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Oriente Médio
Onde está o dinheiro?
Palestinos querem saber do paradeiro
da fortuna de Yasser Arafat

José Eduardo Barella
AP
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| Suha Arafat: disputa com líderes palestinos
pelo espólio do marido |
De todos os segredos que Yasser Arafat levou
para o túmulo, os palestinos só querem saber de dois
o tamanho de seu império financeiro e quais os códigos
que dão acesso ao dinheiro. As estimativas da fortuna pessoal
do líder palestino variam de 300 milhões a 5 bilhões
de dólares, mas é provável que o valor exato
jamais seja conhecido. Arafat administrava os recursos das instituições
palestinas como se fossem seus, e nunca confiou em ninguém.
Por quatro décadas, ele controlou pessoalmente o fluxo de
dinheiro doado para a causa palestina, depositando somas milionárias
em contas abertas em seu nome ou de assessores próximos.
O montante entrava e saía sem registros formais. A movimentação
era de conhecimento dos demais dirigentes palestinos, mas apenas
Arafat sabia onde cada centavo estava aplicado. Uma auditoria do
Fundo Monetário Internacional descobriu que, entre 1994 e
2003, Arafat desviou 900 milhões de dólares dos cofres
da Autoridade Palestina (AP) para investir no exterior. Boa parte
do dinheiro foi devolvida no ano passado e colocada em um fundo
sob supervisão internacional.
O
espólio de Arafat que precisa ser encontrado se refere ao
dinheiro da Organização para a Libertação
da Palestina (OLP) e de outras entidades palestinas, recursos que
ele continuou movimentando em seu nome. "Esse dinheiro pertence
ao povo palestino", diz Hassan Khreisheh, presidente do Parlamento
palestino, que exige uma investigação completa. A
CIA, o serviço secreto americano, estima que o montante possa
chegar a 1,5 bilhão de dólares. O império financeiro
que Arafat criou inclui aplicações em fundos de investimentos,
participações acionárias em companhias telefônicas
e fábricas no mundo árabe, além de rede de
hotéis na Europa. Há outros milhões em nome
de laranjas ou depositados em contas secretas que dificilmente serão
recuperados. Algumas pistas já surgiram. Em 2002 e 2003,
11,5 milhões de dólares foram transferidos de um banco
suíço para a conta de Suha, esposa de Arafat, em Paris.
A viúva já avisou aos caciques palestinos que não
abrirá mão do que tem direito, ou seja, o dinheiro
em nome de Arafat. O governo palestino já cortou pela metade
a mesada de 100.000 dólares que
ela e a filha, Zahwa, de 9 anos, recebem.
As doações internacionais para
a OLP giravam em torno de 200.milhões
de dólares anuais até a Guerra do Golfo, em 1991.
Então, a fonte secou. O maior doador, a Arábia Saudita,
cortou a verba para punir Arafat por ter apoiado Saddam Hussein.
A ajuda internacional cresceu novamente depois dos acordos de Oslo,
em 1993, que criaram o governo semi-autônomo da Autoridade
Palestina nos territórios ocupados. A ironia é que
o líder palestino levou uma vida austera. Sua estratégia
era usar o dinheiro como instrumento de poder. Ele financiava dúzias
de organizações políticas e mantinha uma política
de troca de favores. Os manda-chuvas próximos a Arafat têm
o monopólio de vários serviços essenciais,
como a venda de cimento, a distribuição de gasolina
e o serviço de telefonia fixa. Uma certeza é que,
apesar de a maioria dos palestinos viver na miséria, seus
dirigentes estão milionários.
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