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Sucessão
mobiliza
ninho
dos tucanos
Tasso acelera a candidatura,
Serra se mexe na
coxia e
Paulo Renato reclama de Fla-Flu
Maurício Lima
Ed Ferreira/AE
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Jarbas, Roseana e Tasso: um encontro
concebido pelo marqueteiro comum do trio |
"E
então, presidente? Vai ser Fla-Flu mesmo?" A pergunta, em tom ressabiado,
foi feita pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza,
ao presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não. Você tem de
continuar trabalhando", estimulou FHC. A dúvida de Paulo Renato
foi uma reação à intensa movimentação
dentro do ninho tucano ocorrida na semana passada. Com a ausência
do ministro Pedro Malan, e com a provável candidatura do governador
Geraldo Alckmin em São Paulo, a disputa presidencial dentro do
PSDB ganhou dois novos contornos. O primeiro é o afunilamento.
Ou, como diria Paulo Renato, o Fla-Flu. Hoje, o partido está dividido
entre os nomes do ministro da Saúde, José Serra, o favorito
até agora, e do governador do Ceará, Tasso Jereissati. A
outra característica é que a contenda nunca esteve tão
intensa. Até a semana passada, as articulações vinham
em ritmo lento, para deleite do presidente e desespero dos aliados. Agora,
a história é outra. Enquanto Paulo Renato estava às
voltas com a greve dos professores das universidades, Serra e Tasso afiaram
o bico.
A
mudança de vibração deveu-se principalmente ao despertar
do governador do Ceará. Depois de um período de letargia,
Tasso animou-se a entrar com mais força na disputa. Uma das conversas
fundamentais para essa decisão foi com o marqueteiro Antônio
Lavareda, do instituto MCI. O publicitário pernambucano, que até
o ano passado trabalhava para o Palácio do Planalto, está
orientando os passos de Tasso. Lavareda constatou que a candidatura de
Tasso tem um bom potencial de crescimento, entre outros motivos, por uma
razão inusitada: o eleitor simplesmente não o conhece (veja
tabela).
O governador cearense precisa então se tornar conhecido e, na visão
de Lavareda, a boa administração no Estado vai catapultar
a sua candidatura. Tasso entendeu o recado e iniciou o périplo.
Esteve em Brasília para um encontro com a governadora do Maranhão,
Roseana Sarney, do PFL, e o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos,
do PMDB. Detalhe: todo o trio é cliente de Lavareda. A coincidência
não é obra do acaso. Foi o mago do marketing quem ajudou
a arquitetar a reunião da tróica.
Oficialmente,
os governadores do Nordeste reiteraram que o inimigo maior era o PT e
que era necessário unir-se para derrotá-lo. Mas, entre quatro
paredes, discutiram a tese de que o candidato da base aliada deve ser
um governador. Na conversa, comentou-se que uma pessoa visceralmente ligada
ao governo federal pode herdar a rejeição de uma administração
com oito anos de desgaste perante o eleitorado. O nome de Serra não
foi mencionado, mas evidentemente o ministro se encaixa na categoria dos
visceralmente ligados ao governo. Além da reunião com Roseana
Sarney e Jarbas Vasconcelos, Tasso visitou o presidente Fernando Henrique,
conversou com o ministro Pimenta da Veiga, com o presidente da Câmara,
Aécio Neves, e com o presidente do PSDB, José Aníbal.
Na terça à noite, o governador jantou no apartamento de
Serra em Brasília. Entre garfadas de espaguete e goles de vinho,
firmaram um pacto de não-agressão e o compromisso de se
apoiarem caso um deles seja realmente o escolhido. Nesta semana, Tasso
estará em São Paulo para receber o apoio da família
do ex-governador Mário Covas, que era um grande defensor do seu
nome.
A movimentação de Serra não é tão visível
quanto a de Tasso. Mesmo com a pressão de seus aliados no Congresso,
o ministro se recusa a assumir publicamente a candidatura. Está
inspirado num artigo de Philip Gould, um analista político do Partido
Trabalhista inglês. Gould analisou o comportamento do primeiro-ministro
Tony Blair e concluiu que a popularidade de um político que está
no poder cresce à medida que ele se dedica às questões
do governo e não aos gestos de campanha. Ao tomar atitudes
eleitoreiras, a popularidade cai. Com base nisso, Serra vem tentando passar
a imagem de que está concentrado nos assuntos do seu ministério.
Na semana passada, foi ao Rio de Janeiro para acompanhar de perto a realização
de testes numa quantidade de pó branco encontrada no Aeroporto
do Galeão. Ao pegar o avião rumo ao Rio, Serra já
sabia que a substância não era anthrax. Isso não importava.
O importante era estar lá para mostrar-se ágil na condução
do problema.
Ana Araujo
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José Serra: pesquisas, pacto de paz e conversa
com interlocutores dos rivais |
A
amigos, no entanto, Serra não esconde a sua movimentação.
Ele monitorou minuciosamente os passos de Tasso em Brasília. Falou
com todos os interlocutores do governador cearense durante sua passagem
pela cidade. Naturalmente, não mencionou nenhum assunto relacionado
à Saúde nessas conversas. A mais de um deles, indagou se
a opinião do interlocutor mudara sobre as possibilidades eleitorais
de Tasso. Também nos bastidores, Serra vem colecionando pesquisas
sobre as suas chances na disputa presidencial. A última, ainda
inédita, foi feita no final de setembro pela Paulo de Tarso Institucional,
empresa que presta serviços ao PSDB. Nesse levantamento, perguntou-se
aos entrevistados qual político do PSDB teria chances de ser melhor
presidente do que Fernando Henrique. A resposta mais votada foi "nenhum
deles", com 43%. Em segundo lugar, deu Serra, com 23%. O governador Geraldo
Alckmin vem em terceiro, com 13%, e em seguida aparece Tasso Jereissati,
com 6%.
O potencial de crescimento do ministro e suas articulações
nos bastidores parecem estar assustando alguns de seus adversários.
Na semana passada, dois episódios envolveram o ministério
de José Serra no noticiário policial. O primeiro foi uma
denúncia de que funcionários da Saúde estariam pedindo
propinas a laboratórios (veja
reportagem).
O segundo foi a patacoada de acusá-lo de estar por trás
das denúncias que enlamearam Luiz Antonio de Medeiros, ex-presidente
da Força Sindical e atual deputado do PL. Segundo o atual presidente
da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, uma carta apócrifa
chegou ao seu poder com informações de que as acusações
contra Medeiros são uma tentativa de Serra de evitar que o PL de
Medeiros sele uma aliança com o PT. Os dois rolos envolvendo o
nome de Serra são um primeiro sinal de que a sucessão de
2002 pode ser um jogo bem mais pesado e mais sujo do que se imaginava.
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