Foi por pouco
Quase
sobra mais uma
conta para o contribuinte
Dida Sampaio/AE

Aécio
Neves: veto após a divulgação |
O contribuinte
escapou por pouco de ser chamado a financiar mais uma barbaridade com
o dinheiro dos impostos. A Câmara dos Deputados havia votado no
último dia 10 um projeto de lei estendendo aos parlamentares aposentados
a prerrogativa de receber o 13º salário e às viúvas
dos ex-congressistas o direito a embolsar pensão equivalente ao
vencimento integral do falecido.
O 13º,
o fundo de garantia por tempo de serviço, as férias e o
repouso semanal remunerado são direitos próprios de quem
trabalha, não instrumentos de remuneração do inativo.
Tentar igualar os vencimentos dos dois lados é um costume comum
do corporativismo. Ele obriga o governo a administrar um monstro orçamentário
no qual a folha de pagamento dos inativos é quase igual à
dos que trabalham. Resultado: aqueles que fazem o Estado andar ganham
pouco e os que não trabalham recebem uma aposentadoria superior
àquela garantida pelo INSS. A conta acaba nas mãos do contribuinte.
O projeto
já tinha sido votado pelos deputados havia dois anos e confirmado
no Senado. Como sofreu algumas modificações nesta segunda
etapa, retornou à Câmara, onde tramitou com urgência.
Atenção: não foi enviado ao plenário para
apreciação geral à luz do dia. Foi aprovado em quinze
minutos, pelos líderes dos partidos, em votação sorrateira.
Quando a coisa obteve repercussão negativa junto à opinião
pública, os mesmos que aprovaram o projeto saíram a campo
para atacá-lo. Resultado: Aécio Neves, presidente da Câmara,
que não participou da aprovação, achou o projeto
vergonhoso e decidiu cancelar a votação.
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