Edição 1881 . 24 de novembro de 2004

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Aviação
Onze vezes mais rápido
que um Boeing

A Nasa testa protótipo de motor de avião
que atinge 11 000 quilômetros por hora

Um vôo experimental de apenas dez segundos tornou palpável uma perspectiva fascinante: a construção de um avião capaz de dar a volta ao planeta em poucas horas e fazer isso sem queimar combustível fóssil. Na terça-feira da semana passada, o X-43A, um avião não tripulado da Nasa, a agência espacial americana, atingiu 11.000 quilômetros por hora, mais de dez vezes a velocidade do som. A façanha é fruto de um sistema de propulsão conhecido como scramjet. Desenvolvido logo após a II Guerra Mundial, vale-se do fluxo de ar que entra no motor para acionar a queima do combustível, que no caso é hidrogênio. Isso faz com que o motor seja mais leve que as turbinas convencionais, mas também traz um problema: ele não consegue iniciar a propulsão sozinho quando não há um fluxo de ar forte o suficiente para fazê-lo funcionar. Montado na ponta de um foguete Pegasus, o X-43A pegou carona sob a asa de um bombardeiro B-52 até a altitude de 12.000 metros. Dali em diante foi conduzido pelo foguete até atingir a altura de 33.000 metros e velocidade quatro vezes maior do que a do som. Só então o motor se ligou e funcionou por dez segundos antes de cair no mar, conforme planejado.

Para voar com segurança numa velocidade tão alta são necessários cuidados especiais. Um deles é o de revestir os aviões com placas parecidas com aquelas usadas nos ônibus espaciais. Essas placas servem de proteção contra o atrito com o ar, que faz a temperatura da fuselagem disparar. Durante o vôo da semana passada, a temperatura externa do X-43A atingiu mais de 2.000 graus. O primeiro vôo hipersônico bem-sucedido aconteceu na Austrália, em 2002, com um protótipo que chegou a 9.800 quilômetros por hora. Um ano antes, a Nasa havia dado o primeiro passo na corrida hipersônica, com um vôo fracassado do primeiro dos três X-43A construídos. Na segunda tentativa, em março passado, o aparelho atingiu 8.320 quilômetros por hora, pouca coisa acima do recorde do lendário X-15, avião impulsionado por foguete dos anos 60. O objetivo imediato do programa americano de vôo hipersônico, criado oito anos atrás e que custou 250 milhões de dólares, é desenvolver motores mais econômicos para mísseis militares e escalas intermediárias em vôos espaciais. Uma previsão otimista é a de que se possa ter aviões comerciais com motores hipersônicos dentro de uma década. Usado na ponte aérea Rio–São Paulo, um motor como o do X-43A encurtaria o vôo atual de 45 minutos para pouco mais de dois minutos.

 

 

 
 
 
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