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Edição 1 761 - 24 de julho de 2002
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De volta à realidade

A televisão criou um tipo peculiar
de celebridade: o ex-participante
de reality show. O que
eles fazem
para faturar? Ciscam aqui e ali

Marcelo Marthe

 
Selmy Yassuda
Kleber Bambam, na piscina de seu condomínio: tentando aprender inglês


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Eliminado na última terça-feira do Big Brother 2, o mestre-cuca Thyrso Martins perdeu a disputa pelo prêmio de 500.000 reais, mas ainda espera lucrar com seu tempo de exposição no horário nobre da Globo. "Estou aberto a propostas de emprego, inclusive de apresentador de programas de culinária", anuncia ele. Como todo participante dos reality shows, Thyrso corre contra o relógio. Agora que esse tipo de atração já conta com uma certa história na TV brasileira, pode-se constatar que a celebridade que ele confere expira rapidamente. Por seis meses (período de duração do contrato que assinam com a Rede Globo), a vida dos novos famosos é relativamente fácil. Passado esse período, quase sempre é necessário, com o perdão do trocadilho, cair de novo na realidade.

Quem se deu melhor até agora foi certamente Kleber Bambam, ganhador do primeiro Big Brother. Com seu prêmio de 500.000 reais, ele trocou o quartinho em que morava de favor por um apartamento na Barra da Tijuca. Tem emprego fixo no humorístico Turma do Didi e vem tentando se aprimorar. Fez um curso de valsa para dançar nos bailes sem pisotear as debutantes e resolveu estudar inglês (no português, ele se vira). Alguns de seus colegas no Big Brother descolaram boquinhas. A modelo Vanessa Pascale ganhou uma ponta na próxima novela das 6. E o baiano Adriano Castro, o Didi, virou protagonista de um quadro esportivo exibido pela Globo durante a Copa do Mundo.

Didi experimentou também o lado negativo da fama. Artista plástico, ele acha que as galerias que antes o recebiam de braços abertos agora lhe torcem o nariz. "De repente, parece que me tornei um artista ruim", diz. O carioca Marcus Werner, que ficou conhecido como o playboy do primeiro No Limite, também julga ter saído mal do programa. Werner, que adquiriu fama de racista depois de chamar o negro Amendoim de "crioulo", afirma que passou a ser visto com desconfiança pelos colegas advogados.

 
Gabeh e Pipa: ele ainda grava seu disco. Ela virou dona de uma creperia em Porto Alegre

Dois caminhos abertos para os participantes de reality shows embolsarem algum dinheiro são as fotos sensuais – para aqueles que têm um corpão, evidentemente – e o mercado das "presenças vip". Ou seja, aparecer em festas e eventos. Quase metade dos participantes das duas edições de Big Brother já tirou a roupa diante das lentes de um fotógrafo. O mesmo fez Andréa Baptista, ex-No Limite, que cobrava para aparecer em festas e eventos no eixo Rio–São Paulo. Como já não há mais ninguém que pague por isso, ela agora dá as caras de graça mesmo. Virou arroz-de-festa. "Cheguei aonde cheguei com meu talento. O programa foi só um atalho", vangloria-se Andréa, que até hoje, dois anos e duas plásticas depois, ainda sonha com uma carreira na TV. O cantor André Gabeh, do primeiro Big Brother, continua a almejar o estrelato musical. Ele está gravando um disco que lhe foi prometido pela Rede Globo. "Enquanto o CD não fica pronto, canto em festas. Presença vip não faço. Não me prostituo assim tão fácil", informa ele.

Para tirar vantagem da participação em reality shows, há quem tenha encontrado um outro rumo: capitalizar o sucesso efêmero na própria vizinhança. A gaúcha Patrícia Diniz, a Pipa de No Limite 1, abriu uma creperia em Porto Alegre, virou apresentadora de um programa de aventura num canal da região e protagoniza uma peça teatral. O açougueiro mineiro Danilo Prates, de No Limite 2, fez coisa semelhante: tornou-se garoto-propaganda de um supermercado de Montes Claros e, com o dinheiro do cachê, comprou cabeças de gado. Agora, ele se prepara para abrir seu próprio açougue. "É preciso ousar na medida certa", receita Pipa.

   
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