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![]() Foto: Frederic Jean |
![]() Foto: Moreira Mariz |
| Vários brasileiros tiveram problemas com os efeitos colaterais dos remédios da família do Redux. O diretor de teatro Cacá Rosset (à esq.) ficava agitado e sentia a boca seca. O deputado federal Roberto Jefferson, o maior peso pesado do Congresso, teve crises de insônia e chegou a ficar 47 horas seguidas sem dormir: "O remédio me fazia cheirar mal. Eu tinha um suor ácido" |
Que remédios restaram aos médicos para ajudar seus clientes a perder peso? Muito poucos. Desde que se descobriu que acelerar o metabolismo de queima de gorduras é perigoso e ineficaz, a medicina vinha obtendo sucesso ajudando a reprimir o apetite dos gordos. Era exatamente essa a função que as drogas proibidas na semana passada nos Estados Unidos cumpriam admiravelmente. "Precisamos desesperadamente de drogas novas capazes de combater a obesidade, que vem crescendo exponencialmente tanto nos países ricos quanto nos pobres", diz Morgan Downey, diretor da Associação Americana de Obesidade. Emagrecer sem ajuda química é muito difícil. Quase tão difícil quanto manter-se magro depois de perder peso com dieta ou ginástica. Segundo um estudo do NIH, o Instituto Nacional de Saúde americano, apenas 10% dos obesos que se exercitam e fazem dieta conseguem permanecer cinco quilos abaixo do peso original por mais de três anos.
Um dos motivos que tornam difícil perder peso é que o ato de comer é um dos maiores prazeres físicos que o ser humano pode experimentar. E comer é também muito fácil. Basta abrir a geladeira ou entrar na lanchonete. Pagam-se apenas 3 ou 4 reais por um sanduíche que reúne uma montanha de carboidratos e proteínas e outros 2 ou 3 para fechar a refeição com um extra de torta de chocolate. Pesquisas psiquiátricas mostram que a "memória hedônica", a lembrança de um momento de prazer, é muito mais forte entre os gordos do que entre os magros quando associada à comida. Outro acelerador do apetite é o stress da vida moderna. O stress diminui o nível de serotonina no sangue, provocando sensação de fome. "Pessoas estressadas comem o dobro do habitual", diz Fadlo Fraigi Filho, chefe do serviço de endocrinologia do hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo.
O problema é que no fim da linha o excesso na alimentação acaba se transformando num peso difícil de carregar. Nos Estados Unidos, 300.000 pessoas morrem a cada ano em decorrência de problemas atribuídos à gordura excessiva. No Brasil, são 200.000. Diante desses números, uma droga que substitua a dexfenfluramina e sua irmã gêmea é uma necessidade de saúde pública. Não está incluída nesses cálculos a multidão incomparavelmente maior, de centenas de milhões de pessoas, que quer emagrecer por uma razão igualmente dramática, o ajustamento psicológico e social a uma sociedade que considera a obesidade uma espécie de deformação dupla, do físico e da personalidade. Mesmo que o excesso de peso não seja grande, a pessoa dificilmente fica satisfeita consigo mesma quando é bombardeada o tempo todo por exemplares jovens e desumanamente bem torneados em anúncios publicitários, desfiles de moda, capas de revistas, novelas de televisão e na academia de ginástica que freqüenta. Para completar, o gordinho e a gordinha são motivo de zombaria na escola, não arranjam namorado na adolescência e perdem de concorrentes com inteligência inferior na hora de enfrentar o mercado de trabalho. É por isso que remédios para emagrecer são usados por tanta gente de peso saudável ou apenas ligeiramente acima do padrão recomendável.

Com a proibição do Redux e a condenação dos similares, as atenções se voltam para produtos que os laboratórios estão pesquisando na esperança de criar o grande milagre: a droga que permitirá a uma pessoa dar vazão a todo o seu apetite gastronômico mantendo um corpo de bailarina. "As melhores promessas só devem chegar às farmácias dentro de dois ou três anos", diz Downey (veja quadro). Dessas promessas, a mais espetacular é o Xenical, do laboratório Hoffmann-La Roche, um remédio que paralisa as enzimas que digerem a gordura. Com Xenical no organismo, uma picanha malpassada pesa tanto quanto uma saladinha de alface.
