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Diogo
Mainardi
Escola
é perda de tempo
"Pelas
estatísticas oficiais,
60% dos
alunos
da 4ª série não sabem ler nem
efetuar as quatro operações. Os filhos
dos pobres aprenderiam muito mais
se ficassem o dia inteiro assstindo a
reprises
do Scooby-Doo na televisão"
O Estado paga aos pobres para manterem seus filhos na escola. É
um mau negócio para todo mundo: custa caro para o Estado
e os filhos dos pobres não aprendem nada. Pelas estatísticas
oficiais, 60% dos alunos da 4ª série não sabem
ler nem efetuar as quatro operações. Ou seja, a escola
é uma completa perda de tempo para eles. Aprenderiam muito
mais se ficassem o dia inteiro assistindo a reprises do Scooby-Doo
na televisão. Os pobres deveriam ser pagos para manter seus
filhos em casa.
Desde que assumiu o cargo, o ministro da Educação,
Cristovam Buarque, repete que o importante não é medir
a quantidade de alunos nas escolas, mas a qualidade do ensino. Ele
sempre pede mais recursos para atingir o objetivo. Chega até
a incitar passeatas de estudantes contra seu próprio governo.
Quando é hora de agir, porém, Cristovam Buarque esquece
tudo isso e promete erradicar o analfabetismo oferecendo cursos
de seis meses a 20 milhões de iletrados. Quantidade, não
qualidade. Basta ler um jornal para perceber que se trata de mais
um embuste eleitoreiro. A sorte dos nossos governantes é
que os brasileiros são analfabetos e não conseguem
entender um artigo de jornal.
Para melhorar a qualidade de ensino, o Ministério da Educação
criou um provão para professores. O provão é
voluntário. O professor pode ou não se submeter a
ele. Difícil entender a lógica dessa medida. Se um
professor não sabe sua matéria, é melhor demiti-lo.
Se uma escola não ensina, é melhor fechá-la.
O salário dos professores demitidos deveria ir para o bolso
dos professores competentes. O dinheiro das escolas fechadas deveria
ir para as escolas que sabem ensinar. Se faltarem professores competentes
para atender a todos os alunos do país, a solução
é o telecurso. Uma televisão em cada sala de aula.
Os professores incompetentes podem ser convertidos em bedéis.
Outro problema das escolas brasileiras é o currículo.
Tem coisa demais. Pretende-se que os alunos do ensino básico
aprendam até ética e filosofia moral, os chamados
temas transversais. O Ministério da Educação
determina que o aluno seja ensinado a "compreender a cidadania como
participação social e política, adotando no
dia-a-dia atitudes de solidariedade e repúdio às injustiças".
A prefeitura de São Paulo conta a mesma lorota. O maior instrumento
de propaganda eleitoral da prefeita Suplicy é o Escolão,
uma mistura de Projeto Cingapura com Piscinão de Ramos. De
acordo com a prefeitura, a função dessas escolas é
promover a "integração do cidadão na sociedade".
Qual cidadão? Um garoto de 7 anos não é um
cidadão, é apenas um garoto de 7 anos. Ele não
precisa ser integrado à sociedade, só precisa aprender
a ler. Ele não precisa de uniforme nem de merenda, só
precisa decorar a tabuada. A escola não pode ser vista como
um remendo para todas as nossas carências sociais. Atenção:
sempre que um petista usa o termo cidadão, é porque
ele quer meter a mão no seu dinheiro.
Tudo indica que Cristovam Buarque será mandado embora do
Ministério da Educação. Certamente saberão
substituí-lo com alguém ainda pior.
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