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Edição 2079

24 de setembro de 2008
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Claudio de Moura Castro
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"Se não fosse o gosto, o que seria do amarelo?" É. Mas, também, o que seria do azul? E do vermelho?
Qual vocês preferem:
o status quo de agora
ou o de antigamente?

LIVROS A MANCHEIAS

O livro, caindo n’alma, é germe que faz a palma, é gota que faz o mar.
Castro, o Alves

RESTOS
(Mário Araújo – Bertrand, 188 págs.)

Os contos (?) do escritor paranaense são observações angustiantes do mundo que vivemos normal. Não pretendem ter fim, se é que têm princípio, vão além do fundo. Estilisticamente precisos em sua estonteante imprecisão. Às vezes sufocantes. Mário é um escritor perigoso.

PAISAGEM VISTA DO TREM
(Antonio Calloni – Papirus 7 Mares, 92 págs.)

É ele mesmo, o ator, e com a mesma alta qualidade. Só que, na literatura, refinado e ambicioso, Calloni é experimental. Coisa difícil de ser,
na televisão. Ah!, bela capa
de Fernando Cornacchia.

HENFIL NA CHINA – ANTES DA COCA-COLA
(CODECRI, 308 págs.)

Só agora, trinta anos depois, leio a gloriosa viagem à China feita pelo Henfil. Bom que só agora eu o leia e veja, certificada pelo tempo, a consciência político-social do velho companheiro. Visitou locais praticamente proibidos daquela China pós-Canalha dos Quatro, como a essa altura eram chamados os destronados autores de uma das mais originais e monstruosas invenções ditatoriais de todos os tempos: a REVOLUÇÃO CULTURAL.

Henfil encara o assunto sem exagerar o horror pela canalha, agora permitido. O país ainda não suspeitava que em todas as lutas, mesmo com outro nome, quem ganha é a Coca-Cola.

Talento extraordinário, ansioso pela vida, encantado pelo que outrora se chamava a fêmea da espécie, Henfil pagou um preço caro por isso. Como escrevi uma vez sobre ele, "os deuses, todos sabemos,
são invejosos".

EM TEMPO: a CODECRI, editora do Pasquim, foi batizada pelo próprio Henfil: COMITÊ DE DEFESA DO CRIOLÉU.

HUMOR POLITICAMENTE INCORRETO
(Nani – L&PM, 199 págs.)

Ernani Diniz, o Nani, não é de brincadeira. Onde vê qualquer coisa politicamente correta ele entra na contramão sem buzinar. Desenhista nervoso (trabalha rápido e sem nenhuma intenção de realizar obras-primas), é também escritor humorístico que posso definir de modo igual. Conseqüentemente tem produção intensa, mas com 100% de eficiência no seu objetivo: bagunçar o coreto e mostrar que o Rei está com a braguilha aberta e a bunda de fora. Profissional do mesmo ramo, mais uma vez eu me surpreendi rindo sozinho. Não muito, apenas duas vezes em cada página.

DIÁRIO DE UMA VIAGEM A TIMOR. 1882-1883
(Maria Isabel D’Oliveira Pinto da França Tamagnini – Cepesa.
Porto, 88 págs.)

A viagem que a quase menina, 20 anos, Maria Isabel registra em diário naquele remoto mundo, naquele remoto tempo, tão português e tão próximo de nós, tão longe e ainda aqui, em nossa solidão. De Cingapura a Dili, quando ainda não havia telefone celular, na verdade não havia nada, num mundo romanticamente melhor, cruelmente pior.

NINGUÉM É PERFEITO
(Jaguar – Desiderata, 96 págs.)

Editado há tempos na Argentina, lançado em Buenos Aires (Jaguar é fogo, palavra que convida a sinônimo chulo) e relançado aqui pela Desiderata, Ninguém é Perfeito só erra no título. Olhem os desenhos, riam e pensem no que eles propõem. Jaguar é perfeito. Nisso!

EM TEMPO: esplêndido, como sempre, o projeto gráfico do Odyr Bernardi.

 



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