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Profeta do terror Enquanto
lia a última edição de VEJA, recheada de barbas e
fuzis, reparei num pingente de Jesus Cristo que carrego no pescoço
e cheguei a uma "irônica" coincidência: a de que Jesus Cristo
também era barbudo. Ignorando-se os anos-luz de importância
que separam Cristo de Osama bin Laden, pude concluir que os dois tinham
mais algo em comum: ambos arrebanharam multidões pregando sua fé.
Mas a grande diferença entre o profeta da paz e o profeta do terror
é que o primeiro morreu para salvar a humanidade; já o segundo
é capaz de matar a todos em causa própria ("O profeta do
terror", 17 de outubro). Se Osama
bin Laden e os líderes do Talibã glorificam tanto a morte,
que os levará ao paraíso e ao encontro de Alá, por
que não saem das tocas onde se escondem e se deixam atingir por
um míssil americano? ("O
míssil e o barbudo", 17 de outubro). Cumprimento
VEJA pela coragem e clareza ao falar do "profeta do terror". Se grande
parte da imprensa ocidental não fosse omissa, não teríamos
assistido ao 11 de setembro nem ao retorno dos homens da caverna tentando
destruir a civilização moderna. VEJA mostrou
nas últimas quatro semanas como se faz a cobertura de um assunto
tão amplo como os ataques terroristas aos Estados Unidos. Sem rodeios
e sem medo da verdade, mostra a realidade nua.
Em relação
ao editorial "O horror ao mérito" (Carta ao leitor, 17 de outubro),
cabe ressaltar que alguns professores, como eu, não aderiram à
greve. Mesmo assim estamos sem receber nosso salário. Diante disso,
o que fazer? Nossa classe está há sete anos sem reajuste
nem aumento salarial. Continuarei trabalhando, pois acredito que o governo
tomará as providências corretas. Lamentável a decisão
do ministro Paulo Renato. Antes de cancelar o pagamento dos servidores
faltosos, deveria procurar saber quem realmente está em greve.
Muitos professores
são profissionais pós-graduados e altamente qualificados,
ganham menos que um vereador de qualquer cidadezinha e bem menos que,
sem querer ofender, um pintor de paredes nos EUA. As universidades federais
estão em estado pré-falimentar, com enorme precariedade
de recursos para a ministração de aulas. A greve vai,
sim, "além das exigências de reposição salarial
e de mais verbas para o ensino". Ela vai em defesa de um patrimônio
público que se sucateia, de uma intenção explícita,
embora não declarada, de transformar os impostos pagos pelas parcelas
honestas da sociedade em investimentos sem retorno, cedidos à iniciativa
privada nas hordas de professores pós-graduados que se evadem das
instituições públicas em busca não apenas
de melhores salários, mas também de melhores condições
de trabalho.
Corajosas,
contundentes, mas objetivas, as declarações do reitor da
UFRJ (Amarelas, 17 de outubro) retratam a realidade que envolve e ofusca
parte da comunidade acadêmica conservadora. Nas claras entrelinhas,
mostra como medíocres, preguiçosos e incompetentes são
avessos a mudança, competição e crescimento. Preferem,
comodamente, acoitar-se à sombra do passado, do corporativismo
e de obsoletas atitudes ou palavras de ordem. As tentativas de criar outros
cursos ou cursos noturnos, estes para atender a grupos mais necessitados
que trabalham durante o dia, são sistematicamente boicotadas. Até
que enfim alguém tem a coragem de denunciar absurdos que acontecem
nas universidades brasileiras. Tudo o que ele falou sobre cursos longos
demais, falta de vagas para os jovens, falta de produtividade e corporativismo
dos professores é a mais cruel realidade, que só quem não
enxerga é a elite formada pelos professores e pelos privilegiados
que conseguem entrar nessas universidades.
Em nome
da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi),
parabenizo a revista VEJA pela iniciativa do lançamento da edição
especial sobre os jovens (VEJA Especial Jovens, setembro de 2001).
O suplemento está completo, abordando vários assuntos que
compõem o universo complexo da juventude brasileira: drogas, consumo,
sexualidade, militância social, ídolos, educação,
padrões de beleza e muito mais. A escolha de especialistas que
assinam artigos também foi muito feliz. Nós, da Andi, trabalhamos
especialmente para essa faixa etária, acompanhando todas as publicações
que se dedicam ao público adolescente e jovem no Brasil. Destacamos
a edição especial de VEJA em nossos boletins e acreditamos
que ela pode dar início a uma sintonia maior entre a revista e
os jovens brasileiros. Parabéns.
Tentar jogar
na mesma vala a idoneidade da CUT e a Força Sindical, como tentou
fazer a matéria "Os sindicalistas das arábias" (17 de outubro),
não contribui em nada. A CUT está tranqüila, coloca-se
à disposição da Justiça, do Ministério
Público e do Congresso Nacional para quaisquer esclarecimentos.
Com relação
à reportagem "Os sindicalistas das arábias", esclarecemos
que os sindicalistas Luiz Antonio de Medeiros e Jair Meneguelli, bem como
os empresários do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE)
que integraram a missão para conhecer a experiência do pacto
social israelense em 1988, tiveram suas despesas de viagem pagas pelo
governo de Israel.
Em referência
à reportagem "Partido? Que partido?" (10 de outubro) afirmo que
em nenhum momento recebi quantia alguma para a mudança partidária.
O trecho da matéria que envolve meu nome é, no mínimo,
infeliz, já que se baseia em "alguém disse", "comentava-se",
que são expressões muito vagas para a seriedade da questão.
Com relação
à matéria "Partido? Que partido?", esclareço que
não é verdadeira a informação de que eu teria
recebido vantagens para ingressar no Partido Liberal.
Ótima
a reportagem sobre Roberto Campos ("O homem que tinha razão", 17
de outubro), um dos poucos homens de seu tempo que ousaram rediscutir
os "consensos" sem deixá-los, por isso, transformar em dissensos
Lamentável
que a capa de VEJA não tenha sido sobre Roberto Campos. Existem
homens que mudam o mundo, uma cidade, um país. Tivemos um e não
soubemos aproveitá-lo verdadeiramente. Congratulo-me
com a revista VEJA pela rara proficiência e singular brilhantismo
com que se houve na reportagem in memoriam de um dos mais ilustrados
brasileiros, o cuiabano Roberto Campos. Democrata da mais elevada linhagem,
citava sempre o filósofo Karl Popper: "A democracia nem sequer
é um método para assegurar que os melhores assumam o poder,
é apenas para impedir que os piores se perpetuem no poder".
CORREÇÕES: Ao contrário do que foi publicado no quadro na reportagem "O destino do dinheiro" (17 de outubro), o deputado federal Flávio Derzi (PMDB-MS) foi eleito para sua terceira legislatura nas eleições de 1998, mas faleceu no dia 12 de agosto deste ano. * A cantora Gloria Trevi estava presa na carceragem da Polícia Federal, em Brasília, quando engravidou, e não no presídio da Papuda, como informou a seção Datas (17 de outubro). * O investimento de 400.000 reais na construção do laboratório especializado em quedas e fraturas de quadril e fêmur em idosos a que se refere a nota "Fraturas em idosos" (Para usar, 10 de outubro) foi feito pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
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