A investigação
que fechou o cerco sobre o Redux e culminou com sua
retirada do mercado foi uma orquestração complexa da
qual a ciência moderna pode orgulhar-se. O primeiro
passo, a cargo de um grupo de pesquisadores teimosos que
não aceitou a liberação do remédio no ano passado,
foi destruir os argumentos de defesa empregados pelos que
o liberaram para venda. O Redux chegou às farmácias sob
a justificativa de que, mesmo sendo um tanto perigoso,
ele acabaria salvando vidas, uma vez que a gordura por si
só seria, estatisticamente, centenas de vezes mais
mortal do que os efeitos colaterais do remédio. Para
aqueles pesquisadores existem pelo menos três razões
pelas quais o argumento da "gordura assassina"
é falacioso e deveria ter sido rejeitado. Primeira
razão: os riscos fatais associados à gordura
pressão alta, taxas elevadas de colesterol, diabetes e
distúrbios cardíacos
podem ser tratados individualmente por drogas já
conhecidas e de segurança comprovada. Segunda: 90% dos
comprimidos de Redux são engolidos por pessoas com 5 a
10 quilos acima do peso normal, excesso adiposo que, se
piora a aparência, não oferece risco de vida. Terceira:
nem se pode dizer com certeza que o Redux aumenta a
sobrevida dos "gordos mórbidos", aqueles a
quem os quilos a mais podem matar, antes de um estudo de
longo prazo, que dure de vinte a trinta anos.
O segundo passo, decisivo, foi bombardear
o FDA com o resultado de pesquisas recentes sobre o
estado de saúde dos pacientes que tomavam
dexfenfluramina ou fenfluramina. Nessa etapa,
descobriu-se que entre quarenta e cinqüenta pacientes
por milhão desenvolvem uma doença irreversível e
muitas vezes fatal, a hipertensão pulmonar, quando
tratados com Redux. Acreditava-se que esse número não
passava de dezesseis pacientes por milhão. Confirmou-se
também que o Redux, nas doses corretas, não oferece
risco ao cérebro. Tudo isso já se sabia. A brutal
novidade foi que o Redux, mesmo nas doses corretas e com
apenas poucas semanas de uso, pode ser um desastre para o
coração. "As novas descobertas nos obrigaram a
agir imediatamente. O risco, ficou claro, é mesmo muito
grande", disse Friedman.
Assustadoramente,
em nenhuma etapa da investigação inicial que precedeu a
aprovação do Redux se cogitou no FDA que ele fizesse
mal ao coração. Quando as pesquisas começaram a
mostrar a estreita relação entre o uso do remédio e o
surgimento de um grave distúrbio nas válvulas
cardíacas, o FDA se alarmou. Diversas clínicas ligadas
a universidades americanas perceberam esporadicamente o
problema em alguns de seus pacientes. Foi a Clínica
Mayo, o mais famoso hospital especializado em
diagnósticos do mundo, que acendeu definitivamente a luz
vermelha. Na pesquisa da clínica, 30% dos pacientes
tratados com pílulas para emagrecer à base de
fenfluramina desenvolveram sérios problemas nas
válvulas cardíacas. Nesses pacientes, o coração não
consegue bombear todo o sangue que entra no ventrículo
esquerdo. Parte do sangue é regurgitada pelas válvulas,
obrigando o coração a um extraordinário esforço
adicional para irrigar o organismo. O mais desastroso é
que em quatro de cada dez pacientes esse problema, no
começo, não provoca nenhum sintoma. Quando o médico o
descobre, pode ser tarde demais para o tratamento
cirúrgico
que consiste na retirada
da válvula doente para a implantação de uma prótese
animal (em geral, de porco).
