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Sucesso no cinema
O
filme dos Pokémons estréia e
arrasa nas telas dos Estados Unidos.
Será
que isso é bom para as crianças?
Aida Veiga
Pikachu Projects
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Pokémon,
o filme:
estréia
no Brasil
antecipada
para janeiro
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"Vou pegar todos vocês", é o lema de um dos bonequinhos
Pokémons, última febre de consumo entre as crianças.
Dito e feito. Com um ano de vida nos Estados Unidos e pouco
menos no Brasil, a turma do Pokémon, a invenção
japonesa que começou como videogame, passou para desenho
animado de televisão e hoje também é
boneco, chaveiro e filme, pegou mesmo todo mundo. No último
dia 10, plena quarta-feira, quando Pokémon,
The First Movie
(filme
lançado no Japão há mais de um ano) estreou
nos Estados Unidos, faturou 10 milhões de dólares.
Ao fim da primeira semana, os cinemas haviam arrecadado 56
milhões de dólares com 20 milhões de
espectadores, a maior bilheteria de um filme infantil e a
quinta de toda a história do cinema em sete dias de
exibição.

Quando novidades
explodem no mundo infantil com essa força de tufão
que arrasta tudo, os pais começam a ser assediados
pelos filhos para ver o desenho na TV, comprar figurinhas
e enfeitar o quarto inteiro com os bonecos que habitam
sua imaginação. Torna-se tão forte
a fixação infantil, como está acontecendo
agora, que os adultos logo retornam à velha dúvida
a respeito dos eventuais malefícios daquilo que
a indústria do entretenimento mostra a suas crianças.
Esse temor, em boa parte, é provocado pela exibição
do desenho na televisão, veículo que é
objeto de desconfiança por parte de pais e professores
em função de todo o discurso vigente contra
a violência na TV e o excesso de tempo dispensado
pelas crianças diante da programação
infantil das emissoras.
Afinal,
a fixação pelos Pokémons faz mal às
crianças? Na capa que dedicou ao assunto na semana
passada, a revista Time
coloca a pergunta que tem angustiado os pais americanos, preocupadíssimos,
nestes tempos de alta violência infantil e adolescente,
com o que os filhos vêem na TV. No caso de Pokémon,
a questão tem mais razão de ser porque, em 1997,
um episódio do desenho animado efetivamente fez com
que 600 meninos e meninas baixassem em hospitais, no Japão,
com convulsões e falta de ar depois de assistir a uma
cena com grande profusão de luzes e efeitos especiais.
O desenho foi remodelado, com menos efeitos e mais história,
e a obsessão com os monstrinhos cresce sem parar, apesar
ou por causa de suas características
especiais. No enredo de Pokémon não há
exatamente mocinhos e bandidos, só monstros mais ou
menos adestrados e uma rivalidade entre treinadores. Ao contrário
de desenhos japoneses que em outras épocas também
viraram a cabeça da criançada (veja
quadro ao lado),
ninguém está defendendo a terra de invasores,
como os barulhentos Power Rangers, nem combatendo o crime,
como as engraçadas Tartarugas Ninja, ou brigando sem
parar, como os violentos Cavaleiros do Zodíaco. Além
disso, os Pokémons não morrem, só desmaiam,
para alívio dos pais que tiveram de consolar pimpolhos
nas seguidas mortes (e ressuscitamentos) do Tamagochi, o antecessor
do Pokémon no departamento de bonequinhos-fenômeno.

Produtos à
mão
Os especialistas ouvidos pela Time
acham que o desenho não traz maiores prejuízos
às crianças e até ressaltam que, aos
6 ou 7 anos, elas têm um desejo natural de controle
da situação que o jogo supre, sem necessidade
de interferência dos pais. O problema maior, segundo
eles, está mesmo no estímulo excessivo ao
consumo. "Trocar figurinhas favorece a socialização,
mas também pode levar a um comportamento obsessivo",
analisa Maressa Orzack, fundadora do Serviço de Viciados
em Computador do McLean Hospital. Isabel Kahn Marin, professora
de psicologia da Pontifícia Universidade Católica,
PUC, de São Paulo, aponta outro risco: "O desenho
reforça uma idéia de onipotência, já
que o garoto quer e pode domar todos os bichinhos e ser
o maior treinador do mundo". O tipo de comportamento que
às vezes resulta dessa onipotência virtual
incomoda até outras crianças. "Tem gente achando
que vai ser o maior do mundo só por causa do jogo",
comenta o estudante paulista André Vinícius
Menegasso, 14 anos, aluno da 8ª série, que gosta
de ver o desenho e jogar com os irmãos Felipe, 8,
e Igor, 3. "É demais." Mesmo levando muito a sério
a brincadeira, ou comprando sem parar, o comportamento das
crianças pokemaníacas é normalíssimo
para a idade. Cabe aos pais controlar exageros para evitar
futura dor de cabeça e rombos na conta bancária.

