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Brasil Segredos
do doleiro  Policarpo
Junior
Jonne
Roriz/AE
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VIVO Toninho da Barcelona afirma que o PT
tem conta secreta no exterior e revela o caixa dois do partido |

Na semana passada, doze parlamentares da CPI dos
Correios desembarcaram em São Paulo para ouvir o doleiro Antonio Oliveira
Claramunt, o Toninho da Barcelona. Durante quatro horas, o doleiro procurou atiçar
o apetite da CPI para negociar uma delação premiada, instituto pelo
qual um criminoso conta o que sabe em troca de uma redução de sua
pena. Toninho da Barcelona cumpre 25 anos de prisão na penitenciária
de Avaré, a 258 quilômetros de São Paulo. Aos parlamentares
da CPI, ele contou que conhecia detalhes das operações financeiras
do PT para o exterior, disse que sabia de remessas feitas pelo ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
e indicou que o MTB Bank, casa bancária de Nova York, era o epicentro da
lavagem de dinheiro. No depoimento, no qual chorou várias vezes, o doleiro
disse ainda que a corretora Bônus Banval, de São Paulo, operava para
o ex-ministro José Dirceu e era uma das fontes de pagamento do mensalão.
No dia seguinte, Toninho da Barcelona concordou
em dar uma entrevista a VEJA, por escrito. Ele recebeu uma lista com vinte perguntas
da revista e levou duas horas para manuscrever as respostas, que ocupam treze
folhas de ofício. Suas revelações ajudam a desvendar o tesouro
milionário do PT no exterior e mostram que: •
O PT tinha conta clandestina no exterior, operada pelo Trade Link Bank, uma offshore
vinculada ao Banco Rural. Quando o PT queria sacar recursos do Trade Link para
usá-los no Brasil, o doleiro acionado era Dario Messer, do Rio de Janeiro.
• Dario Messer recebia os dólares petistas
em sua offshore no Panamá e entregava ao PT o correspondente em reais no
Banco Rural, sediado em Belo Horizonte. • Os cofres
do PT viviam abarrotados de dólares. Em 2002, no auge da campanha presidencial,
a casa de câmbio do doleiro, a Barcelona, chegou a fazer trocas de moeda
em ritmo quase diário. • As trocas, em valores
que oscilavam entre 30.000 e 50.000 dólares, eram realizadas no gabinete
do então vereador Devanir Ribeiro, ex-metalúrgico e petista histórico.
• A Bônus-Banval, de São Paulo
aquela corretora que recebeu um pagamento de Marcos Valério para Bob Marques,
amigão do ex-ministro José Dirceu , realizava operações
de "esquenta-esfria". Por essas operações, um lado sempre ganha
(e esquenta dinheiro de caixa dois) e outro sempre perde (e esfria dinheiro de
caixa um, produzindo assim recursos para destinos escusos). •
Nas operações de esquenta-esfria, os prejuízos eram sempre
de fundos de pensão de estatais cujos recursos, esfriados, eram
liberados para entrar no caixa dois do PT. Um dos atendidos pelo esquema da Bônus-Banval,
diz o doleiro, era José Dirceu. O publicitário
Duda Mendonça, ao depor na CPI dos Correios, disse que o PT lhe pagou 10
milhões de reais no exterior e, com isso, foi a primeira testemunha a abrir
uma nova fronteira de investigação o braço do PT no
exterior. No depoimento, o publicitário já exibira comprovantes
mostrando que a maior parte dos 10 milhões de reais que recebeu saiu do
Trade Link, offshore aberta nas Ilhas Cayman, um dos grandes paraísos fiscais
do Caribe, administrada pelo Banco Rural. A entrevista de Toninho da Barcelona,
agora, confirma o papel de destaque conferido ao Trade Link no esquema petista
no estrangeiro. A operação era feita assim: o Trade Link remetia
o dinheiro petista para a offshore panamenha do doleiro carioca Dario Messer e
o doleiro, por sua vez, disponibilizava a quantia correspondente, em reais, no
Banco Rural. O esquema é uma forte evidência de que os 28 milhões
de reais que Valério diz ter obtido na forma de dois empréstimos
junto ao Banco Rural sejam simplesmente recursos internados pelo PT a partir de
sua conta clandestina no exterior. Dario Messer
é filho do mais antigo doleiro vivo do país, o polonês Mordko
Messer, de 90 anos, que hoje se locomove com a ajuda de uma cadeira de rodas.