A credibilidade da Clínica Mayo, cuja sede fica em Rochester, no Estado de Minnesota, é enorme. Entre os cientistas ela tem reputação firmada por décadas de pesquisa de primeiro nível. Há dois anos, a clínica ganhou ainda mais respeitabilidade ao provar sua isenção num estudo extenso sobre os efeitos do implante de silicone. Contrariando frontalmente o senso comum e alguns trabalhos isolados, os pesquisadores da Clínica Mayo provaram que o implante de silicone é absolutamente seguro. Sua pesquisa sobre os efeitos danosos da fenfluramina foi o estopim da crise que culminou com o recolhimento dos remédios na semana passada. Liderados pela cardiologista Heidi Connoly, os pesquisadores da Clínica Mayo chegaram mais perto de provar cientificamente que as drogas eram culpadas pelo dano cardíaco. "Não podemos afirmar que temos uma prova porque seria incorreto do ponto de vista científico, mas podemos anunciar que há uma associação muito próxima entre o uso da fenfluramina e o problema cardíaco", disse a VEJA a doutora Connoly.
Para o FDA, o estudo de Heidi Connoly teve o peso de uma prova. A doutora Connoly, primeiro, demonstrou que o dano às válvulas era causado por um agente químico externo, e não pelo fato em si de o paciente ser gordo. Em seguida, ela mostrou que alguns pacientes cujas válvulas danificadas foram retiradas e substituídas por implantes voltaram a apresentar problemas valvulares poucas semanas depois da cirurgia. Essas pessoas, relatou ela ao FDA, foram justamente as que continuaram tomando as pílulas de emagrecimento. O convencimento final de que o FDA precisava foi dado por um cardiologista da Universidade Brown. Ali, o coração de 25 pacientes gordos foi examinado à exaustão antes de eles tomarem fenfluramina. Nessa fase anterior ao uso do remédio, nenhum deles apresentou anomalias. Meses depois de entrarem em tratamento com as pílulas para emagrecer, os mesmos pacientes foram reexaminados. Um terço deles tinha desenvolvido problemas nas válvulas. "Quando se comparam os dois estudos lado a lado, não fica dúvida. Estamos diante de uma droga muito, mas muito perigosa mesmo para a saúde do coração", disse Friedman, do FDA.
"Em termos de dano à imagem imaculada de uma instituição, o Redux foi para o FDA o que a explosão da nave Challenger representou para a Nasa", associa Lewis Seiden, farmacologista da Universidade de Chicago, um dos consultores externos contratados pelo FDA para ajudar na avaliação dos efeitos secundários da droga para emagrecer. Seiden, um cientista de méritos e veterano colaborador do governo, ficou espantado, na época, com a rapidez com que o Redux conseguiu passar pelo crivo das autoridades americanas. Drogas semelhantes, algumas com a mesma composição, mas com dosagens um pouco diferentes, haviam sido detonadas pelo FDA ao longo dos últimos quinze anos, uma depois da outra, sem negociação. Com o Redux foi diferente. "Na melhor das hipóteses diria que o FDA foi brando demais com o pleito dos fabricantes do Redux", sintetiza Seiden. "Aquele processo me deixou muito intrigado."
Seiden não foi o
único a notar e registrar sua apreensão. Os cientistas
do FDA se diziam preocupados principalmente em definir
com clareza se o Redux, como os testes com cobaias
animais sugeriam, poderia causar algum dano ao cérebro
dos pacientes. Nos testes com voluntários humanos, o
Redux ministrado em doses corretas nunca provocara danos
cerebrais. O grande medo eram as doses excessivas. Havia
indícios de que bastaria um único descuido, um paciente
que engolisse duas cápsulas em vez de uma, para provocar
um acidente cerebral de alguma gravidade. Um estudo do
neurologista Mark Molliver, da Universidade Johns
Hopkins, não deixava dúvida sobre a questão da dosagem
excessiva. "Um remédio com esse potencial de risco
não pode ser vendido em farmácias e só deve ser
ministrado em hospitais ou clínicas por profissionais
treinados", escreveu Molliver. As autoridades do FDA
leram o alerta
e o engavetaram.
