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Rap à la Fidel
Malemolência,
letras tépidas
e camaradagem com o ditador
cubano. Assim é o Orishas

Marcelo Marthe
EMI

Orishas:
estamos aí para dar uma força à revolução
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Meses atrás,
o governo de Cuba liberou uma verba de 32.000
dólares para a União dos Jovens Comunistas. O dinheiro não
se destinava à compra de novos exemplares das obras de Marx ou
coisa semelhante. Foi para adquirir pick-ups e outros equipamentos para
artistas de rap aquele gênero musical tipicamente americano.
Os rappers cubanos mais bem-sucedidos são os do grupo Orishas.
Uma das atrações do Free Jazz, que acontece nesta semana
no Rio e em São Paulo, o trio foi um dos precursores desse tipo
de música em Cuba. Seus fundadores, Yotuel Manzanares e Hiram Rivero-Medina
(o "Ruzzo"), descobriram a música quando eram adolescentes, no
início dos anos 90. Tudo por meio de fitas cassete compradas no
mercado negro e da programação das rádios de Miami,
captadas clandestinamente. Em 1998, eles se mudaram para a França
e lá, juntamente com Roldán Rivero, lançaram seu
primeiro disco, A Lo Cubano, que já contabiliza mais de
400.000 cópias vendidas na Europa.
A música
do Orishas mistura ritmos malemolentes feitos para pegar turista e letras
com conteúdo social. Elas falam sobre racismo, temas ecológicos
e a respeito do turismo sexual em Cuba. Em suma: é "protesto",
mas bem levinho. Tão palatável ao regime comunista que Fidel
fez questão de receber o pessoal do Orishas em audiência
no palácio presidencial, no ano passado. "Então são
vocês que estão fazendo todo esse barulho", disse ele, todo
pimpão, aos rapazes com dreadlocks nos cabelos e roupas para lá
de americanizadas. O velho ditador, que um dia proibiu que se ouvisse
jazz e rock na ilha, agora acha que bancar o amiguinho da turma do rap
melhora a sua imagem. A cada dia que passa, Fidel está mais patético.
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UMA
COISINHA INÓCUA
Ronnie Black

O
Belle & Sebastian: vai dar para assistir sem cair no sono?
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Com
nome tirado de um programa de TV infantil sobre um garoto e seu
cãozinho, o grupo escocês Belle & Sebastian é
o que se pode chamar de banda doce. Docinha, melhor dizendo. Tímidos
até a medula, seus sete integrantes não gostam de
dar entrevistas nem de aparecer em fotos. Eles tocam baladas tristes,
com letras que rondam o universo adolescente. Uma música
que, de tão inofensiva, serve para ouvir enquanto se passa
roupa. Coisinha inócua, enfim. Ainda assim, o acanhado Belle
& Sebastian arrebanhou uma porção de fãs
no Brasil. É cultuado tanto pelo pessoal na fase da acne
brava quanto pelos trintões órfãos das melodias
da banda inglesa The Smiths. Somados, seus quatro álbuns
e seis singles, lançados no país do ano passado para
cá, já venderam mais de 50 000 cópias
marca respeitável para um grupo independente. E os ingressos
para seus shows no Free Jazz esgotaram-se em poucos dias. Mas fica
a pergunta: será que vai dar para assistir sem cair no sono?
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