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CSN
vira múlti
No mercado do aço, os
gigantes
herdarão a terra
O vento da globalização passou pelo país na semana
passada. Desta vez ele soprou sobre um dos símbolos da industrialização
nacional da década de 40, a Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN). A empresa de aço anglo-holandesa Corus se juntou à
principal usina de aço brasileira por meio de uma troca de ações
que soma mais de 14 bilhões de dólares. O negócio,
que cria a quinta maior companhia mundial do setor em produção,
dá continuidade a um processo de consolidação que
está longe de acabar. As cinco maiores empresas de aço do
planeta detêm apenas 20% da produção. A união
CSN/Corus segue-se à megafusão recente de três grandes
grupos europeus, que uniu a francesa Usinor, a espanhola Aceralia e a
luxemburguesa Arbed, dando origem à Acelor, líder mundial
na produção de aço. Segundo analistas do setor, o
movimento da CSN com a agora parceira européia também se
antecipa a novos negócios ainda mais impressionantes. A japonesa
NKK/Kawasaki, a segunda maior siderúrgica do planeta, também
está atrás de oportunidades para expandir os negócios.
A fusão entre a CSN e a Corus foi um negócio atraente para
as duas partes. A companhia anglo-holandesa não tem fonte própria
de minério de ferro e seu custo de produção é
elevado. O Brasil é altamente competitivo nesse setor. O custo
da tonelada de aço é de 100 dólares no país,
valor que chega a 150 dólares no Reino Unido. Por seu lado, a CSN
possui mina própria, a Casa de Pedra, em Minas Gerais, que fornece
o melhor minério de ferro do Brasil. Além disso, a CSN,
apesar de uma dívida de 2,3 bilhões de dólares, teve
lucro de 300 milhões de reais no ano passado, ante prejuízo
de quase 900 milhões de dólares da Corus.
Esses trunfos garantiram ao presidente do conselho da CSN, Benjamin Steinbruch,
o direito de presidir a nova companhia a partir de 2004, quando o chefão
da Corus, Brian Moffat, se aposentará. Steinbruch não tem
do que reclamar. Na nova composição acionária da
CSN/Corus, as famílias Steinbruch e Rabinovich, donas da Vicunha,
que detém 46,5% da CSN, serão as maiores acionistas da nova
gigante da siderurgia, com 17,5% do capital da empresa.
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