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Internacional
A mulher mais poderosa
do mundo
Condoleezza
Rice, a ideóloga da
guerra preventiva, é indicada para
o cargo de secretária de Estado

Diogo Schelp
AP
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ASSESSORA E AMIGA
Rice e Bush no anúncio da nomeação dela:
fins de semana com a família Bush |
Condoleezza
Rice, indicada secretária de Estado na semana passada pelo
presidente George W. Bush, tem doçura só no nome.
Condoleezza é uma corruptela da expressão musical
con dolcezza "com doçura", em italiano. Rice
é mais conhecida pelo caráter implacável, disciplinado
e pouco afeito a sentimentalismo. Como secretária de Estado,
ela poderá fazer abertamente o que, de muitas formas, fazia
nos bastidores: dar as cartas na política externa americana.
A importância do cargo e a influência que Rice exerce
sobre Bush algo que seu antecessor, Colin Powell, nunca conseguiu
fazem dela a mulher mais poderosa do mundo. Sua visão
de política externa é mais agressiva que a de Powell
e coincide quase que integralmente com o que pensa e quer Bush.
Ela é uma das mentoras do princípio de guerra preventiva,
adotado por Bush para ordenar a invasão do Iraque em março
de 2003. Por essa doutrina, os Estados Unidos se consideram no direito
de atacar qualquer país que possa representar uma ameaça
no futuro, sem necessidade de buscar a aprovação da
comunidade internacional. Powell defendia que uma guerra deve ser
feita com o máximo de apoio internacional. É uma das
razões para ele ter sido um estranho no ninho de falcões
do governo americano, dominado por neoconservadores como o vice-presidente,
Dick Cheney, e o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld. Seu
afastamento era esperado desde que o presidente decidiu invadir
o Iraque sem consultá-lo. Em seu livro Plano de Ataque,
o jornalista americano Bob Woodward escreveu que a única
pessoa a quem Bush pediu opinião sobre o assunto foi a sua
assessora de Segurança Nacional ou seja, Condoleezza
Rice.
Para o
resto do mundo, há uma vantagem e duas desvantagens na indicação
de Rice, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado. O lado positivo
é que, nas negociações diplomáticas
com a secretária de Estado, os líderes mundiais saberão
que o que ela disser representará a visão e o desejo
do presidente dos Estados Unidos. Com Powell não era bem
assim. Qualquer chefe de Estado sabia que ele e Bush tinham opiniões
divergentes, e isso causava insegurança diplomática.
Os pontos negativos estão relacionados ao currículo
de Rice. Ela não tem experiência na diplomacia. Toda
a sua carreira foi como cientista política e professora universitária.
"Ela me explica a política externa de uma maneira que eu
consigo entender", disse certa vez Bush. No governo ela não
se mostrou capaz de transformar suas análises teóricas
em ações de sucesso. Entre outras falhas, é
acusada de ter recebido e ignorado, um mês antes dos atentados
de 11 de setembro de 2001, um relatório do serviço
secreto intitulado "Bin Laden determinado a atacar dentro dos Estados
Unidos".
A postura
radical em relação à diplomacia já era
acentuada na época em que Rice foi professora e reitora da
Universidade Stanford. "Certa vez, assisti a um debate em Stanford
em que ela disse que qualquer país que fosse contra os interesses
americanos seria considerado inimigo", conta o advogado Osvaldo
Agripino, de Florianópolis, que foi professor visitante de
direito internacional na universidade americana. "Rice será
uma servidora leal dos planos e da visão de mundo de Bush,
e isso não é um bom sinal para quem esperava uma abordagem
mais suave para a diplomacia americana", escreveu em editorial o
jornal The New York Times, crítico contumaz do governo
republicano.
Rice usufrui,
mais do que Rumsfeld ou Cheney, de uma mercadoria preciosa em Washington:
o tempo do presidente. Com 50 anos, a nova secretária de
Estado nunca se casou e não tem filhos. Ela passa com freqüência
o fim de semana com a família Bush e costuma assistir com
o presidente a partidas de futebol americano pela TV. Especialista
em União Soviética, Rice foi assessora do governo
de Bush pai entre 1989 e 1991, período que marcou o desmonte
do comunismo no Leste Europeu. Filha de professores universitários
emigrados da Jamaica, Rice nasceu no Alabama em uma época
de forte segregação racial. Entrou na universidade
aos 15 anos, para estudar piano clássico. Josef Korbel, professor
de política internacional, a fez mudar de curso. Korbel era
pai de Madeleine Albright, que no governo de Bill Clinton foi a
primeira mulher a ocupar a secretaria de Estado.
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