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Sexo
e política
A
Conspiração suscita
questões
interessantes

Isabela
Boscov
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Joan Allen: a senadora da orgia |
Na
trama fictícia de A Conspiração (The
Contender, Estados Unidos, 2000), o vice-presidente americano morre
e o presidente tem de indicar um substituto. Num lance que cheira a demagogia,
ele descarta os nomes mais prováveis e escolhe uma mulher Laine
Hanson, uma senadora que trocou o Partido Republicano pelo Democrata.
Só falta o Congresso ratificar a decisão. E aí a
coisa pega: um adversário desencava fotos que mostram Laine em
uma orgia sexual, nos tempos de faculdade. Argüida a esse respeito,
contudo, ela só tem uma resposta: nada a declarar. Rigorosamente
nada e a crise está armada. Convém ignorar o tom edificante
e mão-pesada do filme, que estréia nesta sexta-feira em
São Paulo e no Rio. Por trás dele há questões
de interesse genuíno as diferentes medidas aplicadas a homens
e mulheres, ou a legitimidade de julgar a carreira pública segundo
o que ocorre entre quatro paredes. Joan Allen mostra competência
no papel da senadora, e o inglês Gary Oldman se diverte como o político
conservador que arquiteta a destruição da rival. O melhor
de todos, porém, é Jeff Bridges. Ele dá um baile
como o presidente que fornece a corda a quem queira enforcar-se e disfarça
sua argúcia sob a aparência de um sujeito guloso e bonachão.
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