Edição 1821 . 24 de setembro de 2003

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DVDs

Garotas! Garotas! Garotas!, Meu Tesouro É Você, No Paraíso do Havaí, O Seresteiro de Acapulco (Estados Unidos, 1962 a 1967. Paramount) – É bom deixar claro que nem Elvis Presley jamais chegou a ser um ator competente, nem os filmes que fez têm algum mérito cinematográfico. Mas, com títulos tão brilhantes como Garotas! Garotas! Garotas! (o melhor desta safra que está chegando às lojas), isso não tem a menor importância. As tramas são sempre idênticas: em alguma locação exótica, o mulherio se atira sobre Elvis, que canta e rebola muito (embora aquém do esperado em O Seresteiro de Acapulco, que também sofre de um excesso de mariachis em cena), enquanto se decide pelo verdadeiro amor. Deixe de lado apenas Meu Tesouro É Você, fraquinho até para o padrão Elvis de qualidade.

F. J. Lucas

Klaus Kinski, em Aguirre: no coração das trevas


Aguirre, a Cólera dos Deuses
(Aguirre, der Zorn Gottes, Alemanha, 1972. New Line) – Uma verdadeira jornada até o coração das trevas é o que o cineasta alemão Werner Herzog alcançou aqui. No auge de seu talento – o início dos anos 70 – e com seu característico estilo febril, Herzog narra a história da expedição do conquistador espanhol Francisco Pizarro ao Peru, no século XVI, em busca do mítico Eldorado. Aguirre (Klaus Kinski, em seu melhor papel), um de seus comandantes, toma à força a liderança de uma equipe de reconhecimento. Poucas vezes um retrato da ganância e insensatez que acometem os homens que se acreditam próximos de um tesouro ganhou uma representação tão literal – a violência é grande – e ao mesmo tempo tão carregada de simbolismo. Visto a uma distância segura de três décadas, o filme permanece uma obra-prima.

 

LIVROS

Idéias – Da Cultura Global à Universal, de Sergio Paulo Rouanet (Unimarco; 215 páginas; 18 reais) – Trata-se de uma coletânea de artigos escritos pelo filósofo, diplomata e ex-ministro para o caderno Idéias, do Jornal do Brasil, entre 1996 e 2000. Dono de uma cultura caudalosa e de uma capacidade de análise ímpar, Rouanet tece, a partir de considerações sobre autores ou episódios do passado, um painel sobre vários aspectos da sociedade contemporânea, entre eles o processo que hoje tende a vigorar no âmbito das relações internacionais: o da otimização do ganho. Contra isso, Rouanet propõe uma diferenciação entre cultura global, nociva, e cultura universal, salutar.

Anjos Caídos, de Tracy Chevalier (tradução de Beatriz Horta; Bertrand Brasil; 380 páginas; 39 reais) – Em seu romance de estréia, Moça com Brinco de Pérola, a americana Tracy Chevalier construiu uma bela ficção baseada no quadro homônimo do século XVII, do pintor holandês Johannes Vermeer. Nesse segundo livro, ela faz outra reconstituição de época competente – agora, do início do século XX. A abastada Kitty Coleman costuma levar sua filha e uma amiga dela para brincar num cemitério londrino. Em segredo, porém, Kitty e uma empregada da família usam o local para encontrar seus amantes. Sob essa trama, o livro fala das mudanças de valores por que passou a sociedade inglesa no final da era vitoriana. Leia trecho do livro.

 
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Crais: de roteirista de Miami Vice a autor de prestígio

 

Réquiem em Los Angeles, de Robert Crais (tradução de Miriam Campello; Record; 448 páginas; 52 reais) – O americano Robert Crais é autor da celebrada série de romances criminais protagonizados pelo investigador Elvis Cole – um sujeito duro na queda, mas um tanto sensível às tragédias humanas. Em Réquiem em Los Angeles, o detetive arrisca o pescoço para ajudar seu assistente, um ex-policial, a encontrar uma namorada desaparecida. Nessa busca, a dupla enfrenta um serial killer. Antes de lançar seu primeiro livro, em 1987, Crais já gozava de fama na condição de roteirista de séries como Baretta e Miami Vice.

 

DISCOS

 
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Norah Jones: seis faixas inéditas

 

New York City, Peter Malick & Norah Jones (Sum) – Há três anos, o guitarrista e produtor americano Peter Malick topou com uma cantora iniciante chamada Norah Jones num estúdio de Nova York. Ele gravou seis faixas com a vocalista – além de outras músicas com mais três cantoras – e nunca mais ligou para o projeto. Até o dia em que Norah vendeu 7 milhões de cópias de seu disco de estréia e papou oito prêmios Grammy. Malick, então, soltou New York City, somente com as faixas gravadas por Norah antes da fama. O CD traz canções que fogem ao estilo baladeiro da moça. É o caso de Strange Transmissions e de Deceptively Yours, com um bem-vindo sotaque rock.

Duran Duran e Seven & Ragged Tiger, Duran Duran (EMI) – Os cinco integrantes do grupo inglês chegaram à fase da vida em que começam a ser chamados de "tiozinhos". Sua música, porém, provou-se imune ao tempo. Lançados respectivamente em 1981 e 1983, Duran Duran e Seven & Ragged Tiger (agora em versão remasterizada) foram o auge de um movimento batizado de "new romantic". Consistia em vestir os filhos do movimento punk com roupas chiques e trocar a guitarra mal tocada por pilhas de teclados. O Duran Duran não apenas tinha integrantes mais bonitos que a média, como suas canções eram melhores para dançar. Girls on Film, Is There Something I Should Know e The Union of Snake, entre outros destaques desses dois álbuns, são de dar vontade de pular na pista de dança mais próxima.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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