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Férias
com o MST
Já se pode comprar pacotes de
turismo para
os assentamentos
da reforma agrária
O
cardápio de sugestões para as próximas férias
ganhou uma opção inusitada. São seis novos roteiros
em fazendas nas regiões mais bonitas do Rio Grande do Sul, incluindo
locações na Lagoa dos Patos e na Serra Gaúcha. A
comida não tem agrotóxicos e é toda produzida nas
próprias fazendas. O visitante pode conhecer as lavouras e as criações.
E, claro, pode comprar artesanato e compotas nas lojinhas. As acomodações
são despojadas, mas o preço compensa. O valor da diária
começa em 40 reais e vai até 120, a mais cara com pernoite
e todas as refeições incluídas. E mais, o preço
do transporte de Porto Alegre até a fazenda está incluído.
Tudo isso nos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST). Neste mês começou a funcionar em Porto Alegre
a primeira agência especializada exclusivamente em pacotes turísticos
nos assentamentos. Por enquanto, só dá para visitar os da
Região Sul. No próximo verão também vão
ser oferecidos pacotes para os assentamentos no Nordeste. No futuro, a
idéia do projeto "MSTur", como foi batizado pelo MST, é
permitir o acesso de turistas somente por meio de agências credenciadas.
Os acampamentos sempre estiveram abertos a visitantes que nunca precisaram
pagar nada. O MST fez as contas e percebeu que o turismo engajado pode
render um dinheirinho razoável. Perto de 45.000 pessoas visitam
os assentamentos todo ano por conta própria, estudantes na maioria
dos casos. Uma pequena parte vem do exterior. Pelo menos uma centena de
estrangeiros se hospedou nos assentamentos da reforma agrária nos
últimos anos. O MST já credenciou uma agência de turismo
na Alemanha. O número de pessoas dispostas a pagar pela visita
por enquanto é pequeno. Na média, os assentamentos receberam
quarenta turistas por mês no começo do ano, na fase experimental
do projeto. As expectativas são grandes. O mercado chama esse negócio
de turismo "solidário", uma modalidade que cresce no mundo todo.
As operadoras descobriram um filão de jovens dispostos a empregar
seu tempo de lazer em atividades comunitárias e conhecer novas
experiências sociais. Cuba sempre encontrou jovens dispostos a passar
uma temporada de férias cortando cana de graça em troca
da oportunidade de viver na pele a última grande experiência
socialista no mundo. Jovens médicos da Inglaterra costumam passar
alguns meses trabalhando em comunidades pobres do interior da Índia,
sua ex-colônia. No ano passado, o príncipe William, filho
do príncipe Charles e da falecida princesa Diana, passou dez semanas
na Patagônia chilena. Ali, deu aulas de inglês a crianças
carentes e ajudou a comunidade local a construir pontes. No Brasil, a
prefeitura do Rio de Janeiro está apostando em uma variação
dessa modalidade. Desde o começo do ano, ela treina moradores da
favela da Rocinha para trabalhar como guias de turismo para receber os
estrangeiros que costumam passear por lá. Em tempo, todos os passeios
nos assentamentos incluem pelo menos uma hora de palestras sobre a reforma
agrária. Para maiores informações, o endereço
da agência na internet é www.pangea.com.br.
| QUANTOS
SÃO OS SEM-TERRA? |
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Há
um ano, as famílias interessadas em se inscrever no
programa de reforma agrária foram autorizadas pelo
governo a requerer inscrição por meio dos correios.
Antes disso, o cadastro era feito via Movimento dos Sem-Terra.
Além de facilitar o acesso, o governo esperava com
isso descobrir quantos sem-terra afinal existem no Brasil.
O MST sempre defendeu que são 5 milhões de famílias
nessa condição. Brasília trabalha com
um número muito menor: 200 000 famílias. Pois
bem. O número de inscritos pelos correios já
é conhecido e ninguém fez questão de
alardeá-lo. Até agora, 500 000 famílias
se inscreveram nem tão pouco quanto prega o
governo e muito aquém dos dados do MST. Os sem-terra
dizem que muitos ainda irão se inscrever. O governo
acredita que há grande número de casos de registros
duplicados.
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