|
|
Internet A
guerra dos buscadores Com
o lançamento de seu novo sistema de busca, a Microsoft quer desbancar o
Google e o Yahoo! num dos nichos mais promissores da rede  Marcelo
Marthe
Meses atrás, o americano Bill Gates admitiu
que sua empresa, a gigante Microsoft, demorou para perceber um dos nichos mais
promissores da internet: o dos sistemas de busca. Gates não escondeu a
irritação por ter levado, em suas palavras, um "pontapé no
traseiro" de seus concorrentes Larry Page e Sergey Brin os rapazes do Google,
o mais popular buscador da rede. Na semana passada, a Microsoft iniciou sua contra-ofensiva:
disponibilizou para o público a ferramenta com que pretende brigar de igual
para igual com o Google e o Yahoo!, o outro peso-pesado do setor. O que está
em jogo é o domínio de uma das principais portas de entrada no mundo
virtual. No Brasil, os sites de busca só perdem para os provedores de acesso
à rede em número de visitas, segundo o Ibope//Net Ratings. Eles
são, afinal de contas, os grandes ordenadores do caos da internet. Em todo
o mundo, o surgimento de um site como o Google teve um impacto comportamental
tremendo. Com sua ajuda, as pessoas passaram a ter ao alcance da mão informações
que antes consumiam grandes quantidades de tempo, dinheiro e conhecimento especializado
para ser obtidas. Por essas razões, trata-se de um negócio que cresce
em ritmo exponencial: deve faturar quase 3 bilhões de dólares neste
ano e mais que o dobro disso até 2007. Os buscadores lucram graças
à publicidade, por meio dos chamados links patrocinados (as ofertas de
produtos e serviços relacionados às pesquisas dos internautas).
As empresas, por sua vez, descobriram que aparecer em destaque nas buscas é
estratégico para sua imagem.
AFP
 | | Bill
Gates: depois de levar "pontapé no traseiro" dos rapazes do Google, o dono da
Microsoft contra-ataca |
Para tentar
desbancar o Google da liderança no setor, a Microsoft e o Yahoo! recorrem
à artilharia pesada. Ambos almejam se igualar ao concorrente naquilo que
sempre foi seu diferencial a velocidade e a precisão. O Yahoo! contratou
um time de especialistas e adquiriu empresas de ponta como a Overture, idealizadora
do modelo de publicidade hoje vigente nos grandes buscadores, para lançar
seu novo serviço no começo deste ano. A empresa de Bill Gates não
fez por menos. Investiu 100 milhões de dólares em seu sistema
em funcionamento em caráter experimental no endereço beta.search.msn.com.
Quando a Microsoft anunciou que seu novo serviço rastrearia 5 bilhões
de páginas da rede, o Google se apressou em informar que seu universo de
pesquisa saltou para 8 bilhões de páginas. De olho no futuro, os
concorrentes apostam em ferramentas que refinem cada vez mais suas buscas. Os
três têm busca de imagens e notícias, por exemplo. A luta se
dá ainda em outra fronteira: adequar cada vez mais as pesquisas ao perfil
do usuário. Tanto o Yahoo! quanto a Microsoft levam alguma vantagem nessa
área. Como possuem portais e serviços de e-mail, dispõem
de dados sobre os gostos de milhões de pessoas ao redor do planeta. O produto
da Microsoft permite ao usuário pesquisar em seus arquivos pessoais
antecipando-se à concorrência, o Google lançou um similar
recentemente. A Microsoft vislumbra também a integração de
seu buscador com outros produtos da companhia, como o sistema operacional Windows,
usado em 95% dos computadores do planeta. Outro recurso de seu buscador (ainda
não disponível no Brasil) é a pesquisa circunscrita à
região do internauta se ele quiser uma pizzaria, o site saberá
selecionar as que estão em sua vizinhança.
Nos
primódios da rede, o usuário dispunha apenas de ferramentas rudimentares
para encontrar o que desejava. O primeiro buscador digno desse nome, o WebCrawler,
foi inventado por pesquisadores da Universidade de Washington em 1994. Em menos
de dois anos, já tinha seis concorrentes. Nessa época despontaram
o Yahoo! e o AltaVista, os primeiros serviços populares do gênero.
O Yahoo!, criado pelos então estudantes de engenharia Jerry Yang e David
Filo, nada mais era que um banco de dados em que ambos compilavam, manualmente,
endereços interessantes. Os buscadores tal e qual são conhecidos
hoje se utilizam de ferramentas de rastreamento automatizadas, regidas por equações
matemáticas complexas (veja quadro). Os buscadores da era pré-Google
se baseavam sobretudo no rastreamento por palavras-chave. Quanto mais vezes o
termo procurado aparecia numa página, e quanto maior seu destaque, melhor
a colocação dela no resultado da pesquisa. Mas a mera caça
às palavras esbarrava num problema: a falta de precisão. Ao entrar
em cena, em 1998, o Google não abriu mão da busca por palavras-chave,
mas incrementou-a com a invenção de um sistema de medição
de "popularidade". Quanto mais páginas contiverem atalhos apontando para
um site, maior será a relevância dele. Batizada de PageRank, a novidade
permitiu que as buscas na internet dessem um salto de qualidade. Contudo,
ainda há muito por desbravar na vastidão da rede. Nada menos que
7 milhões de novas páginas surgem a cada dia. "Estima-se que haja
cinqüenta vezes mais páginas na internet do que os buscadores são
capazes de rastrear. Algumas delas estão em sites fechados, mas outras
simplesmente passam despercebidas", diz o americano Chris Sherman, autor do livro
The Invisible Web (A Internet Invisível). Enquanto Google, Microsoft
e Yahoo! guerreiam para desenvolver serviços cada vez mais precisos e abrangentes,
muita gente na outra ponta trata de dar uma mãozinha aos buscadores. Já
existem especialistas na "otimização de busca" a arte de
tornar um site mais facilmente encontrável. "Tenho clientes que gastaram
milhões para criar uma página e depois se frustraram, porque ela
não era detectada", diz o americano Garry Grant, da Search Engine Optimization,
que tem entre seus clientes companhias como a AT&T. Cair na teia dos buscadores
é questão de vida ou morte na internet. |