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Carta ao leitor
Delação premiada
Doze membros da CPI dos Correios voaram até
São Paulo, na semana passada, para ouvir o doleiro Antonio
Oliveira Claramunt, conhecido como Toninho da Barcelona. Condenado
a 25 anos de prisão por evasão de divisas, Toninho
da Barcelona transformou-se em uma das duas principais novas fontes
de informação sobre o funcionamento do escândalo
financeiro que ora consome o PT e o governo. A outra, também
de algemas e uniforme laranja, é o advogado Rogério
Buratti, secretário de governo na primeira gestão
de Antonio Palocci na prefeitura da cidade paulista de Ribeirão
Preto. Ambos fizeram revelações demolidoras. Ambos
o fizeram na esperança de reduzir sua pena.
Criminosos desesperados podem ser considerados
testemunhas idôneas em investigações sobre a
vida financeira de políticos e autoridades? À primeira
vista parece uma temeridade dar ouvidos a alguém nessa situação,
ainda mais quando o preso se dispõe a colaborar apenas mediante
o benefício de redução de sua longa pena
ou seja, não está nem um pouco interessado em ajudar
a Justiça e pensa somente em seu interesse mais imediato.
Criminosos em situações semelhantes costumam ser,
porém, uma das mais valiosas armas da investigação
policial e judiciária. É vã a idéia
de que os meandros de um crime possam ser revelados por testemunhos
apenas de gente honesta e idônea. Gente honesta e idônea,
em geral, nada sabe dessas coisas, pois está trabalhando,
descansando, cuidando da vida enquanto outros roubam seu futuro.
São incontáveis os casos de
delação premiada na história policial recente.
O mais famoso é o de Tommaso Buscetta, o mafioso preso no
Brasil em 1983 que, em troca de benefícios, foi a testemunha-chave
para o desmonte da Máfia italiana. Ivan Boesky, o megafraudador
americano, aceitou falar tendo como contrapartida uma pena menor.
Suas revelações foram decisivas para esclarecer o
maior escândalo financeiro dos Estados Unidos nos anos 80.
Toninho da Barcelona é uma testemunha legítima e valiosa,
mas suas acusações não são provas em
si mesmas. São apenas pistas que podem e devem ser investigadas
com rigor e seriedade para, possivelmente, chegar às provas.
Em entrevista por escrito a VEJA, o doleiro apresentou novas informações
sobre as operações subterrâneas do PT e detalhou
o formidável esquema financeiro do partido no exterior. A
reportagem sobre o assunto começa na página
58.
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