Desde que começou a ser acossado pela polícia, Dario Messer, que
é amigo de celebridades como o jogador Ronaldo, sumiu do pedaço.
Suspeita-se que esteja, hoje, escondido em algum lugar no Uruguai. Como doleiro,
Messer operava pelo menos cinco contas lá fora três no MTB
Bank e duas no Merchants Bank. Não se sabe quais as razões que levaram
o PT a escolhê-lo como doleiro preferencial, mas seu tamanho nesse mundo
financeiro clandestino talvez seja sua principal credencial. "Ele, sim, é
um dos maiores doleiros do país. Muito maior do que o Toninho da Barcelona",
diz o procurador da República Vladimir Aras, de Curitiba, um dos integrantes
de uma força-tarefa que investiga as remessas ilegais para o exterior.
Como prova do seu gigantismo, basta um dado: só uma das contas de Messer
no MTB Bank, a Depolo, movimentou 1,7 bilhão de dólares em 2003.
As trocas de dólares por reais, que se materializavam
no gabinete do então vereador e hoje deputado Devanir Ribeiro, integram
outro braço do esquema petista. Nesse caso, o partido mantinha volumes
consideráveis de dólares em dinheiro vivo, escondido em cofres ou
malas ou cuecas, e acionava a casa de câmbio quando precisava convertê-los
em reais. Em geral, quem ligava para a casa de câmbio Barcelona era o assessor
legislativo da Câmara de Vereadores, Marcos Lustosa Ribeiro que vem
a ser filho do deputado Devanir Ribeiro. No telefonema, Marcão, como é
conhecido, perguntava a cotação de venda e informava quanto queria
trocar. No início de 2002, as trocas eram esporádicas e ocorriam
a cada dez ou quinze dias. No meio do ano, já estavam em ritmo alucinado.
"Com a aproximação das eleições, tornaram-se quase
diárias", lembra o doleiro. Nesse período,
as trocas chegavam a somar em torno de 500.000 reais por semana. "Eles faziam
muita questão de que as notas em reais fossem de 50 e 100 por questão
de volume", diz Toninho. O volume das trocas cresceu tanto que, certa vez, um
assessor de Devanir Ribeiro pediu para que os reais fossem depositados diretamente
na conta bancária do PT. Na entrevista por escrito a VEJA, Toninho da Barcelona
conta que hesitou em autorizar a operação. Tinha receio de que os
registros bancários viessem a comprometê-lo, mas fez o negócio.
Os registros, agora, podem ser a prova de sua história. Além disso,
as trocas eram registradas nos computadores da casa de câmbio. Os computadores
foram apreendidos pela Polícia Federal e, se não foram alterados,
contêm todas as operações, garante o doleiro.
VEJA localizou o funcionário da Barcelona que fazia as entregas de dinheiro
do PT. É Marcelo Viana, então responsável pelas operações
de balcão da Barcelona. Ele relata que, dependendo do volume das trocas,
o dinheiro seguia em sacolas ou envelopes. "Mas também já levei
dinheiro preso às meias e debaixo da roupa", diz. Marcelo Viana lembra
que suas visitas à Câmara de Vereadores eram precedidas de identificação
na portaria. Ouvido por VEJA, Marcão confirmou que fazia as trocas no gabinete
do seu pai, mas garante que o dinheiro não era do PT. "Não era dinheiro
de política, meu pai não tinha nada a ver com isso. Era dinheiro
que eu ganhava com serviços de informática que fazia na Câmara
e trocava por dólar. Coisa pequena, para meu uso mesmo", afirma. Coisa
pequena, com 500.000 reais por semana? Bem, a exemplo da trajetória do
filho do presidente Lula, Fábio Luiz, o biólogo que enriqueceu como
micreiro, dá para ver que esse pessoal do PT, quando inventa de mexer com
informática, faz um sucesso monumental...
