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Praia
inflacionada
Com brilho e enfeites, biquínis de grife
alcançam preços de roupa grande
Silvia Rogar
Fotos Sacha Hochstetter
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Plaquinhas de cobre, cruzes de cristal e canutilhos bordados no sutiã:
perto dos 300 reais |
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Dior,
La Perla e Louis Vuitton: ao gosto das brasileiras, com preços europeus |
Atenção,
consumidora. Neste verão, com 1.200 reais na carteira você
tem duas opções: 1) levar para casa um estoque de biquínis
suficiente para estrear um novo a cada fim de semana nos próximos
cinco meses; ou 2) comprar um único modelito enfeitado com bordados
em cristal, que a Blue Man só vende sob encomenda. Em qualquer
dos casos (mais no segundo, é lógico), o calor que se aproxima
decreta o fim do biquíni baratinho, aquele que você compra,
usa e não se importa muito quando perde a forma ou sai de moda.
O duas-peças mais em conta entre as grifes da chamada moda praia
está custando cerca de 60 reais. Não é pouco, mas
acabará parecendo, depois que a vendedora revelar quanto custam
os modelos da, digamos, alta-costura praieira em geral, os mesmos
cortes de Lycra mínimos, só que providos de bordados complicados,
cristais rutilantes e até enfeites banhados a ouro.
Dos 350 modelos que a grife paulista Rosa Chá está lançando,
quarenta são de alto luxo. O mais chamativo tem 120 cristais austríacos
formando pequenas cruzes e custa 300 reais. O maiô com o mesmo trabalho
sai por 2.210 reais. Também para brilhar, embora muito pouco apropriados
para a areia, são os modelos recobertos por pequenos quadrados
de cobre, como se fossem paetês, da Lenny. Cada biquíni consta
de 3.000 plaquinhas de metal cortado manualmente e banhado de betume para
ganhar o tom envelhecido. Pesa cerca de 800 gramas e custa 250 reais.
"Não é um biquíni para quem só vai dar um
pulinho na praia. Merece uma ocasião mais especial", reconhece
a estilista Lenny Niemeyer. Inovar, sem dúvida, dá trabalho.
Na oficina da Salinas, onde uma costureira faz 25 biquínis básicos
por dia, o modelo mais requintado (280 reais) da nova coleção,
com 8.000 canutilhos pregados manualmente num sutiã de crochê,
consome um dia e meio de agulha na mão.
As grifes nacionais criaram modelos mais elaborados e maiores
para exportar, viram que havia mercado e resolveram vender aqui também.
Apoiadas em idêntica constatação, e num investimento
têxtil inverso, as marcas de luxo americanas e européias
reduziram o que era grande demais e venceram: hoje o biquíni importado,
que já foi símbolo de breguice, não encalha mais.
A La Perla, grife conhecida pela lingerie carésima, vende cerca
de 600 dos seus por ano, a preços que superam os 900 reais. A Louis
Vuitton oferece um modelinho de praia paramentado com penduricalhos banhados
a ouro por 725 reais. A Dior, que fez um teste com sucesso no verão
passado, encomendou um estoque maior agora. "A mulher detesta encontrar
uma outra vestida igual na areia", diz Rosangela Lyra, diretora da marca
no Brasil. Como tudo na vida, a diferença tem seu preço:
o duas-peças francês pode chegar a 600 reais.
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