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O
caminho para gostar de ler
O
exemplo em casa estimula
o hábito da leitura tanto quanto
uma boa história

Cristiana Andrade
Claudio Rossi
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casal Rute e Marcos e os filhos Gabriel e Rayssa: leitura em família
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Veja também |
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Antes
de dizer que a internet está acabando com o hábito da leitura
entre as crianças, é bom repassar a lista de inimigos dos
livros das últimas décadas. Até bem pouco tempo atrás,
o vilão era o videogame. Antes dele, a televisão. Antes
ainda, os gibis. E por aí vai. Não é de hoje que
os pais se preocupam com a aparente distância crescente entre os
filhos e as bibliotecas. Mas estudiosos do assunto há muito têm
respostas que indicam que um dos maiores adversários dos livros
dentro de casa podem ser os próprios pais. Ou seja, se, em sua
casa, ninguém dá às crianças o exemplo da
leitura rotineira de bons livros, não existe razão para
esperar que os pequenos tenham interesse por eles. Isso facilita o diagnóstico,
mas complica o tratamento. É o casal que tem de iniciar-se nos
prazeres da leitura antes de exigir que os filhos o façam. "Quando
cresce num ambiente em que vê pessoas sendo felizes ao praticar
a leitura, a criança ganha um estímulo muito forte para
agir do mesmo modo", diz a educadora Maria José Nóbrega,
assessora de língua portuguesa do Ministério da Educação.
Foi
com a prática simples de ler historinhas para os filhos dormirem
que o casal de psicólogos Marcos de Oliveira e Rute Roman, de São
Paulo, conseguiu formar dois pequenos leitores dentro de casa Gabriel,
de 6 anos, e Rayssa, de 12. Mas muita gente conhece histórias diferentes,
de crianças que dizem odiar a literatura apesar de ter crescido
em ambientes abarrotados de livros. Nesses casos, explicam os especialistas,
o problema tanto pode ser de dose quanto de personalidade. "Os adolescentes,
principalmente, sentem necessidade de contestar o modelo dos pais, e a
reação à leitura não é incomum entre
aqueles que vivem em ambientes muito intelectualizados", diz Fabio Simonini,
professor de literatura para estudantes do ensino fundamental e do médio.
Além disso, explica Simonini, muitas pessoas têm a expectativa
de ver os garotos lendo obras de Machado de Assis, quando o mais adequado
seria envolvê-los com aventura, ficção científica
ou humor. Não é à toa que a série sobre o
personagem Harry Potter, voltada para pré-adolescentes, é
um dos maiores fenômenos da história dos livros.
Ao
navegar na internet, erroneamente tida como a grande vilã dos dias
de hoje, tudo o que os jovens fazem é ler e escrever, o tempo todo.
"E ainda há quem diga que eles não gostam de ler?", admira-se
a professora Maria Elisabeth Bianconani, da Pontifícia Universidade
Católica de Campinas. Ela e outros estudiosos sustentam que é
necessário aproveitar essa paixão juvenil pela via tecnológica
para saciar a curiosidade natural dessa faixa etária e levar os
conteúdos importantes na formação dos jovens também
para o formato que eles preferem. No colégio em que leciona, o
professor de ciências Carlos Eduardo Godoy, de São Paulo,
desenvolveu um site em que apresenta fotos, experiências e reportagens.
"Se eles adoram informática, devo procurar esse caminho para falar
com eles", explica Godoy. Com esse tipo de atitude, mais o exemplo doméstico
e a série de recomendações disponível no fichário
acima, é bem possível que aquele adolescente rebelde faça
uma surpresa, um dia desses, no intervalo entre um programa de TV e um
chat com os amigos procurando um livro para passar o tempo.
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