O deputado Devanir Ribeiro faz coro com o filho, diz que jamais soube de nada
(eis outra característica marcante do pessoal do PT, a de não saber
de nada do que acontece mesmo dentro do seu gabinete!) e que o dinheiro não
era do PT. "Se o Marcos trocou dinheiro com Toninho Barcelona, o problema é
dele. O Marcos é maior de idade, casado, vacinado e cuida da vida dele",
diz o pai. Devanir Ribeiro foi metalúrgico e é petista de primeira
hora. Amigo de Lula desde 1972, ele esteve presente nos momentos mais simbólicos
da vida do presidente: integrou a primeira diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC, participou da greve de 1978 e dividiu uma cela com Lula quando ambos foram
presos. Em 1982, quando Lula se candidatou a governador de São Paulo, o
motorista da Belina que rodou o estado era Devanir Ribeiro. Os dois são
amigos até hoje. Nos fins de semana em Brasília, Devanir e a mulher,
Zeneide, visitam o primeiro casal na Granja do Torto, onde se divertem tomando
cerveja e jogando cartas. Devanir Ribeiro garante que nem conhece Toninho da Barcelona.
Toninho da Barcelona, no entanto, diz que conhece
o PT de longa data. Ele conta que, desde 1989, o PT faz remessas para fora do
país. Paco, seu velho amigo, dono da Doratur e falecido no ano passado,
lhe confidenciou ter despachado para o exterior dinheiro recolhido pelo PT no
caso Lubeca, escândalo no qual dirigentes do partido foram acusados de cobrar
200.000 dólares da empresa Lubeca para aprovar um projeto urbanístico.
Outro esquema que rendeu muitos dólares ao PT, diz o doleiro, funcionava
em Santo André, durante a gestão de Celso Daniel, de 2000 a 2002.
Toninho afirma que conhece o caso porque a cambista Nelma Cunha, da Havaí
Câmbio e Turismo, de Santo André, nem sempre dispunha do volume de
dólares requerido e recorria a ele. Toninho pode ajudar até a esclarecer
a corrupção petista em Santo André. Os promotores do caso
querem ouvi-lo porque sabem que empresas de ônibus de Santo André
achacadas pelo PT enviaram recursos ao exterior usando o Banco Rural.
Será que esse dinheiro caía naquela conta do PT lá fora,
no Trade Link? Um dos esquemas mais complexos
mas igualmente clássico do PT funcionava na corretora Bônus-Banval,
de São Paulo. Toninho da Barcelona conta que a corretora era usada pelo
partido para intermediar operações fraudulentas e, assim, tornou-se
uma das principais fontes de pagamento do mensalão. Sua especialidade eram
as operações de "esquenta-esfria", nas quais os prejuízos
eram sempre dos fundos de pensão das estatais. "As ligações
entre o PT e a Bônus são estreitas. Os sócios são amigos
íntimos de José Dirceu", acusa o doleiro. Na semana passada, VEJA
apurou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está fazendo
uma investigação sigilosa sobre a Bônus-Banval, por suspeita
de lavagem de dinheiro e de promover operações fraudulentas com
fundos de pensão, exatamente nos moldes como relata o doleiro. Apenas um
dos inquéritos em andamento na CVM envolve transação de 12
milhões de reais. José Dirceu nega qualquer relação
com a Bônus-Banval. A Bônus-Banval não quis falar sobre o assunto.
E a CVM informa que não comenta suas investigações.
