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Brasil A
chave do sucesso O BNDES é a única fonte
de crédito barato do país. Por isso ele é importante  Ronaldo
França
Antonio
Milena
 | O
ERJ-145, DA EMBRAER Decolagem ajudada por dinheiro
subsidiado |
Toda
a tensão que se criou em torno da saída do economista Carlos Lessa
da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) tem pouco ou nada a ver com as conseqüências políticas
da troca de cadeiras. O que está em jogo são 60 bilhões de
reais que o banco terá, em 2005, para emprestar a empresas instaladas no
Brasil. É mais dinheiro do que os orçamentos somados dos ministérios
da Saúde e da Educação para o ano que vem. São recursos
que, despejados na economia com juros mais baixos do que os de mercado (a Taxa
de Juros de Longo Prazo, TJLP), têm o poder de determinar que setores ou
negócios irão prosperar nos próximos anos. Graças
a esse poder de fogo e à importância que teve na formação
do parque industrial brasileiro, o ex-ministro Roberto Campos, um dos fundadores
do BNDES e seu presidente entre 1958 e 1959, definia o banco como "o parteiro
da indústria nacional". Esse mesmo poder de fogo também faz do BNDES
uma peça vital no tabuleiro político. Na articulação
para a eleição presidencial de 2006, a instituição
é fundamental porque se constitui no contraponto desenvolvimentista perfeito
à austeridade fiscal que tem sido a marca da política econômica
do governo Lula. A maior parte do dinheiro que
o BNDES faz desaguar na economia vem do pagamento de empréstimos concedidos
anteriormente. Além disso, tem como fontes de financiamento o Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT), o PIS-Pasep, acordos com instituições
multilaterais e empréstimos externos. Se computado o volume de desembolsos
feitos neste ano, o BNDES já superou o Banco Interamericano de Desenvolvimento
chegou perto do Banco Mundial. Nos países desenvolvidos, não existe
nenhum organismo de financiamento às empresas com poder semelhante. O BNDES
é uma distorção típica do capitalismo estatal brasileiro.
Como, para rolar a dívida pública, o governo engole 80% de todo
o crédito privado disponível, esse mercado simplesmente quase cessou
de existir no país. Quando e se o governo deixar de ser o maior tomador
de dinheiro da praça e o crédito privado voltar a ser privado, provavelmente
uma instituição como o BNDES se tornará obsoleta.
A partir do fim da década de 60, o banco passou a atuar como um hospital
de companhias em situação falimentar, em detrimento de sua missão
de fomentador de novos projetos. Mais recentemente, a instituição
voltou a estar no centro do processo de modernização do Estado.
Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, capitaneou, com sucesso, o processo
de privatização das empresas estatais. De suas linhas de crédito
surgiram contribuições à indústria, como a que ajudou
a construir o sucesso empresarial da Embraer. Na gestão de Lessa, o banco
se desarrumou. Uma reforma administrativa extinguiu dezesseis das 27 superintendências,
mudando de uma só tacada todos os superintendentes e seus gerentes. O resultado
foi perda de eficiência. Também sofreu um desvio de rumo que resultou
em ações ideológicas de cunho nacionalista, como a recompra
de ações da Companhia Vale do Rio Doce e a tentativa de estabelecer
uma taxa de juros mais alta para empresas estrangeiras interessadas em investir
no país. Foi com trombadas assim que a gestão Lessa implodiu.
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