Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 723 - 24 de outubro de 2001
Brasil Sucessão

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
 

Os segredos de um lobista
Roubaram as jóias da família JK
Serra versus Tasso, a disputa tucana
Polícia Federal: Caso Gloria Trevi expõe crise na instituição
Investigação compromete ex-ministro Bezerra
Turismo nos acampamentos do MST
Os famintos do candidato Lula
Guilherme Fontes se complica
A acusação de Garotinho a Benedita
Opinião pública faz Congresso recuar

Geral
Internacional
Especial
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Hipertexto
VEJA on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Sucessão mobiliza
ninho dos tucanos

Tasso acelera a candidatura,
Serra se mexe
na coxia – e
Paulo Renato reclama de Fla-Flu

Maurício Lima

 
Ed Ferreira/AE
Jarbas, Roseana e Tasso: um encontro concebido pelo marqueteiro comum do trio

"E então, presidente? Vai ser Fla-Flu mesmo?" A pergunta, em tom ressabiado, foi feita pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ao presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não. Você tem de continuar trabalhando", estimulou FHC. A dúvida de Paulo Renato foi uma reação à intensa movimentação dentro do ninho tucano ocorrida na semana passada. Com a ausência do ministro Pedro Malan, e com a provável candidatura do governador Geraldo Alckmin em São Paulo, a disputa presidencial dentro do PSDB ganhou dois novos contornos. O primeiro é o afunilamento. Ou, como diria Paulo Renato, o Fla-Flu. Hoje, o partido está dividido entre os nomes do ministro da Saúde, José Serra, o favorito até agora, e do governador do Ceará, Tasso Jereissati. A outra característica é que a contenda nunca esteve tão intensa. Até a semana passada, as articulações vinham em ritmo lento, para deleite do presidente e desespero dos aliados. Agora, a história é outra. Enquanto Paulo Renato estava às voltas com a greve dos professores das universidades, Serra e Tasso afiaram o bico.

A mudança de vibração deveu-se principalmente ao despertar do governador do Ceará. Depois de um período de letargia, Tasso animou-se a entrar com mais força na disputa. Uma das conversas fundamentais para essa decisão foi com o marqueteiro Antônio Lavareda, do instituto MCI. O publicitário pernambucano, que até o ano passado trabalhava para o Palácio do Planalto, está orientando os passos de Tasso. Lavareda constatou que a candidatura de Tasso tem um bom potencial de crescimento, entre outros motivos, por uma razão inusitada: o eleitor simplesmente não o conhece (veja tabela). O governador cearense precisa então se tornar conhecido e, na visão de Lavareda, a boa administração no Estado vai catapultar a sua candidatura. Tasso entendeu o recado e iniciou o périplo. Esteve em Brasília para um encontro com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, do PFL, e o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, do PMDB. Detalhe: todo o trio é cliente de Lavareda. A coincidência não é obra do acaso. Foi o mago do marketing quem ajudou a arquitetar a reunião da tróica.

Oficialmente, os governadores do Nordeste reiteraram que o inimigo maior era o PT e que era necessário unir-se para derrotá-lo. Mas, entre quatro paredes, discutiram a tese de que o candidato da base aliada deve ser um governador. Na conversa, comentou-se que uma pessoa visceralmente ligada ao governo federal pode herdar a rejeição de uma administração com oito anos de desgaste perante o eleitorado. O nome de Serra não foi mencionado, mas evidentemente o ministro se encaixa na categoria dos visceralmente ligados ao governo. Além da reunião com Roseana Sarney e Jarbas Vasconcelos, Tasso visitou o presidente Fernando Henrique, conversou com o ministro Pimenta da Veiga, com o presidente da Câmara, Aécio Neves, e com o presidente do PSDB, José Aníbal. Na terça à noite, o governador jantou no apartamento de Serra em Brasília. Entre garfadas de espaguete e goles de vinho, firmaram um pacto de não-agressão e o compromisso de se apoiarem caso um deles seja realmente o escolhido. Nesta semana, Tasso estará em São Paulo para receber o apoio da família do ex-governador Mário Covas, que era um grande defensor do seu nome.

A movimentação de Serra não é tão visível quanto a de Tasso. Mesmo com a pressão de seus aliados no Congresso, o ministro se recusa a assumir publicamente a candidatura. Está inspirado num artigo de Philip Gould, um analista político do Partido Trabalhista inglês. Gould analisou o comportamento do primeiro-ministro Tony Blair e concluiu que a popularidade de um político que está no poder cresce à medida que ele se dedica às questões do governo – e não aos gestos de campanha. Ao tomar atitudes eleitoreiras, a popularidade cai. Com base nisso, Serra vem tentando passar a imagem de que está concentrado nos assuntos do seu ministério. Na semana passada, foi ao Rio de Janeiro para acompanhar de perto a realização de testes numa quantidade de pó branco encontrada no Aeroporto do Galeão. Ao pegar o avião rumo ao Rio, Serra já sabia que a substância não era anthrax. Isso não importava. O importante era estar lá para mostrar-se ágil na condução do problema.

 
Ana Araujo
José Serra: pesquisas, pacto de paz e conversa com interlocutores dos rivais

A amigos, no entanto, Serra não esconde a sua movimentação. Ele monitorou minuciosamente os passos de Tasso em Brasília. Falou com todos os interlocutores do governador cearense durante sua passagem pela cidade. Naturalmente, não mencionou nenhum assunto relacionado à Saúde nessas conversas. A mais de um deles, indagou se a opinião do interlocutor mudara sobre as possibilidades eleitorais de Tasso. Também nos bastidores, Serra vem colecionando pesquisas sobre as suas chances na disputa presidencial. A última, ainda inédita, foi feita no final de setembro pela Paulo de Tarso Institucional, empresa que presta serviços ao PSDB. Nesse levantamento, perguntou-se aos entrevistados qual político do PSDB teria chances de ser melhor presidente do que Fernando Henrique. A resposta mais votada foi "nenhum deles", com 43%. Em segundo lugar, deu Serra, com 23%. O governador Geraldo Alckmin vem em terceiro, com 13%, e em seguida aparece Tasso Jereissati, com 6%.

O potencial de crescimento do ministro e suas articulações nos bastidores parecem estar assustando alguns de seus adversários. Na semana passada, dois episódios envolveram o ministério de José Serra no noticiário policial. O primeiro foi uma denúncia de que funcionários da Saúde estariam pedindo propinas a laboratórios (veja reportagem). O segundo foi a patacoada de acusá-lo de estar por trás das denúncias que enlamearam Luiz Antonio de Medeiros, ex-presidente da Força Sindical e atual deputado do PL. Segundo o atual presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, uma carta apócrifa chegou ao seu poder com informações de que as acusações contra Medeiros são uma tentativa de Serra de evitar que o PL de Medeiros sele uma aliança com o PT. Os dois rolos envolvendo o nome de Serra são um primeiro sinal de que a sucessão de 2002 pode ser um jogo bem mais pesado e mais sujo do que se imaginava.

 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS