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24 de outubro de 2007
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Cinema
Maré alta

Tá Dando Onda é um "documentário" sobre pingüins
surfistas. Mas fofura não é só o que ele tem a oferecer


Isabela Boscov

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Trailer do filme

Um desenho animado em forma de documentário, sobre pingüins surfistas. Por causa dessa premissa, que pode soar tanto complicada quanto desmiolada, a bilheteria americana de Tá Dando Onda (Surf’s Up, Estados Unidos, 2007) estacionou em menos de 60 milhões de dólares, quantia desapontadora para os padrões do segmento. Que ela não sirva como medida de qualidade, porém: a animação que estréia nesta sexta-feira no país não é apenas a melhor já realizada pela Sony, como também uma das mais inventivas a ser lançadas nos últimos anos por qualquer um dos grandes ateliês. Uma pista de quanto esse desenho pode ser criativo é que, não fosse seus próprios personagens mencionarem pingüins que cantam e dançam, ou que protegem seus ovos em face das mais terríveis adversidades, provavelmente o espectador nem se lembraria dos outros filmes que tornaram esses bichos ícones do cinema.

Cadu Maverick, o protagonista de Tá Dando Onda, tem 17 anos e mora na Antártica com o irmão brutamontes e a mãe resignada – sempre vista na cozinha, retalhando atuns. Desde que seu vilarejo foi visitado pelo campeão Big Z, agora já falecido, Cadu alimenta o sonho de se tornar um astro das ondas. Essa opinião inflacionada de suas habilidades é ajustada quando ele consegue uma vaga num torneio na ilha tropical de Pingú, onde encontra um surfista valentão, uma salva-vidas muito graciosa e um pingüim ripongo que, afora o fato de nunca chegar perto da água, lembra muito seu ídolo Big Z.

Tá Dando Onda tem bem mais a oferecer do que personagens fofos e vozes excelentes (a cargo de Shia LaBeouf, Zooey Deschanel e Jeff Bridges). Dirigido por dois animadores com longa experiência na Disney e na Pixar, o filme é um exemplo de como o aprimoramento tecnológico da animação em 3D permite uma liberdade narrativa de que nem sempre os estúdios se aproveitam. Velhos documentários em 16 milímetros, imagens típicas de campeonatos de surfe feitas com teleobjetivas, câmeras "radicais", daquelas que se prendem ao corpo dos esportistas, cenas de entrevistas com personagens desacostumados às lentes, que olham para lugares estranhos nas horas erradas – Tá Dando Onda sabe imitar com perfeição todo esse repertório de imagens. Mas não o faz só para demonstrar apuro. O que ele pretende é multiplicar os pontos de vista e mostrar, com humor, que o que se diz pode estar bem distante daquilo que se faz. Para todos os efeitos, o filme é dirigido às crianças. Mas suas idéias são um bocado adultas.

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