1991. Eles anunciaram com toda a pompa a descoberta
de um planeta orbitando um pulsar. Na verdade, foi apenas
um erro nas contas que identificou um corpo celeste
onde não existia nada.