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Tecnologia
Os limites da máquina
A nanotecnologia e a engenharia
pesada produzem os menores e
os maiores equipamentos
Nas fotos que ilustram esta reportagem podem
ser observadas a maior e a menor engrenagem existentes no mundo.
Imensa, a escavadeira rotativa construída pela empresa alemã
Krupp para operar em uma mina de carvão tem 215 metros de
comprimento e 95 metros de altura. É a maior máquina
desse tipo já construída. Em comparação,
a menor engrenagem já feita foi esculpida em silício
e tem espessura equivalente a 1/100 000 de um fio de cabelo. Neste
início do século XXI, a ciência derrubou as
fronteiras das dimensões do que pode ser fabricado. Uma particularidade
da superescavadeira é a capacidade de se mover com motor
próprio. O peso descomunal de 45.500
toneladas é sustentado por doze lagartas oito na parte
dianteira da máquina e quatro na traseira. A razão
para dotar de capacidade de locomoção uma estrutura
gigantesca é econômica: fica mais barato removê-la
de um lado para outro do que construí-la ou remontá-la
no local da operação. A máquina levou cinco
anos para ser fabricada. Outros cinco anos foram gastos apenas em
sua montagem. Surpreendentemente, são necessárias
apenas cinco pessoas para operar esse gigante.
Na outra ponta dos avanços científicos
está a nanotecnologia, a nascente indústria de microrrobôs
que vem revolucionando áreas como a computação,
as telecomunicações e a medicina. Nesse ramo da ciência,
que manipula a matéria em níveis atômicos e
moleculares, a medida das coisas é o nanômetro, que
equivale a 1 bilionésimo de 1 metro. Para se ter uma idéia
do que isso significa, um vírus, visível apenas no
microscópio, mede 100 nanômetros de comprimento. Essa
nova tecnologia permitiu a construção da menor das
engrenagens, um semicondutor que fica fluorescente quando recebe
radiação. Sua utilização primária
seria para diagnóstico médico, pois ele pode ser monitorado
dentro do corpo humano. Outra utilidade potencial das nanopartículas
na medicina é conduzir medicamentos diretamente ao órgão
que realmente precisa deles, evitando os efeitos colaterais causados
pelas drogas.
Apesar de a maioria das inovações
ainda não ter saído dos laboratórios, o campo
de aplicação de dispositivos nanotecnológicos
é virtualmente infinito. Qualquer coisa que envolva energia,
materiais e biologia poderá se beneficiar com os avanços
dessa nova tecnologia. Manipulando átomo por átomo,
será possível desenvolver metais e plásticos
mais resistentes para a engenharia e combustíveis melhores
para os carros. Esses materiais também produzirão
menos resíduos, diminuindo a emissão de dióxido
de carbono e reduzindo o aquecimento global que ameaça o
planeta. Especialistas prevêem que em dez anos toda a indústria
de semicondutores e metade da indústria de remédios
dependerão da nanotecnologia para sobreviver.
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