Soube-se na última semana que o Redux seguiu sua rota rumo à aprovação, triunfantemente anunciada em abril de 1996, passando pelos porões do FDA. Médicos americanos que de uma maneira ou de outra se envolveram no processo e foram voto vencido na condenação do medicamento relembraram o episódio na semana passada. Em cartas às revistas especializadas de medicina e nas áreas de discussão profissional da Internet, eles contam que numa reunião decisiva saíram do prédio do FDA convencidos de que o Redux estava morto e enterrado. Mais tarde souberam que, numa manobra que lembra uma das maracutaias do futebol brasileiro, o assunto voltou à pauta e o remédio acabou sendo aprovado.
"A votação oficial foi de 5 a 3 contra a aprovação do Redux", contou um dos médicos que participaram da reunião. Estranhamente, horas depois, quando os médicos mais exigentes haviam saído, outra reunião foi convocada às pressas por um funcionário de segundo escalão do FDA chamado James Bilstad. Foi assim que o Redux teve sua venda aprovada. Assustados com a decisão, os médicos contrariados tentaram reabrir o processo. Inútil. O máximo que conseguiram foi colocar uma cláusula condicional no texto final da aprovação obrigando o laboratório Wyeth-Ayerst a fazer testes de acompanhamento do uso continuado do remédio. Os testes nunca foram feitos. Com o dinheiro que deveria ser gasto na avaliação, o Wyeth-Ayerst pagou um pesado lobby para convencer o FDA a passar uma borracha na cláusula condicional.
O sentimento de culpa dos laboratórios é tão pesado no caso do Redux que ninguém, na semana passada, acreditava que novos testes possam trazer de volta o remédio. O trabalho da Clínica Mayo, embora não definitivo, mostrou-se uma condenação poderosa. "Ambos, o Redux e a fenfluramina, estão mortos e sepultados. Não existe a menor possibilidade de que venham a ser reabilitados", disse Edmund Debler, analista do mercado farmacêutico da Mehta e Isaly, consultoria de Nova York. "O que estamos presenciando é um dos mais sérios incidentes de danos pessoais provocados por uma droga legal", declarou Thomas J. Moore, um respeitado pesquisador de saúde pública da Universidade George Washington. Mesmo diante da confusão do Redux, é bobagem achar que o FDA é uma arapuca, um ninho de conspiradores a serviço do lucro fácil da indústria farmacêutica. O instituto tem uma longa folha de serviços prestados. Os moradores dos Estados Unidos e, por extensão, de quase todos os países do mundo, que tendem a adotar suas decisões na área dos remédios e da fiscalização da pureza dos alimentos, beneficiaram-se muito com a existência do FDA. Basicamente foram as diretrizes do órgão que criaram a base teórica para analisar a eficácia e a segurança dos remédios vendidos no mundo hoje.
O que ocorre, e que o episódio Redux faz saltar aos olhos com veemência, é o fato de que, talvez, nem o FDA, com o seu megaorçamento de quase 1 bilhão de dólares, seja suficientemente aparelhado para dar o veredicto final sobre todos os remédios. "É hora de perguntar se é possível manter tanto poder nas mãos de uma instituição cara, burocrática e lenta como o FDA", dispara a pesquisadora Joanna Siegel, da Universidade Harvard. "Os consumidores americanos e as autoridades de saúde de outros países, como o Brasil, estão certos em começar a desconfiar das decisões do FDA", diz Sam Kazman, pesquisador do Instituto de Estímulo à Competição Empresarial. Kazman salienta que a probabilidade de erro vai inclusive crescer à medida que aumentar o número de produtos lançados no mercado. Segundo ele, é melhor tomar os veredictos do FDA apenas como ponto de partida, reavaliando-os sempre. O caso Redux mostra que essa regra, infelizmente, ainda não foi assimilada.