A VEJA, o doleiro voltou a dizer que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
fez remessas para o exterior, mas não deu detalhes. Sabe-se que em outubro
de 2002 Meirelles sacou 50.600 dólares de sua conta no banco americano
Goldman Sachs e depositou o dinheiro na conta da Biscay Trading, uma offshore
operada por três doleiros de São Paulo no MTB Bank, em Nova York.
Quando o caso veio à tona, em agosto do ano passado, Meirelles explicou
que o depósito foi feito a pedido de um credor. Disse que não podia
identificar o destinatário do dinheiro nem a origem da dívida porque
tais dados estariam em seus arquivos pessoais guardados nos Estados Unidos, onde
residiu de 1996 a 2002. Na semana passada, um ano depois de prometer buscar os
documentos que explicariam o depósito aos doleiros, Meirelles continuava
sem respostas: as informações sobre o depósito informou
sua assessoria não estavam no arquivo pessoal.
No caso do atual ministro Marcio Thomaz Bastos, o doleiro reafirmou as acusações
que já fizera à CPI e deu mais detalhes. Ele conta que as remessas
de Bastos começaram em 1993 e lhe foram confidenciadas por quem as fazia
Marco Antônio Cursini, que na época, segundo o doleiro, operava
contas no Deutsche Bank e no Swiss Bank e até recebeu uma assistência
jurídica do hoje ministro. Marcio Thomaz Bastos confirmou que Cursini,
de fato, foi cliente de seu escritório na década de 90, mas nega
que tenha usado seus serviços de doleiro ou feito remessas ilegais ao exterior.
O ministro diz que abriu conta no exterior e fez três remessas. Conforme
documento expedido pelo Unibanco, agente operador do ministro, a primeira foi
feita em novembro de 1994 e a última em março de 1995, totalizando,
na época, 2,8 milhões de dólares. As remessas foram autorizadas
pelo Banco Central. Em fevereiro de 2003, o ministro trouxe o dinheiro de volta
para o Brasil, também pelas vias legais, e pagou cerca de 1 milhão
de reais em imposto. As acusações de Toninho da Barcelona, naturalmente,
não podem ser tomadas como expressão da verdade, mas devem ser investigadas
com rigor. Exigir que ele apresente provas como fizeram alguns membros
da CPI dos Correios na semana passada é risível. Afinal,
Toninho da Barcelona não tem sequer como provar quem ele é, já
que, em seu macacão cor de laranja de prisioneiro, não carrega nem
a carteira de identidade. Mas repete sempre que as provas estão nos discos
rígidos dos computadores que usava e hoje estão lacrados e sob a
guarda da Polícia Federal. "Meu cliente está disposto a contar toda
a verdade", repete seu advogado, Ricardo Sayeg. "Para a autoridade que quiser
ouvir."

O
QUE O DOLEIRO DISSE Durante a campanha de 2002,
o PT chegou a trocar dólares em ritmo quase diário, em operações
cujo valor variava entre 30 000 e 50 000 dólares O
QUE É PRECISO APURAR De onde saíam os dólares que
abarrotavam os cofres do PT? Vinham de fora do país? Um caminho é
tomar o depoimento do deputado Devanir Ribeiro e assessores. As trocas de dólares
por reais eram feitas em seu gabinete, na Câmara dos Vereadores de São
Paulo | |

O
QUE O DOLEIRO DISSE O PT tinha dólares
no exterior, numa conta operada pelo Trade Link Bank, offshore ligada ao Banco
Rural. O doleiro que fazia as operações para o partido era Dario
Messer, do Rio de Janeiro. Messer recebia os dólares do PT em sua offshore
no Panamá e entregava ao partido o correspondente em reais no Rural
O QUE É PRECISO APURAR De onde vinham os
dólares que abasteciam a conta do PT lá fora? Era dinheiro desviado
do Brasil ou dinheiro estrangeiro? Um caminho é descobrir a conta movimentada
por Messer no Rural e rastrear as remessas do Trade Link para a offshore no Panamá
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O
