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Edição 1 723 - 24 de outubro de 2001
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VÍDEO

 
Guy Fernandis/Columbia Pictures

Rios Vermelhos: suspense francês

Rios Vermelhos (Les Rivières Pourpres, França, 2000. Columbia) – No mesmo lugar – uma faculdade incrustada nos Alpes franceses –, dois detetives conduzem duas investigações diferentes. Uma trata de uma contravenção. A outra, de uma série de crimes bárbaros. É sabido que elas vão convergir, mas não da maneira que o espectador imagina. Essa habilidade de surpreender, cada vez mais rara nos suspenses americanos, é o trunfo desta produção francesa do diretor Mathieu Kassovitz, que ficou conhecido com O Ódio. Aqui, porém, não há nada do conteúdo social que fez a fama daquele filme. Kassovitz dá muito espaço para as ótimas interpretações de Jean Reno e Vincent Cassel e também desafia a platéia a achar o fio da meada. Faz isso tão bem que pode até ser perdoado pelos quinze minutos finais, que certamente não estão à altura dos noventa que os precedem.

 

LIVROS

Série O que Faz de um Grande Mestre um Grande Mestre?, de Richard Mühlberger (Cosac & Naif; 48 páginas; 34 reais cada um) – Organizada pelo Metropolitan Museum, de Nova York, essa série é uma excelente introdução ao mundo da pintura. Em vez de apenas empilhar fatos históricos e teorias estéticas, os livros da coleção ensinam a olhar detalhadamente um quadro. No volume dedicado ao italiano Leonardo da Vinci, por exemplo, um capítulo aborda a pintura Mona Lisa. Mühlberger conta anedotas saborosas (o famoso sorriso da modelo teria sido obtido graças às estripulias de bufões), explica a técnica empregada e situa a obra na carreira do artista. Os outros três livros já lançados são dedicados aos impressionistas franceses Degas e Monet e ao pós-impressionista holandês Van Gogh.

A Morte de Virgílio, de Hermann Broch (tradução de Herbert Caro; Mandarim; 439 páginas; 49 reais) – Um dos principais nomes da literatura moderna em língua alemã, o austríaco Hermann Broch (1886-1951) escreveu os primeiros capítulos de A Morte de Virgílio num campo de concentração. Com o fim da II Guerra, ele pôde concluir e lançar o romance, considerado não somente um dos principais livros do autor, como também uma obra-chave do modernismo tardio. Broch alterna versos e prosa para contar as últimas dezoito horas da vida do poeta romano Virgílio. Tal e qual uma sinfonia, o livro é dividido em quatro "movimentos", nos quais Broch faz Virgílio refletir sobre a criação de sua obra Eneida, suas relações com o imperador romano Augusto e o crescimento de Roma. A edição anterior do livro estava esgotada há tempos no Brasil.

 

DISCOS

Songs in A Minor, Alicia Keys (BMG Brasil) – Alicia Keys é uma cantora e pianista de 21 anos que está sendo considerada a grande revelação da música negra deste ano. Foi descoberta pelo produtor Clive Davis, responsável pelo sucesso de artistas como Whitney Houston e Carlos Santana. Songs in A Minor é seu primeiro disco e algumas músicas foram compostas quando Alicia tinha apenas 14 anos. Os críticos têm comparado a menina prodígio a Roberta Flack – aquela do sucesso Killing Me Softly. Mas Alicia é mais versátil e põe sua formação de pianista clássica a serviço da soul music. Piano & I, por exemplo, aproveita trechos da sonata Moonlight, de Beethoven. O restante do álbum traz canções para as pistas de dança e baladas para ouvir a dois (nesse quesito, a campeã é Fallin', que puxou as boas vendagens do CD nos Estados Unidos).

 
Divulgação
Etta James: clássicos do blues e do jazz  

Blue Gardenia, Etta James (BMG Brasil) – Seja no blues, sua especialidade, ou em modernas canções pop, Etta James solta a voz roufenha em interpretações nunca menos do que antológicas. Blue Gardenia é outro biscoito fino na sua discografia. Ao lado do pianista e arranjador Cedar Walton, a cantora se debruça sobre clássicos como In My Solitude (de Duke Ellington, eternizado na voz de Billie Holiday) e Don't Let the Sun Catch You Crying – do repertório de Ray Charles. O dado curioso é que Blue Gardenia teve duas sessões distintas. De cama por causa de uma gripe, Etta James deixou a banda improvisar à vontade para, tempos depois, colocar a voz. Mesmo assim, o disco soa como se cantora e banda tivessem tocado ao vivo, com direito a improvisações caprichadas de Cedar Walton.

 

DVD

 
Warner Bros

Paul Newman: cinqüenta ovos cozidos

DVD

 
Warner Bros

Paul Newman: cinqüenta ovos cozidos

Rebeldia Indomável (Cool Hand Luke, Estados Unidos, 1967. Warner) – Esse filme com Paul Newman é um libelo anticonformista de primeira linha, que nunca perde o humor e não faz vergonha a nenhum de seus "primos" mais famosos dos anos 60, como Uma Rajada de Balas. O imperturbável Luke (Newman) é preso por uma bobagem – decapitar parquímetros durante uma bebedeira – e ganha uma pena curta. Mas as regras estúpidas e fascistas dos carcereiros provocam nele uma comichão irreprimível, a de fugir a toda hora. Mas ele é sempre recapturado. Seu consolo é que a admiração de seus companheiros só faz aumentar. A cena em que Luke come cinqüenta ovos cozidos por conta de uma aposta é clássica. As atuações de George Kennedy, como o preso grandalhão, e do veterano Strother Martin, que faz o capitão do presídio, são também marcantes.

 

POR QUE O HOUAISS SAIU DA LISTA

A partir desta edição, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa deixará de constar da lista de mais vendidos de VEJA, da qual fez parte nas quatro últimas semanas. A razão é simples. A aquisição de obras de consulta e referência, como o Houaiss, não reflete inclinações momentâneas no gosto do público leitor. Como sua venda é constante, uma obra desse tipo tenderia a se perpetuar na lista e deturpar sua função – que é a de registrar o vaivém do mercado. Basta observar a trajetória de outro grande dicionário, o Aurélio, para confirmar isso. Lançado em 1975, ele já vendeu quase 2 milhões de cópias em sua versão completa, em capa dura. Ainda assim, cerca de 10 000 exemplares do Aurélio saem das livrarias por mês. Livros de ficção, de ensaios e de auto-ajuda e esoterismo têm perfil de venda diverso. Um romance pode sumir das prateleiras ao ser lançado, mas depois de alguns meses esse ritmo costuma sofrer uma queda abrupta. O Houaiss chegou às livrarias com um fôlego e tanto. Sua primeira tiragem, de 60 000 exemplares, já se esgotou. É possível que ele bata em breve o seu outro concorrente forte, o Michaelis: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – que chegou às mãos de 100 000 usuários desde que foi lançado, em 1998.

 

   
 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura

 

   
 
   
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