Os Redux brasileiros
Após a proibição dos medicamentos com fenfluramina ou dexfenfluramina nos EUA, três fabricantes desses remédios no Brasil decidiram, espontaneamente, retirá-los do mercado. Saíram o Isomeride, o Fluril e o Minifage. Continuam à venda o Delgar e o Lipless. As farmácias de manipulação continuam aviando receitas com as substâncias. Recomenda-se às pessoas que tomam esses comprimidos entrar em contato com seus médicos. E, se o tratamento durar mais de um ano, por segurança os médicos sugerem um ecocardiograma. |
O melhor efeito da proibição das pílulas de dieta será acelerar a busca de remédios de emagrecimento que sejam mais eficazes e mais seguros. Estão em teste nos grandes laboratórios mundiais alguns medicamentos promissores. A mais esperada de todas as novas armas de combate à obesidade é o Xenical, do laboratório Hoffmann-La Roche. Ele vem queimando etapas no processo de aprovação no FDA e, se tudo correr bem, estará à venda no final de 1998. O Xenical poderia chegar mais cedo às farmácias, mas o FDA pisou no freio depois que encontrou um leve aumento do número de casos de câncer de mama entre os 4.000 voluntários que há três anos testam a segurança e a eficácia da nova droga. Entre as mulheres que tomam Xenical houve aumento de casos da doença da ordem de 2,8% em comparação com as mulheres do grupo de controle, aquelas que receberam apenas placebo, ou seja, uma cápsula sem nenhuma substância ativa dentro. "Muito provavelmente o aumento do número de casos de câncer foi um desvio estatístico. Estamos muito confiantes nesse medicamento", disse Patrick Zenner, presidente do Hoffmann-La Roche.
O Xenical tem a enorme vantagem de, no jargão médico, ser uma droga "não-sistêmica". Isso significa que seus ingredientes não são absorvidos pelo estômago ou intestinos e, conseqüentemente, não entram na corrente sanguínea. O Xenical funciona como um filtro que impede a digestão de parte da gordura contida nos alimentos e, uma vez feito seu trabalho, é expelido. Com o nome científico de Orlistat, ele é um inibidor da atividade enzimática dos sucos gástricos envolvidos na quebra das moléculas de gordura. A presença dele no estômago e no intestino faz com que 30% da gordura ingerida seja eliminada antes que o organismo tenha tempo de absorvê-la. Oito em cada dez voluntários que vêm tomando experimentalmente o Orlistat (três cápsulas de 120 miligramas, três vezes ao dia) perderam 10% do peso e têm-se mantido assim. Os efeitos colaterais mais comuns foram diarréia e desconforto abdominal passageiro.
Outra substância, a sibutramina, que também estava em fase final de aprovação pelo FDA, deve ficar na gaveta. Sintetizada pelo laboratório Knoll, ligado ao grupo alemão Basf, a sibutramina age de modo muito semelhante ao Redux, aumentando a quantidade de serotonina em circulação no organismo. A serotonina é um dos neurotransmissores, substâncias que estimulam o cérebro influindo no humor das pessoas e diminuindo o apetite. Na pesquisa da Clínica Mayo que deflagrou a proibição do Redux, justamente a serotonina em excesso foi apontada como a causa mais provável dos danos às válvulas cardíacas. Deve ganhar fôlego, porém, um novo remédio fabricado pelas modernas técnicas da engenharia genética, o Leptin, do laboratório Amgen. O Leptin é a versão sintética da leptina, uma proteína natural envolvida na contenção do apetite. O remédio andava desacreditado depois que se constatou que magros e gordos fabricam a mesma quantidade desse hormônio. Descobriu-se recentemente que o segredo está na maior capacidade do cérebro dos magros de se deixar comandar pela leptina. O OB-Receptor, remédio em teste também do Hoffmann-La Roche, se propõe justamente a fazer os neurônios dos gordos funcionar como os dos magros, tornando-os mais suscetíveis à ação inibidora do apetite da leptina.
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