Fotos Ricardo Benichio
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André,
Felipe e
Igor: o jogo é
bom, mas tem
quem exagere
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A febre dos Pokémons
não é mais intensa nem mais contagiosa do que
epidemias semelhantes no passado. A diferença está,
isso sim, no marketing da turminha. "Quando um desenho ou
um bonequinho virava mania, a indústria demorava um
tempo para produzir tudo o que poderia vender relacionado
a ele", explica Luciana Kikuchi, gerente de marketing no Brasil
da Warner Bros., a distribuidora do filme. "Desta vez, como
tudo já havia sido lançado no Japão,
os produtos estavam à mão e foram chegando na
hora certa". Ao desembarcarem no Ocidente, tanto os 151 Pokémons
(pocket monsters,
ou monstros de bolso em inglês de japonês) quanto
a pilha de produtos que inspiraram já existiam há
dois anos no Japão, onde foram testados, burilados
e aprontados para o consumo. Só
faltava caírem no gosto da criançada deste lado
do mundo, e caíram. No Brasil, por exemplo, o lançamento
do filme estava previsto para abril do ano 2000. Mas alegrem-se,
pokemaníacos: tamanha mostrou ser a devoção
dos pequenos brasileiros ao brinquedo japonês que a
estréia foi antecipada para a primeira semana de janeiro.
Além de cativar as crianças (e muitos adultos
também), Pokémon vem sendo um negocião
para as empresas que exploram os personagens. A Warner investiu
10 milhões de dólares, entre pagamentos de direitos
autorais, dublagem e produção de uma trilha
sonora para o filme nos Estados Unidos, e recuperou tudo com
lucro no primeiro dia de exibição. A marca Pokémon
deverá faturar 6 bilhões de dólares em
todo o mundo (50 milhões no Brasil), só neste
ano. Boa parte vai para a Nintendo, detentora de seus direitos.
Tudo
em falta A
popularidade dos monstrinhos Pokémons não
pára de crescer desde 1996, quando o jogo da Nintendo
foi lançado no Japão exclusivamente para Game
Boy, o então ultrapassado videogame de mão
que os monstrinhos livraram da aposentadoria. O jogo se
passa num lugar habitado por Pokémons e humanos.
Cada um dos 151 monstrinhos da série tem nome, vive
em estado "selvagem" e deve ser adestrado por um treinador.
Ash, o treinador principal, anda sempre com Pikachu, monstrinho
amarelo de bochechas rosadas, capaz de emitir raios que
"nocauteiam" seres iguais a ele. Sim, porque Pokémon
que é Pokémon não mata nem fere
só tira o rival de circulação. Quando
consegue tal proeza, cada um por meio de sua habilidade
própria (música, jato de água, raio),
diz-se que ele "evoluiu", ou seja, ficou mais experiente
e poderoso. Ash e seus amigos querem domar e adestrar todos
os Pokémons que encontram pela frente. O mote da
brincadeira é ser "o maior treinador de Pokémons
do mundo".
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Camila e Caio: monstrinhos na
decoração e na lembrança do aniversário
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Jogar Pokémon
significa ter o Game Boy de preferência, daqueles
feitos especialmente para aficionados. Mas fã de
verdade não fica por aí. No Brasil, ele assiste
todo dia ao desenho animado, no programa Eliana
& Alegria
da TV Record, de manhã, e no Cartoon Network, à
tarde e à noite. Quer que a mochila, o boné,
a agenda e o jogo de cartas sejam decorados com Pokémons,
empilhando no quarto produtos importados ou pirateados,
já que nada disso ainda é feito aqui. Monta
o álbum de figurinhas, compra as revistinhas e coleciona
os bonecos de pelúcia e chaveirinhos todos
feitos, sim, no Brasil, mas em falta devido à enorme
procura (veja quadro
acima).
O bolso dos pais padece."Eles
não param de pedir", diz a bancária paulistana
Sangia Alves, mãe de Camila, 9 anos, e Caio, 4. A
pokemania é tão forte na casa dos Alves que,
mesmo diante da escassez de material, ela decorou a festa
de aniversário dos filhos só com os monstrinhos.
Para satisfação
geral dos convidados, deu chaveirinhos Pokémon de
lembrança.
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