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Edição 1 761 - 24 de julho de 2002
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O caminho para gostar de ler

O exemplo em casa estimula
o hábito da leitura tanto quanto
uma boa história

Cristiana Andrade

 
Claudio Rossi
O casal Rute e Marcos e os filhos Gabriel e Rayssa: leitura em família


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Dos arquivos de VEJA
Reportagem de 31/10/2001: "Histórias para contar"
Reportagem de 25/11/1998: "Para gostar de ler"
Reportagem do especial Bebês, de 13/5/1998: "Encha a estante"
Sobre os livros de
Harry Potter
Reportagem de 20/6/2001: "Harry, agora adolescente"
Reportagem de 6/12/2000: "As muitas faces do bruxo"
Reportagem de 18/10/2000: "O efeito Potter"
Reportagem de 23/8/2000: "E a história não acabou"
Reportagem de 12/4/2000: "A mágica de atrair leitores"

Antes de dizer que a internet está acabando com o hábito da leitura entre as crianças, é bom repassar a lista de inimigos dos livros das últimas décadas. Até bem pouco tempo atrás, o vilão era o videogame. Antes dele, a televisão. Antes ainda, os gibis. E por aí vai. Não é de hoje que os pais se preocupam com a aparente distância crescente entre os filhos e as bibliotecas. Mas estudiosos do assunto há muito têm respostas que indicam que um dos maiores adversários dos livros dentro de casa podem ser os próprios pais. Ou seja, se, em sua casa, ninguém dá às crianças o exemplo da leitura rotineira de bons livros, não existe razão para esperar que os pequenos tenham interesse por eles. Isso facilita o diagnóstico, mas complica o tratamento. É o casal que tem de iniciar-se nos prazeres da leitura antes de exigir que os filhos o façam. "Quando cresce num ambiente em que vê pessoas sendo felizes ao praticar a leitura, a criança ganha um estímulo muito forte para agir do mesmo modo", diz a educadora Maria José Nóbrega, assessora de língua portuguesa do Ministério da Educação.

Foi com a prática simples de ler historinhas para os filhos dormirem que o casal de psicólogos Marcos de Oliveira e Rute Roman, de São Paulo, conseguiu formar dois pequenos leitores dentro de casa – Gabriel, de 6 anos, e Rayssa, de 12. Mas muita gente conhece histórias diferentes, de crianças que dizem odiar a literatura apesar de ter crescido em ambientes abarrotados de livros. Nesses casos, explicam os especialistas, o problema tanto pode ser de dose quanto de personalidade. "Os adolescentes, principalmente, sentem necessidade de contestar o modelo dos pais, e a reação à leitura não é incomum entre aqueles que vivem em ambientes muito intelectualizados", diz Fabio Simonini, professor de literatura para estudantes do ensino fundamental e do médio. Além disso, explica Simonini, muitas pessoas têm a expectativa de ver os garotos lendo obras de Machado de Assis, quando o mais adequado seria envolvê-los com aventura, ficção científica ou humor. Não é à toa que a série sobre o personagem Harry Potter, voltada para pré-adolescentes, é um dos maiores fenômenos da história dos livros.

Ao navegar na internet, erroneamente tida como a grande vilã dos dias de hoje, tudo o que os jovens fazem é ler e escrever, o tempo todo. "E ainda há quem diga que eles não gostam de ler?", admira-se a professora Maria Elisabeth Bianconani, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Ela e outros estudiosos sustentam que é necessário aproveitar essa paixão juvenil pela via tecnológica para saciar a curiosidade natural dessa faixa etária e levar os conteúdos importantes na formação dos jovens também para o formato que eles preferem. No colégio em que leciona, o professor de ciências Carlos Eduardo Godoy, de São Paulo, desenvolveu um site em que apresenta fotos, experiências e reportagens. "Se eles adoram informática, devo procurar esse caminho para falar com eles", explica Godoy. Com esse tipo de atitude, mais o exemplo doméstico e a série de recomendações disponível no fichário acima, é bem possível que aquele adolescente rebelde faça uma surpresa, um dia desses, no intervalo entre um programa de TV e um chat com os amigos – procurando um livro para passar o tempo.

 
 
   
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