Edição 1821 . 24 de setembro de 2003

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Entrevista: Milene Domingues
Cada um na sua

A mulher de Ronaldo diz que
"existe vida fora do casamento"
e que não quer ficar com
o dinheiro dele


Sandra Brasil

 

Felipe Varanda/Folha Imagem

"Não quero ficar rica à custa de ninguém. Posso trabalhar e ter meu dinheiro. A maior fortuna, meu filho Ronald, fica comigo"

Há alguns dias, o artilheiro Ronaldo posou para uma sessão de fotos ao lado da modelo e apresentadora da MTV Fernanda Lima. Como não é a primeira vez que os dois se encontram, algumas línguas maldosas trataram de espalhar boatos a respeito dessa amizade. Desde que se casou com o jogador, quatro anos atrás, a paulistana Milene Domingues, 24 anos, já ouviu várias histórias sobre o envolvimento de seu marido com modelos, dançarinas... No princípio do casamento, tais comentários a incomodavam muito. Agora, não mais. Nos últimos meses, o relacionamento entre a Rainha das Embaixadinhas e o Fenômeno esfriou, e o casal passou a viver no estilo ele para um lado, ela para o outro. No mesmo dia em que Ronaldo aparecia na imprensa, Milene desembarcava em Washington, onde disputará o mundial feminino pela Seleção Brasileira de Futebol. Antes de viajar, ela recebeu VEJA para uma entrevista. Falou sobre sexo, dinheiro, infidelidade e contou que não é contra a separação. "Nem faria disso meu sofrimento", disse. "Sei que a maior fortuna, meu filho Ronald, fica comigo." Eis a entrevista:

Veja – Você e Ronaldo estão se separando?
Milene – Nem eu sei explicar direito nossa situação. Eu e o Ronaldo moramos na mesma casa, mas passamos por uma fase difícil. Diferentemente do começo do nosso casamento, não cobro nada dele, nem ele de mim. Antigamente, o relacionamento era outro. Quando o Ronaldo saía com os amigos e voltava das festas às 2 horas da manhã, eu estava lá assim, de braços cruzados, esperando. Mesmo que estivesse com sono, não cedia. Esperava ele voltar. Hoje em dia, o Ronaldo sai e eu durmo a noite toda. Antes, minha vida girava em torno dele, em função da agenda e das necessidades do Ronaldo. Ele era o centro das minhas atenções, a razão da minha felicidade. Agora, ele faz parte da minha felicidade. Não sei o que o Ronaldo está fazendo neste instante, não tenho detalhes da vida dele, e o mesmo acontece de lá para cá. O Ronaldo não sabe da minha vida. A gente se fala todo santo dia, mas um não fica querendo saber se o outro vai sair ou a que horas chegou.

Veja – Mesmo num clima desse você gostaria de ficar casada com Ronaldo para o resto da vida?
Milene – Sim. Mas não fico cobrando do Ronaldo uma definição sobre nosso casamento porque acho que o tempo é o melhor remédio.

Veja – E ele? Que impressão você tem a respeito do sentimento de Ronaldo?
Milene – Não sei. Sugiro que essa pergunta seja feita a ele. Mas acho que alguma coisa forte existe, porque, apesar de toda essa divulgação da crise do nosso casamento, continuamos juntos. O homem tem a tendência de desistir mais rápido de um relacionamento. A mulher se dá mais, dedica-se mais. Quer continuar com o marido, com o namorado. Tenho definido que ficaria casada pelo resto da vida. Mas, se não estiver dando certo, não sou contra a separação, nem faria disso meu sofrimento.

Veja – Ainda existe atração sexual entre vocês?
Milene – Muito, muito forte! Há uma química forte. O casamento não é só atração física, mas é uma parte importante da vida a dois. O Ronaldo me diz que se sente atraído pelo fato de eu ter cara de menina e me entregar de corpo e alma. Fala que é um fetiche. Quando a gente se encontra, vale a pena! Nós nunca fomos de ficar falando "eu te amo". Prefiro os gestos carinhosos às declarações de amor.

Veja – Quando aconteceu o último gesto de carinho?
Milene – Ixe! Faz tanto tempo que não vejo o Ronaldo... Ver, eu vi aqui na concentração (em Teresópolis), mas a gente não ficou junto. Eu estava com a seleção feminina num hotel, e ele no alojamento da CBF. Nós nos vimos no treino, em campos separados.

Veja – O que deflagrou a crise no casamento?
Milene –
Não há uma causa isolada. Os problemas do cotidiano foram se acumulando e houve um desgaste no relacionamento. Seria mais justo dizer que foi um pouquinho de tudo.

