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Ambiente
O
crime da motosserra
O desmatamento cresce
como
nunca no Acre enquanto o PT
faz o governo da floresta

Leonardo
Coutinho
As
imagens de satélite analisadas no Instituto de Pesquisas
Espaciais (Inpe) mostram que o desmatamento no Estado do Acre está
avançando no ritmo de dezesseis campos de futebol por hora.
Trata-se de uma descoberta duplamente surpreendente. Primeiro, porque
essa é a mesma velocidade de destruição observada
nas bordas da floresta mais atacadas pelas queimadas e pelos madeireiros.
Segundo, porque o governo petista de Jorge Viana em seu segundo
mandato tem entre suas principais plataformas a preservação
e o aproveitamento racional da natureza. Os cálculos dos
cientistas revelam que, nos últimos vinte anos, o desmatamento
aumentou justamente depois da posse de Viana, em 1999. Até
hoje, o Acre já perdeu 11% de sua cobertura florestal e,
só no último ano, a devastação alcançou
cerca de 1% das matas naturais. Nesse andamento, o Estado chegará
ao fim deste século com a paisagem de um estacionamento.
"É uma destruição horrorosa", diz o cientista
Dalton de Morisson Valeriano, gerente do Programa Amazônia,
do Inpe, e coordenador do monitoramento por satélite. "Estamos
aprimorando os dados para obter precisão ainda maior."
Em quase todo o país, as autorizações de desmatamento
são emitidas pelo Ibama. Mato Grosso tem um instituto que
divide com o órgão federal essa responsabilidade,
e o Acre foi o primeiro a assumir totalmente a gerência desses
processos, em 1999, por intermédio do Instituto de Meio Ambiente
(Imac). Só no ano passado, o órgão liberou
mais de 10.000 licenças. O diretor do instituto, Nilton Cosson,
não aceita os dados recentes do Inpe. "Essa metodologia dá
uma visão exagerada", diz. "Aqui o desmatamento só
cai." O Inpe garante que suas fotos são agora até
mais precisas do que em anos anteriores. A prioridade do Estado,
conforme as explicações oficiais, é aprovar
projetos de reservas extrativistas e de exploração
com reflorestamento, mas os colonos ainda insistem nos cortes e
nas queimadas. O agrônomo Judson Ferreira Valentim, pesquisador
da Embrapa, lembra, porém, que a pecuária é
a atividade mais comum nas propriedades rurais do Acre. "O avanço
das pastagens é que está criando esse quadro", afirma
Valentim. Até dentro das reservas naturais já há
criação de gado, informa o professor Élder
Andrade, pesquisador da Universidade Federal do Acre. "Só
pode haver seringueiros comprando gado com o dinheiro destinado
ao extrativismo", aposta Andrade.
Outro sinal de que as motosserras cortam pesado são as exportações
de madeira do Acre, que aumentaram 279% em apenas um ano. Enquanto
a venda de borracha e derivados representa 11,5% das exportações
do Estado, a de madeira e seus subprodutos significa 70% do comércio
exterior. Na semana passada, enquanto o governador Jorge Viana retornava
de uma longa viagem com uma escala na África do Sul,
para receber um prêmio ambiental do Fundo Mundial da Natureza
, sua assessoria fazia contas para entender e explicar as
fotos do satélite.
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