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24 de outubro de 2007
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Música
A mão invisível

São os fãs do Radiohead que dizem:
o novo CD da banda vale entre 10 e 16 reais


Sérgio Martins

Nos últimos anos, o mercado fonográfico tornou-se aquilo que os economistas chamariam de "disfuncional". Produtores e consumidores do mundo todo já não chegam a um acordo sobre o valor de um CD. Os primeiros insistem que um disco precisa custar cerca de 25 reais (ou o equivalente a isso, dependendo da moeda). Os segundos acham o preço absurdo e se arranjam trocando arquivos na internet ou nas bancas dos piratas. Há duas semanas, o grupo inglês Radiohead, um dos mais importantes do pop atual, resolveu abordar esse problema com um experimento que faria sorrir Adam Smith, o pai da economia. Eles apelaram à mão invisível do mercado. Sem a intermediação de uma gravadora, o Radiohead pôs na internet a íntegra de seu novo álbum, In Rainbows. Em vez de estabelecer um preço, deixou que cada pessoa decidisse quanto queria pagar pelas canções. Segundo Bryce Edge, empresário da banda, cerca de 500.000 pessoas fizeram download do disco até agora. Fãs ardorosos desembolsaram o equivalente a 400 reais. Outros não gastaram nem um tostão. A maioria dos downloads, no entanto, ficou entre 10 e 16 reais.

Executivos das grandes gravadoras torceram o nariz para o experimento do Radiohead. Eles observam que o seu sistema de marketing custa caro, e seria um dos motivos por que não se pode baixar o preço de um CD normal. Por vários anos, o Radiohead beneficiou-se desse sistema de divulgação, e só assim conquistou a projeção que tem hoje. Em outras palavras, brincar com o mercado quando já se tem o nome estabelecido é fácil. Tanto assim que o Radiohead promete lançar uma versão especial de In Rainbows, com libreto e outros mimos, com preço equivalente a 150 reais. O próprio empresário da banda afirma que é necessário ter cautela com as generalizações. "Ficamos sabendo quanto as pessoas estão dispostas a pagar pelo Radiohead. Mas o que se aplica a essa banda pode não se aplicar às outras", diz Edge.

O mais interessante no lançamento de In Rainbows, contudo, é aquilo que ele revela sobre a psicologia do consumidor de música. O resultado contradiz os pessimistas. É mais um indício de que o mercado musical terá de passar por uma grande metamorfose, mas não terá necessariamente de morrer. Os fãs continuam dispostos a pagar para ouvir as gravações de seus ídolos. E não só com moedinhas tiradas do fundo do bolso. Feita a média, In Rainbows aproximou-se de 50% do preço que teria se fosse lançado nas lojas. É bem menos do que querem as gravadoras. Mas é dinheiro que vai para o cofre, ao contrário do que ocorre nos downloads clandestinos e no mercado pirata. Segundo o jornal inglês Daily Telegraph, outras duas bandas populares da Inglaterra, o Oasis e o Jamiroquai, vão seguir o exemplo do Radiohead. Farão seus próximos lançamentos na internet, esperando que a mão invisível os conduza ao público – e a um bom preço pelo seu trabalho.




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