Poucas
experiências científicas tiveram tanta
repercussão nas últimas décadas
quanto o nascimento da ovelha "Dolly". Foi a primeira
vez que os cientistas conseguiram clonar um mamífero
a partir das células de um adulto. Três
anos depois, um animal brasileiro está prestes
a passar pela mesma experiência. A versão
tupiniquim de Dolly é uma novilha da raça
Limousin, chama-se Húrsola, acaba de completar
um 1 ano de idade e é filha de pais franceses.
Foi escolhida por ser um dos melhores exemplares da
raça e o de maior valor no Brasil. Seus donos
pagaram 210.000
reais por ela há dois meses. No início
do próximo ano, um pedaço do tecido da
orelha de Húrsola será enviado para um
laboratório na cidade de De Forest, em Wisconsin,
nos Estados Unidos. Se tudo sair como planejado, nove
meses depois estará nascendo uma bezerrinha com
exatamente o mesmo código genético de
Húrsola. Os cientistas vão retirar das
células da orelha da vaca brasileira o DNA necessário
para a experiência. Depois o implantarão
no óvulo de outro animal e transferirão
o embrião recém-formado para uma barriga
de aluguel. O processo só depende da autorização
do Ministério da Agricultura. "Húrsola
é perfeita", diz Wilson Brochmann, um de seus
proprietários. "Cloná-la é o único
meio que pode nos dar um animal tão excepcional
quanto ela."
Embora
Húrsola seja brasileiríssima e viva
numa fazenda no Paraná, a clonagem será
toda feita nos Estados Unidos pela empresa americana
ABS Global. A experiência só se tornou
possível graças ao ritmo de corrida
comercial em que se estão transformando as
pesquisas genéticas. Companhias de países
como Estados Unidos, Japão e Canadá
estão se esforçando para transformar
experimentos de laboratório em negócio
lucrativo. Atualmente, ainda não há
ninguém no mundo que esteja ganhando dinheiro
com clonagem. Mas as perspectivas são animadoras.
Os cientistas já conseguiram clonar bovinos,
ovelhas e ratos. Sob a perspectiva comercial, os bovinos
são os mais promissores. A ABS gastou 50 milhões
de dólares nos últimos dez anos para
desenvolver e patentear sua técnica. Desde
1997, já clonou quase cinqüenta bovinos
para aprimorar o procedimento. Húrsola é
mais um passo. A empresa espera faturar alto vendendo
rebanhos inteiros formados apenas pela melhor vaca
daqui a cinco anos. É o tempo necessário
para os clones crescerem, desenvolverem-se e mostrarem
que são absolutamente normais.