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Como Saddam
recompensa o terror
Em busca
da simpatia do mundo
árabe, o ditador do Iraque paga
às famílias dos homens-bomba
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| Vítima
do duplo atentado suicida em Tel-Aviv, na semana passada, e Saddam
Hussein: 20 milhões de dólares enviados aos palestinos |

Veja também |
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Depois que
ficou claro que deve ser levada a sério a ameaça americana
de usar a força para tirá-lo do poder, o ditador Saddam
Hussein, do Iraque, lançou-se numa campanha de emergência
para refazer amizades nos países vizinhos e aumentar seu prestígio
com a população árabe. Desde março, diplomatas
iraquianos já visitaram todos os países do Golfo Pérsico,
que ainda não perdoaram Saddam pela invasão do Kuwait, há
uma década, e até começaram a negociar uma troca
de prisioneiros com o pior inimigo, o Irã. Para conquistar o coração
dos árabes comuns, o ditador também aumentou o tom da retórica
a favor dos palestinos. A decisão mais espantosa de Saddam, contudo,
tem a ver com o patrocínio do terrorismo: ele subiu de 15.000
para 25.000 dólares a recompensa paga
às famílias dos homens-bomba que cometem atentados suicidas
em Israel. A entrega do dinheiro, que era feita discretamente por enviados
de Bagdá, é agora efetuada com pompa e fanfarras em cerimônias
públicas.
Na semana
passada, viram-se pela primeira vez cenas filmadas de uma dessas cerimônias,
realizada em Tulkarm, a 90 quilômetros de Jerusalém. O vídeo
mostra representantes da Frente Árabe de Libertação,
uma pequena facção palestina patrocinada pelo governo de
Bagdá, entregando cheques às famílias de terroristas
mortos num salão enfeitado com fotos de Saddam Hussein. Em discursos
inflamados, os representantes de Saddam tentam convencer outras famílias
a fazer de seus filhos novos "mártires". Nos últimos 22
meses, desde que começou a Intifada, a revolta palestina contra
Israel, o Iraque já gastou 20 milhões de dólares
em pagamentos aos mortos e feridos no conflito. A dinheirama faz uma diferença
enorme nos paupérrimos territórios da Cisjordânia
e da Faixa de Gaza, cuja renda per capita era de 1.600
dólares antes de a economia entrar em parafuso com a Intifada.
Essa é uma das razões pelas quais a popularidade do ditador
sobe como um foguete entre os palestinos.
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| Em
cerimônia gravada em vídeo, familiares de um morto na intifada recebem
cheque enviado de Bagdá |
Para Saddam,
as mortes merecem uma tabela de preços. O prêmio maior pago
pelos atentados suicidas tem o objetivo de servir de incentivo para novas
matanças. Outra recompensa que engordou foi o pagamento por morte
em confronto com as tropas israelenses, que subiu de 1.000
para 10.000 dólares. Um palestino com
ferimentos graves recebe 1.000 dólares
e quem tem feridas leves, 500. Estima-se que 4.000
pessoas já receberam cheques. Para o presidente palestino Yasser
Arafat, tudo isso é um enorme constrangimento. Ele está
sob pressão dos Estados Unidos e de Israel para conter os atentados
e não tem como argumentar que desconhece as ruidosas cerimônias
públicas de promoção do terrorismo patrocinadas por
Saddam. Raked Salem, secretário-geral da Frente Árabe de
Libertação, diz que muitas famílias resistem a aceitar
pagamento pela morte de um ente querido. "Nós então dizemos
que não podemos mandar o dinheiro de volta para o presidente Saddam",
contou Salem numa entrevista ao jornal americano The Washington Post.
A Autoridade Palestina, de Yasser Arafat, costuma dar 2.000
dólares à família dos mortos, e outras organizações
árabes também fazem donativos. Mas nenhuma delas quer vincular
a ajuda aos terríveis atentados terroristas.
O dinheiro
de Saddam serve para pôr lenha numa fogueira que palestinos e israelenses
precisam desesperadamente arrefecer. Sem uma pausa na matança,
fica impossível pensar em negociação de paz. Na semana
passada, um ataque a um ônibus israelense na Cisjordânia (oito
israelenses mortos, entre eles um bebê), seguido de um duplo atentado
suicida em Tel-Aviv (três mortos), marcou o fim de quase um mês
de relativa calmaria. Os atentados levaram Israel a rever a decisão
de aliviar a pressão militar sobre as cidades palestinas, ocupadas
por tanques e submetidas ao toque de recolher. O Estado judeu também
cancelou negociações marcadas com os palestinos. A pior
notícia para a população palestina foi a decisão
israelense de demolir a casa dos envolvidos em atentados e de deportar
seus familiares para a Faixa de Gaza. Uma das razões dessa medida
cruel, que vai separar famílias e criar novos refugiados, é
a de tornar ainda menos compensador o dinheiro enviado por Saddam.
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A
TABELA DO MARTÍRIO
Quanto
o ditador de Bagdá envia à família de palestinos
mortos ou
feridos em ataques contra Israel
25
000
dólares por terrorista suicida
10
000
dólares para cada morto em combate
1
000
dólares para o ferido com gravidade
500
dólares para o ferido sem gravidade
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