Edição 1881 . 24 de novembro de 2004

Índice
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Moda
Estilo presidencial

Ivan Aguilar, o capixaba que faz ternos
para Lula e vestidos para Marisa


Lauro Jardim


Fabiana Gomes
Aguilar tira medidas de Lula: quinze ternos e dez camisas


Que Ricardo Almeida e Walter Rodrigues que nada. O estilista que está fazendo a cabeça (e o figurino, claro) do casal Luiz Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia não é um nome badalado, como Almeida e Rodrigues. Quem desenhou os tailleurs que Marisa usou em suas viagens ao Haiti, China e Filipinas e os ternos escuros que Lula anda envergando no dia-a-dia foi Ivan Aguilar. Ele é o sorridente capixaba que aparece na foto ao lado tirando as medidas do presidente. Aguilar já fez quinze ternos, dez camisas sociais e "um monte" de gravatas para Lula. Para a primeira-dama, desenhou 27 tailleurs. Desde setembro de 2003, Aguilar cria roupas para o casal, mas sempre à sombra dos estilistas consagrados que seguem produzindo para Lula e Marisa. Walter Rodrigues permanece como o estilista preferido da primeira-dama para seus trajes de gala. Assim como Ricardo Almeida continua sendo o responsável pelos ternos presidenciais mais elegantes.

Lula conheceu Aguilar no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, durante a campanha de 2002. O estilista estava na sala de embarque, quando Lula, acompanhado de José Dirceu e José Graziano, se sentou a seu lado. Esperto, ele não desperdiçou a sorte. Sacou lápis e papel, desenhou o futuro presidente de terno, envergando a faixa presidencial, e presenteou o petista. Lula gostou e pediu que ele escrevesse seu nome e telefone no papel. Pouco antes da posse, a então personal stylist de Lula, Nazaré Amaral, contratada pelo publicitário Duda Mendonça, chegou a ligar para Aguilar. Mas ele foi descartado de saída. "Ela deixou claro que havia me chamado por obrigação", conta Aguilar. "No fundo, me achava um estilistazinho do Espírito Santo." Em meados do ano passado, no entanto, graças a um empurrãozinho dado pelo senador capixaba Magno Malta, para quem faz ternos, Aguilar foi convidado por Lula para ir ao Palácio da Alvorada. Naquela mesma noite, tirou as medidas do presidente para uma primeira leva de ternos. "Ele me disse que durante a campanha fazia tudo o que Duda Mendonça mandava, mas que dali em diante escolheria as próprias roupas", diz. Em setembro de 2003 foi ao Planalto entregar as peças a Lula. O presidente agradeceu e disse que iria experimentá-las depois do expediente. "Ah, não vai, não, Lula! Vai provar agora. Não tive esse trabalhão todo para não ver o resultado", disse o espevitado Aguilar. (Sim, o estilista chama o presidente pelo nome. Também age assim com a primeira-dama). Lula cedeu – mas vestiu apenas os paletós.

Aguilar, 41 anos, casado e pai de dois filhos, deu os primeiros passos no corte e costura com a mãe, costureira, a quem ajudava quando era criança. Em Vitória, é dono de duas lojas – uma de moda mais esportiva ("no estilo da Osklen e da Richard's, sabe?") e outra mais clássica ("tipo Zegna, sabe?"). No momento, sonha com as passarelas paulistas, para as quais apresenta fortes credenciais. "Meu desfile no último Vitória Fashion Days foi um ar-ra-so", comenta. A Presidência da República paga entre 800 e 1 200 reais pelos ternos de lã fria que ele confecciona – menos da metade do preço de um modelo desenhado por Ricardo Almeida. Qual o segredo para uma roupa ter bom caimento em alguém cheinho e com pescoço largo como o presidente? "Faço a modelagem dos ombros levemente avantajados", diz Aguilar. Um arraso.

 
 
 
 
topovoltar