Veja – Daí a decisão de tirar a aliança.
Milene – O Ronaldo e eu decidimos mandar polir as alianças. Na volta, resolvemos não colocá-las mais no dedo. Tudo aconteceu sem briga, sem uma razão específica. A decisão envolve um momento mais infantil do que racional de nossa parte. Sabe? Foi na linha "não vamos mais usar e acabou". Não pensamos nisso como um símbolo do fim do casamento.

Veja – Por que os jogadores de futebol fascinam tanto algumas mulheres?
Milene – Muitas delas fazem tudo por um minuto de fama, por uma oportunidade de aparecer. Quando sai publicado que uma mulher foi vista com um jogador, e o mesmo acontece quando ela sai com um artista, o passo seguinte é o assédio. As mulheres conseguem trabalho por pelo menos três meses. Algumas acabam posando nuas, ganham dinheiro. Os jogadores se referem a essas mulheres de forma pejorativa em função da determinação com que buscam a fama. Por causa disso, quando eu fazia embaixadas, dizia que não me casaria com um jogador de futebol. O jogador treina muito, viaja o tempo todo, concentra-se, não pára em casa. E ainda tem as mulheres dando em cima.

Veja – Mas, ainda assim, você namorou o Ronaldo.
Milene – Nossa história foi diferente. Não fui atrás dele. Ele quis me conhecer. Começamos a sair e surgiu uma grande paixão. Queríamos viver tudo naquele momento. Fiquei grávida e fui morar com o Ronaldo.

Veja – Se você não engravidasse de Ronaldo durante o namoro, o casamento teria acontecido?
Milene – Tão rápido, acho que não. Eu falei para o Ronaldo que a gente não precisava se casar por causa da gravidez. Mas a gente decidiu que queria se casar.

Veja – Se o Ronaldo fosse pobre, você teria ido para a cama com ele e engravidado no começo do namoro?
Milene – Não foi o sucesso nem o dinheiro do Ronaldo que me atraíram. Ele é uma pessoa apaixonante. Quem o conhece bem esquece logo que ele é aquele fenômeno no gramado, aquele ídolo. Dentro de casa, a gente leva uma vida normal. A gente canta no videokê, vai correr pelo jardim de pega-pega com nosso filho. Em casa, ele é uma pessoa normal. Isso é o que mais atrai nele.

Veja – Quando você se casou com Ronaldo, a fortuna dele era estimada em 20 milhões de dólares. De lá para cá, ele tem recebido por ano cerca de 12 milhões de dólares. A fortuna deve ter triplicado. Com um eventual divórcio, você seria uma mulher rica?
Milene – Eu nem penso nisso. Sou leiga nesse negócio de dinheiro. Sei que me casei com separação total de bens, e foi até por uma escolha nossa. O Ronaldo assinou um contrato vitalício com a Nike, e não seria justo que eu tivesse direito à metade de tudo que construiu depois do casamento. Financeiramente, não quero nada dele. Não quero ficar rica à custa de ninguém. Tenho saúde, posso trabalhar e ter meu dinheiro. Às vezes, as pessoas perguntam: "E se vocês se separarem?". Sei que a maior fortuna, meu filho Ronald, fica comigo.

Veja – Não houve um acordo pré-nupcial que lhe garantisse alguma segurança caso o casamento terminasse?
Milene – Nada. Só assinei os papéis do casamento, com separação total de bens. Mas é evidente que o Ronaldo não deixaria faltar nada para o Ronald, que receberá o que é seu por direito. Conheço o caráter do Ronaldo. Se eu tivesse uns 80 anos, ia querer metade da fortuna para viver num barco cheio de garotões (risos). Como eu só tenho 24, ainda dá para correr atrás de muita coisa. E tenho grande capacidade de trabalho.

Veja – O Ronaldo lhe dá mesada?
Milene – Quando fui para Milão, o Ronaldo abriu uma conta conjunta comigo e tenho liberdade de fazer gastos.

Veja – Foi a crise matrimonial que a levou de volta aos campos?
Milene – Acabei aprendendo que uma mulher casada não pode deixar de fazer o que quer por causa do marido. Matrimônio não pode ser prisão. Existe vida fora do casamento. A mulher casada precisa ter o direito de sair com os amigos, de viajar e, no meu caso, treinar. No começo do nosso relacionamento, eu queria fazer tudo com ele, era carente e dependente. Viver na Europa, longe do meu país, da minha família, dos meus amigos, e sem falar italiano, não é fácil. O Ronaldo era a minha referência, a minha segurança. Eu o sufocava, provavelmente. Cobrava sua presença, e vez por outra acabávamos tendo discussões desnecessárias. Comecei a me sentir inútil. O primeiro ano na Europa foi difícil.

Veja – Qual era sua rotina na Itália?
Milene – Eu tinha tudo que alguém poderia sonhar em ter. Uma casa com três andares, três carros na garagem. Podia sair e comprar o que tivesse vontade, mas aquilo não era a minha felicidade. Ficava trancada dentro de casa. Permanecia horas na internet. Como esposa e mãe, eu estava feliz, mas precisava me sentir útil como pessoa. O Ronaldo me incentivou a voltar a jogar.