QUE O DOLEIRO DISSE A corretora Bonus-Banval
realizava operações que o mercado conhece como esquenta-esfria
e o lucro das operações era usado para pagar o mensalão
O QUE É PRECISO APURAR De onde saía
o dinheiro para fazer as operações de esquenta-esfria? Uma alternativa
é levantar as operações da Bonus-Banval registradas na Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), que já abriu uma investigação
própria sobre o assunto por suspeita de fraude | |

O
QUE O DOLEIRO DISSE Pessoas ligadas à prefeitura de Santo André,
na gestão de Celso Daniel, convertiam somas vultosas de reais em dólares
numa casa de câmbio da cidade, a Havai Câmbio e Turismo O
QUE É PRECISO APURAR O dinheiro convertido em dólares vinha
do propinoduto instalado na prefeitura de Santo André? O que os petistas
faziam com os dólares? Guardavam o dinheiro no cofre ou mandavam para o
exterior? Raphael
Falavign
 | PROPINAS
EM SANTO ANDRÉ A casa de câmbio é apontada como
o duto por onde escoava o dinheiro da corrupção arrecadado pelos petistas |
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LEMBRA DO DINHEIRO DAS FARC? Cristiano
Mariz
 | O
CORONEL QUE CONFIRMOU TUDO O coronel Eduardo
Ferreira, que depôs no Senado: agora, o que ele diz não é apenas "exagero" |
Em
março passado, VEJA noticiou que agentes do serviço secreto brasileiro,
a Abin, investigaram durante quase um ano a suspeita de que as Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc) contribuíram com 5 milhões
de dólares para a campanha de Lula em 2002. A suspeita foi colhida por
um informante da Abin que se infiltrara num grupo de simpatizantes das Farc no
Brasil. Durante a campanha eleitoral, o informante foi a uma reunião do
grupo, realizada numa chácara nos arredores de Brasília. Na reunião,
ouviu o padre Olivério Medina, uma espécie de embaixador das Farc
no Brasil, dizer que a guerrilha planejava doar 5 milhões de dólares
ao comitê eleitoral de Lula. O informante repassou o que ouviu para a Abin,
que classificou a informação como "secreta" e, diante de sua gravidade,
deu início a uma investigação que durou quase um ano. A publicação
da reportagem levou o Senado a abrir uma investigação sigilosa sobre
o caso. VEJA teve acesso ao desfecho da investigação e é
uma falsificação grosseira.
Em quase
seis meses de investigação, a comissão do Senado fez onze
reuniões, colheu dez depoimentos e chegou à conclusão de
que não aconteceu nada. A comissão ouviu o informante infiltrado
no grupo de simpatizantes das Farc, que confirmou ter testemunhado a promessa
de doação de 5 milhões de dólares. Também ouviu
o coronel Eduardo Ferreira, o contato do informante na Abin, que confirmou ter
recebido a informação, realmente classificada como "secreta", e
ainda ter aberto uma investigação que durou quase um ano. A comissão
também ouviu os dirigentes da Abin, que no início negaram que houvesse
qualquer documento sobre o assunto nos arquivos da agência. Depois, admitiram
que existia um documento, justamente o que falava na suspeita da doação
de 5 milhões de dólares, mas disseram que seu conteúdo, classificado
como "secreto", fora considerado uma bobagem donde se pode concluir que
os agentes secretos do governo do PT inventaram o conceito de "bobagem secreta".
Apesar de tudo, a comissão do Senado achou
que o caso não era nada. Entendeu que o coronel Eduardo Ferreira era um
"megalomaníaco, exagerado e desleixado", ainda que tenha trabalhado sete
anos na Abin e tenha saído de lá a seu próprio pedido. Também
considerou que o informante era um "desqualificado", ainda que desempenhe essa
função para a Abin há vários anos. Talvez se tenha
perdido uma excelente oportunidade para entender de onde vêm os dólares
que abarrotam os cofres do PT. Talvez. | | |