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Tales
Alvarenga Crise de nervos
"Qual
é o pior cenário? Faça sua escolha. A minha eu já
fiz. Não pode haver nada pior do que o governo de Luiz Inácio
Lula da Silva" Crise é uma inevitabilidade
das democracias. Não se resolvem crises com conchavos de cúpula
nem com reformas de última hora. Eles bem que tentaram. Ameaçaram
com uma reforma política de emergência, ameaçaram com o risco
do mercado derreter, ameaçaram com o fantasma da sublevação
social. Não adiantou nada. Pensavam ainda que bastava meia dúzia
de figurões tucanos e petistas se reunirem para combinar um tratado de
paz, com o objetivo de abafar a crise, e foi o que se viu.
No fundo, o brasileiro sabe que não adianta tremer de medo imaginando o
impacto de um impeachment no mercado. O mercado é covarde. Reage com crise
de nervos cada vez que a estabilidade política fica em situação
de risco. As crises têm uma vantagem. Sempre
acabam e, quando seu ciclo se esgota, o país sai do outro lado emocionalmente
esgotado porém mais maduro. Nunca vi o Brasil com estabilidade política
prolongada. Não preciso lembrar a você do suicídio de Getúlio
Vargas, da renúncia de Jânio Quadros e da deposição
de João Goulart. Não preciso também citar a ditadura militar.
Nem o confisco da poupança e a queda de Fernando Collor. Francamente, vamos
parar de pisar em ovos porque há risco real de impeachment de Lula. O Brasil
já agüentou outras e está agüentando esta melhor do que
as anteriores. O senador José Sarney, que
fez um governo quase tão ruim quanto o de Lula (pior do que o de Lula é
impossível), propôs na semana passada uma reforma política
de emergência para criar um semiparlamentarismo. Não adianta, senador,
ninguém vai engolir essa lorota. Alguns políticos chegaram a pedir
que nem sequer se pronunciasse a palavra impeachment. Por que não?
Estão tão cheios de dedos que inventaram até o "risco Severino".
Não se pode investigar Lula porque, se ele cair, Severino Cavalcanti, o
presidente da Câmara, poderá virar presidente provisório,
ameaçaram os arautos do caos. E daí se Severino virar presidente
por trinta dias? Será ele, por acaso, pior do que Lula? Ambos são
ignorantes. Severino não tem experiência administrativa, e Lula tem
a experiência de um fracasso administrativo. Lula foi sindicalista e fundou
um partido. Mas de que serviu isso quando ele se tornou presidente? O carisma
de Lula só serve para discursos sem nexo sobre a grandeza moral dele próprio
e sobre a capacidade que ele vai transmitir ao Brasil de ser um líder mundial
em alguma coisa que nunca deu para entender o que seria.
Severino encheu o gabinete de parentes. O filho de Lula, Fábio Lulinha,
recebeu 5 milhões de reais de investimento em sua empresinha eletrônica,
ali colocados pela Telemar, uma concessionária de serviço público.
Quem é pior? O partido de Severino, o PP, tem Maluf. O partido de Lula
tem José Dirceu, Delúbio Soares, Silvinho Pereira, José Genoíno,
Professor Luizinho, João Paulo Cunha, Paulo Rocha, sem contar penduricalhos
como Waldomiro Diniz e Marcelo Sereno. E a cereja do bolo, Marcos Valério.
A penúltima cidadela, o ministro Antonio Palocci, levou um tirambaço
na sexta-feira passada. Qual é o pior cenário? Faça sua escolha.
A minha eu já fiz. Não pode haver nada pior do que o governo de
Luiz Inácio Lula da Silva. |