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Edição 1 723 - 24 de outubro de 2001
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Saída para a crise energética


Ana Araujo

Nova usina termelétrica em Cuiabá: dinheiro privado

Os ataques terroristas aos Estados Unidos, a reação militar que se seguiu e o pânico provocado pela ameaça da guerra biológica dominaram a atenção das pessoas em todo o mundo. No Brasil, questões consideradas graves antes que a crise internacional dominasse a atenção da opinião pública continuaram, nesse período, a oferecer desafios ao governo e à sociedade. Agora que arrefece um pouco a tensão no cenário internacional, descobre-se que muitas daquelas questões tiveram encaminhamento positivo. A crise energética é um exemplo disso. Embora o problema continue merecendo a maior atenção no Nordeste, onde os reservatórios permanecem em níveis críticos e a economia de eletricidade chegou apenas à metade do esperado, nas demais regiões do país o clima é de alívio. As metas de racionamento estão sendo cumpridas e as chuvas voltaram a cair no ritmo desejado, afastando, por enquanto, o espectro dos apagões.

Pegas de surpresa pela crise aguda de energia, num dos episódios mais patéticos do governo Fernando Henrique, as autoridades agiram com bastante eficiência para debelá-la. Providências de curto prazo contornaram seus efeitos mais danosos, minimizando os transtornos para a população. Outras medidas mostram-se agora ainda mais significativas. Entre elas, sobressai a decisão de construir 74 novas usinas geradoras de eletricidade, que vão somar-se a 104 outras já programadas. Em 2005, quando a maioria delas já estiver em atividade, vão produzir um total de 30.000 megawatts – quase a metade da atual capacidade do parque brasileiro. Esses empreendimentos representam mudanças importantes no perfil da geração de energia. No passado, a maior parte dos investimentos na área partia do Estado e se materializava na forma de gigantescas hidrelétricas. Agora, o dinheiro sai em parte do bolso da iniciativa privada e é utilizado para erguer principalmente pequenas e médias usinas termelétricas. São avanços que, se não afastam totalmente o fantasma da carência energética, mostram que a crise tem uma saída viável. Veja reportagem.

 
 
   
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