BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2079

24 de setembro de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Claudio de Moura Castro
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Patrimônio
Assim seja

A Primeira Missa no Brasil inaugura a restauração
do principal acervo de pintura do século XIX do país


Montagem com fotos de Museu de Belas Artes e Davi Ferreira/Coppe/UFRJ

RENASCIMENTO
O quadro restaurado e sob raios X: diagnóstico e tratamento

A Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles, é uma daquelas obras cujo valor transcende o mérito artístico. Pintada em 1860, a cena em que frei Henrique de Coimbra ergue o cálice, cercado por religiosos, soldados e índios assombrados, faz parte do imaginário coletivo nacional. O quadro, uma das pérolas do Museu Nacional de Belas Artes, foi o primeiro do acervo a ser submetido a um minucioso trabalho de restauração. Até maio de 2009, outros vinte terão recebido o mesmo tratamento dado à obra mais conhecida de Meirelles, que se vê acima. Da lista, constam nomes como Pedro Américo, Eliseu Visconti, Félix Taunay e outros artistas que fazem do acervo do MNBA referência da pintura brasileira do século XIX.

Depois de quase 150 anos e três restaurações desastradas, A Primeira Missa estava coberta por verniz envelhecido e poeira. Parecia estar sob um vidro embaçado e sujo, que tirara o viço das cores e apagara nuances. A paisagem que dá profundidade ao quadro se transformara em plano chapado. Uma bateria de exames de imagem ajudou a localizar as partes da pintura que necessitavam de reparos. Foram identificados e recuperados os contornos e cores originais. "Foi o trabalho de restauração mais complexo já feito no Brasil", diz José do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan.

O desafio inicial básico nesses casos é evitar que ocorram na pintura original danos ainda maiores do que aqueles provocados pelo tempo. A tela, que mede 2,68 por 3,56 metros, estava esgarçada em várias partes. Nas restaurações anteriores, trechos danificados haviam sido grosseiramente cobertos com gesso e repintados. Para guiar essa recuperação física, foi utilizada a radiografia computadorizada, exame que detecta rachaduras e os trechos em que a tela está mais frágil. A segunda parte da restauração baseou-se no diagnóstico feito por fluorescência de raios X, técnica que identifica a composição química das tintas usadas no trabalho original e nas intervenções. Isso permite ao restaurador escolher com perfeição o pigmento mais adequado. É uma tecnologia utilizada nos melhores museus do mundo, e teve sua versão brasileira desenvolvida pela Coppe/UFRJ. O restauro demandou nove meses de trabalho.

Muitas surpresas se produziram quando grandes obras de arte européias foram submetidas às mesmas tecnologias usadas agora no Brasil. As mais surpreendentes são os rascunhos sob os auto-retratos de Rembrandt (1606- 1669), mostrando que seu domínio magistral das técnicas de composição era fruto de muita experimentação. Um estudo dos pigmentos utilizados por outro genial holandês, Johannes Vermeer (1632-1675), revelou que ele empregava matérias-primas raras trituradas, como o lápis-lazúli originário do Afeganistão. A restauração de A Primeira Missa não trouxe à luz revelações extraordinárias. Mas demonstra que é possível um museu brasileiro tratar seu acervo com cuidado e tecnologias de primeira linha. É uma grande notícia.



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |