Edição 1919 . 24 de agosto de 2005

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Lya Luft
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Diogo Mainardi
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André Petry
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Tire o cavalinho da chuva, gente:
NÃO EXISTE GOVERNO DE ESQUERDA

ANOTASSÕES

O falecido – e esquecido – presidente João Figueiredo, um radical, dizia que todo indivíduo que ganha salário mínimo devia dar um teco no quengo. Os chineses (a um país que administra a vida de um bilhão, duzentos e 18 milhões de pessoas, temos que perdoar muita coisa) a toda hora pegam um cidadão que exagerou na falcatrua, levam prum campo de futebol e também lhe dão um teco no quengo. Tomando o cuidado de não estragar os órgãos, vendidos para transplante. Aqui entre nós – vocês acham que teco no quengo é democrático?

Há bastante tempo a publicidade – o márquetingue, die propaganda, die reklame – atingiu o nível da indignidade. Não sei o que faço. Faço o que posso. Peço a atores amigos meus – que não se envergonham de anunciar edifícios "sem entrada", seguros de saúde com mulheres lindas e helicópteros reluzentes e, last but not least, arapucas que emprestam dinheiro a velhinhos desamparados: não falem mais comigo.

Manchete: "Lula é aplaudido no velório". Do Arraes. E eu pensando que era o do Brasil.

Anatomia. Decidam de uma vez: Lula fala pelos cotovelos, mete os pés pelas mãos, não sabe onde tem o nariz, falta-lhe pulso, dá o passo maior do que as pernas, tudo o que ouve entra por um ouvido e sai pelo outro, tem o olho maior do que a barriga, não tem saco pra administrar, ou, pura e simplesmente, não tem peito?

Mas, então, não fazem outra coisa senão lavar dinheiro? Ora pois, não são sujos – apenas deslavados.

Lula, que vivia embriagado (pelo poder), agora, de ressaca (do poder), deambula (!) de madrugada pelos corredores do Palácio, sempre amargurado com a sucessão (de si mesmo). Lhe ensinaram um solilóquio melancólico que o presidente Dutra, nos idos de 50, também perturbado por uma sucessão – e por uma língua presa –, repetia interminavelmente na sua solidão:

Xerá a xuxexão xuxexo imenxo

Que poxa xer xamada xuxexão?

Xó, no palaxo, xoxegado, penxo,

Xerá xuxexo ou xó xacoalhaxão?

Proposta. Discutem dia e noite sobre "Reforma Política". Tenho uma reivindicação a fazer, que acredito totalmente revolucionária (como "eles" gostam de apelidar tudo o que fazem ou falam): o VOTO CONTRA. O cidadão e a cidadoa teriam dois votos, um a favor, outro a desfavor. Se o candidato tivesse mais votos contra do que a favor, estaria eliminado. O prazer de eliminar dissolutos é sempre maior do que o de eleger ilibados (de difícil acesso) e até diminuiria a zero a abstenção. Quem deixaria de ir botar seu voto-contra em, por exemplo, Maluf? Ou, no Rio, em Garotinho?

É evidente que o objetivo das CPIs é enrabar todo mundo, isto é, mostrar que todos os parlamentares têm rabo. Mas, como mostra este documento, os parlamentares têm até orgulho em exibir o seu.

 
 
 
 
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