Edição 1881 . 24 de novembro de 2004

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Divertimento
Vai uma partida?

Mais atraentes e inteligentes,
os jogos de tabuleiro se renovam
para encarar o videogame


Sandra Brasil


Claudio Rossi
Divulgação
Miyaji, Onça e Gibrin, inventores de A Ilha de Waka Waka (à dir.): primeiro prêmio em concurso na França

Até o nome – jogo de tabuleiro – soa como coisa do passado. Quem se lembra do tempo do Banco Imobiliário? Do War? A resposta é: muita gente. Em plena era do computador, não só os jogos de mesa continuam populares como propiciam uma peculiar atividade profissional, a dos criadores de novos jogos. No mês passado, três paulistas conquistaram na França o primeiro prêmio (dividido com outros três times de inventores, todos franceses) do concurso da Ludoteca de Paris, tradicional competição anual do setor, com seu jogo A Ilha de Waka Waka. Ao todo, 200 jogos participaram da competição. "Foi como se a Venezuela ganhasse a Copa do Mundo. Ninguém esperava esse tipo de vitória de brasileiro", comemora Fabiano Onça, 30 anos, que levou o prêmio junto com os ex-colegas de faculdade Maurício Miyaji, 32, e Mauricio Gibrin, 31.

Fanáticos desde criança por brinquedos do gênero, os três viraram profissionais. Há um ano ganham a vida criando jogos de tabuleiro e já têm três títulos à venda, todos para o público infantil: Bob Esponja – o Sanduíche Maluco, O Laboratório do Dr. Lógica e Passeando no Zôo. "Esperamos que essa premiação abra portas tanto para vendermos os nossos produtos lá fora como para a vinda dos jogos de tabuleiro de segunda geração para o Brasil", diz Gibrin. Segundo ele, A Ilha de Waka Waka (um experimento exótico: até seis jogadores precisam defender os seguidores de seis deuses da mitologia havaiana) se encaixa na novíssima família de brinquedos para adultos surgida na Europa em meados dos anos 90, que se diferencia pelo visual sofisticado, regras bem formuladas, partidas rápidas e muita troca de idéias entre os participantes.

Atropelado na década de 80 pelo videogame e, depois, pelos jogos de computador, o mercado dos jogos de tabuleiro começou a reagir em 2003, quando as vendas voltaram a representar 8% do total do setor de brinquedos, que movimenta 2,5 bilhões de reais por ano. "Os jogos de tabuleiro viraram uma ferramenta da sociabilização, um contraponto aos solitários jogos de computador", diz Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela. Um dos mais populares no Brasil (250.000 unidades por ano) e no mundo (250 milhões de unidades até hoje) é o antiqüíssimo Banco Imobiliário, ou Monopoly, lançado em 1935. Outro clássico nacional (mais de 1,5 milhão de unidades vendidas) é o War, lançado em 1972 e turbinado em 1981 no War II, este criação do decano do ramo: o publicitário Mário Seabra, 73 anos, inventor, pelas próprias contas, de mais de 1.300 jogos. "Quando apareceu o cinema, diziam que o teatro ia acabar. Quando apareceu a televisão, diziam que o cinema ia acabar. Quando surgiu o computador, os jogos de tabuleiros ficaram ameaçados, mas voltaram renovados. Pode ter certeza: existe mercado para tudo", garante Seabra.

 
 
 
 
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