Veja – Pesa ser casada com um ídolo?
Milene – Pesa. Principalmente porque a mulherada ataca quando ele sai de casa.

Veja – No seu caso, em especial, você se casou com um homem que tem fama de mulherengo.
Milene – Essa fama do Ronaldo é coisa da imprensa. Ele diz que não se acha mulherengo, nem eu acho que ele seja. Li várias notas dizendo que o Ronaldo saía com alguém, que tinha engravidado alguém. Em muitos casos, escreviam que o Ronaldo tinha estado com tal pessoa numa discoteca na quinta à noite e, naquele exato momento em que ele estaria com a outra, nós estávamos no cinema. Existe muita gente maldosa.

Veja – Isso a incomoda?
Milene – Já incomodou muito. Agora, não mais. Perceba: sair em foto ao lado de mulheres, para ele, é fácil. A todo lugar que ele vá, 100 mulheres vão encostar nele. Dessas 100, 99 serão fotografadas e depois podem sair falando o que quiserem a respeito desse encontro. Por que meu marido não pode ter amizade com mulher? A mesma coisa eu. Estou cheia de amigos homens e também saio com eles. A diferença é que a imprensa não fala sobre isso.

Veja – Fala sim. Comentou-se sobre um possível romance seu com o jogador holandês Seedorf (meio-campista do Milan).
Milene – Nunca saí com ele. O Seedorf é uma pessoa muito bacana, casado com uma brasileira. Eles são apaixonados. Eu e o Ronaldo freqüentávamos a casa deles. Não sei de onde surgiu essa história.

Veja – Você recebe muita cantada?
Milene – Acontece, às vezes, de um olhar ou alguma gracinha, mas não ligo. Dizem que estou bonita ou que a calça jeans fica bem em mim. Brasileira é sempre considerada a mais bonita lá fora.

Veja – Você não está um pouco acima do peso?
Milene – Talvez eu tenha de perder ainda uns 2 quilos. Estou com 58 quilos e meço 1,58 metro, mas sempre arredondo para 1,60. Não posso mais ter os 51 quilos da época do casamento porque preciso desse corpo mais forte para jogar futebol. Chama mais a atenção por causa de minhas pernas gordinhas. Tenho até vergonha de usar saia por causa delas. A batata da perna fica enorme quando uso salto.

Veja – O que é pior no Ronaldo: aquele cabelo do personagem Cascão que ele adotou na Copa de 2002 ou esse bigodinho ralo que ele está deixando crescer?
Milene – É duro, hein? Caramba! Acho que o bigodinho do Ronaldo é pior que o cabelo de Cascão. O bigodinho não cresce mais que aquilo. Mas o Ronaldo gosta de mudar o visual, é uma pessoa vaidosa. Em cima da pia dele tem um monte de creme e perfume.

Veja – Você é uma pessoa vaidosa?
Milene – Antigamente, eu mal usava creme. Aprendi a usar mais. Eu mesma gosto de descolorir meu cabelo com água oxigenada. Faço isso desde os 12 anos de idade. Sempre achei meus seios pequenos. Uso manequim 38. Mas nunca quis colocar silicone. Há dois anos, fiz plástica nas orelhas porque eu cismava que tinha orelhas de abano. Fiz porque me incomodava.

Veja – O Ronaldo diz que vai pedir a recontagem dos gols marcados por Pelé na seleção brasileira. Alega que muitos deles aconteceram em partidas contra combinados e em amistosos. Por que ele decidiu comprar essa briga?
Milene – O Ronaldo sempre deixou de fazer coisas da adolescência para poder jogar futebol e se consagrar. É uma pessoa que busca seus objetivos com grande dedicação. Quando ele voltou a jogar, depois de dois anos machucado, seu objetivo era voltar a ser o melhor do mundo, e não apenas voltar a jogar.

Veja – O Fenômeno tem alguma responsabilidade sobre sua convocação para a seleção feminina?
Milene – Ele me ajudou indiretamente. Pelo fato de eu ser esposa dele, as pessoas têm curiosidade e vão procurar saber se estou jogando. Acabam indo lá ver. Quando cheguei aqui, fiquei com medo de as outras garotas da seleção terem algo contra mim. Esse receio acabou no primeiro dia, porque me receberam superbem. Elas viram que não estou aqui por marketing.

Veja – Mas o treinador Paulo Gonçalves disse que seu preparo físico estava abaixo do das outras jogadoras e que você foi convocada por causa do marketing.
Milene – Estou treinando dois períodos por dia para alcançar as garotas. Tenho me esforçado muito e gostaria de mostrar, no mundial, que sou uma boa jogadora.

 
 
 
 
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