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Cinema
Gente como eles
Os ricos que nem diante de
um seqüestro perdem a pose

Isabela Boscov
Divulgação
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| Redford e Dafoe: de um rapto ao que há
de mais secreto nos personagens |
Wayne (Robert Redford) deixa sua mulher, Eileen (Helen Mirren),
à beira da piscina e sai para o trabalho do qual ele obviamente
não precisa mais. No portão, é raptado por
um ex-funcionário (Willem Dafoe). Por um instante, talvez,
a situação pudesse ter sido revertida, mas Wayne,
que nunca se esquece de um nome nem de um rosto, não se lembrou
do homem. Esse duelo entre privilégio e insignificância,
que vai se desenrolar durante a caminhada dos dois por uma mata,
é, contudo, apenas uma parte de Refém de uma
Vida (The Clearing, Estados Unidos/Alemanha, 2004),
em cartaz a partir de sexta-feira. A outra está na conduta
da mulher diante do que inicialmente ela imagina ser um caso de
abandono. Herdeira daquela linhagem de matriarcas glaciais que o
próprio Redford retratou em Gente como a Gente, dirigido
por ele, Eileen não apenas sobrevive à presença
da polícia em sua casa e às revelações
sobre a infidelidade do marido: ela se reconstrói sobre essa
ausência que, na prática, já fazia parte de
sua vida doméstica. A instigante estréia na direção
do produtor holandês Pieter Jan Brugge se irmana assim com
o excelente Sob a Areia, de François Ozon, também
sobre uma mulher às voltas com o sumiço do marido:
parte daquilo que é conhecido e familiar o filme de
suspense para chegar ao que há de mais secreto em
seus personagens.
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