Edição 1881 . 24 de novembro de 2004

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Memória fora do ar

Mais uma novela das 8 que trata
de problemas de saúde. Desta vez,
é a doença de Alzheimer


Ricardo Valladares

Divulgação
Glória, como a baronesa Laura: experiência em papéis de doentes


A baronesa Laura, personagem de Glória Menezes em Senhora do Destino, sempre foi meio avoada. Mas nas últimas semanas seu comportamento tornou-se verdadeiramente estranho. Volta e meia ela esquece nomes. Às vezes, fica desorientada no tempo e no espaço. Certo dia, imaginou-se num hotel em Cannes – e estava em seu quarto, no Rio de Janeiro. Numa cena que ainda irá ao ar, a baronesa reunirá suas jóias e sairá para um passeio pelo centro do Rio de Janeiro, como se estivesse na metrópole pacata de décadas atrás. Logo virá à tona o seu drama: a personagem sofre da doença de Alzheimer, que aflige 20 milhões de pessoas no planeta, cerca de 1 milhão delas no Brasil. É a primeira vez que o assunto é abordado numa novela.

Vem de longe a tradição de explorar doenças em novelas – o recurso costuma render bons índices de audiência. A primeira que tratou disso foi O Preço de uma Vida, exibida pela TV Tupi em 1965. Uma personagem representada por Nívea Maria tinha uma doença fatal nunca revelada. Mas a experiência mostra que esse recurso deve ser usado com parcimônia. Sua carga dramática atrai o espectador, mas pode também deprimi-lo. Foi o caso de Os Gigantes, trama do fim dos anos 70 que falava tanto de doenças que afugentou a audiência. Entre os noveleiros atuais, há a tendência de usar o tema como mote para campanhas politicamente corretas. Glória Perez já abordou o alcoolismo, as drogas e os transplantes de coração. Manoel Carlos obteve grande repercussão ao tratar da leucemia em Laços de Família (2000). Silva, que sempre torceu o nariz para esse tipo de "merchandising do bem", afirma que resolveu falar da doença de Alzheimer porque perdeu um amigo com ela. "É preciso alertar as pessoas, pois o Alzheimer costuma ser detectado apenas num estágio muito avançado", diz.

Glória Menezes tem know-how para viver a doente. A atriz encarou seu primeiro papel do gênero em Irmãos Coragem (1970), como uma esquizofrênica que se dividia entre a frágil Lara e a liberada Diana. O problema foi resolvido pela autora, Janete Clair, com uma cirurgia. Na época, curiosamente, Glória – que já era casada com o galã Tarcísio Meira – teve um grave problema de saúde. "Quase morri com meningite. Enquanto me recuperava, Tarcísio recitava minhas falas para eu decorar", diz ela. Mais recentemente, a atriz representou uma paciente com câncer numa peça teatral. Agora, Glória pretende passar uma lição de vida aos espectadores. Daqui a três semanas, Laura iniciará um tratamento que reduzirá seu sofrimento. "Segundo os médicos, o paciente pode retardar o desenvolvimento do Alzheimer se estimular seu cérebro", diz ela.


 

 
 
 
 
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