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Divertimento
Vai uma partida?
Mais atraentes e inteligentes,
os jogos de tabuleiro se renovam
para encarar o videogame

Sandra Brasil
Claudio Rossi
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Divulgação
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| Miyaji, Onça e Gibrin,
inventores de A Ilha de Waka Waka (à dir.): primeiro
prêmio em concurso na França |
Até o nome jogo de tabuleiro
soa como coisa do passado. Quem se lembra do tempo do Banco
Imobiliário? Do War? A resposta é: muita
gente. Em plena era do computador, não só os jogos
de mesa continuam populares como propiciam uma peculiar atividade
profissional, a dos criadores de novos jogos. No mês passado,
três paulistas conquistaram na França o primeiro prêmio
(dividido com outros três times de inventores, todos franceses)
do concurso da Ludoteca de Paris, tradicional competição
anual do setor, com seu jogo A Ilha de Waka Waka. Ao todo,
200 jogos participaram da competição. "Foi como se
a Venezuela ganhasse a Copa do Mundo. Ninguém esperava esse
tipo de vitória de brasileiro", comemora Fabiano Onça,
30 anos, que levou o prêmio junto com os ex-colegas de faculdade
Maurício Miyaji, 32, e Mauricio Gibrin, 31.
Fanáticos desde criança por
brinquedos do gênero, os três viraram profissionais.
Há um ano ganham a vida criando jogos de tabuleiro e já
têm três títulos à venda, todos para o
público infantil: Bob Esponja o Sanduíche
Maluco, O Laboratório do Dr. Lógica e Passeando
no Zôo. "Esperamos que essa premiação abra
portas tanto para vendermos os nossos produtos lá fora como
para a vinda dos jogos de tabuleiro de segunda geração
para o Brasil", diz Gibrin. Segundo ele, A Ilha de Waka Waka
(um experimento exótico: até seis jogadores precisam
defender os seguidores de seis deuses da mitologia havaiana) se
encaixa na novíssima família de brinquedos para adultos
surgida na Europa em meados dos anos 90, que se diferencia pelo
visual sofisticado, regras bem formuladas, partidas rápidas
e muita troca de idéias entre os participantes.
Atropelado
na década de 80 pelo videogame e, depois, pelos jogos de
computador, o mercado dos jogos de tabuleiro começou a reagir
em 2003, quando as vendas voltaram a representar 8% do total do
setor de brinquedos, que movimenta 2,5 bilhões de reais por
ano. "Os jogos de tabuleiro viraram uma ferramenta da sociabilização,
um contraponto aos solitários jogos de computador", diz Aires
Fernandes, diretor de marketing da Estrela. Um dos mais populares
no Brasil (250.000 unidades por ano)
e no mundo (250 milhões de unidades até hoje) é
o antiqüíssimo Banco Imobiliário, ou Monopoly,
lançado em 1935. Outro clássico nacional (mais de
1,5 milhão de unidades vendidas) é o War, lançado
em 1972 e turbinado em 1981 no War II, este criação
do decano do ramo: o publicitário Mário Seabra, 73
anos, inventor, pelas próprias contas, de mais de 1.300
jogos. "Quando apareceu o cinema, diziam que o teatro ia acabar.
Quando apareceu a televisão, diziam que o cinema ia acabar.
Quando surgiu o computador, os jogos de tabuleiros ficaram ameaçados,
mas voltaram renovados. Pode ter certeza: existe mercado para tudo",
garante Seabra.
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