Esporte
Correr é fazer amigos
A
possibilidade de juntar os benefícios da atividade aeróbica
à ampliação do círculo de amizades ajuda a explicar
o aumento
espetacular no número de grupos de corrida no país

Carolina Romanini
| Lailson Santos  |
CONFRARIA DA SAÚDE
O grupo da Conexão Esportes na Cidade
Universitária, em São Paulo: viagens para correr em Florianópolis e em Punta
del Este, com direito a happy hour, que promove a integração entre os participantes |
A corrida,
dizem os médicos, é um dos melhores exercícios aeróbicos,
capaz de prevenir doenças cardiovasculares e melhorar a disposição
para as atividades do dia a dia. Para muita gente, correr também se tornou
uma forma de fazer novas amizades e alargar o círculo social. Nos grupos
de corrida, que em geral se reúnem nos fins de semana em parques, praias
e ruas, a conversa sobre o novo tipo de tênis ou de camiseta evolui para
outros assuntos. Surgem as afinidades entre os corredores, que muitas vezes passam
a se encontrar para outras atividades além do esporte. Para os especialistas
em corrida, a socialização é a principal explicação
para o aumento espetacular na quantidade de associados a grupos de corrida. Há
dez anos, nas principais cidades do país, eles não passavam de 1
000 hoje, chegam a 100 000. Podem ser vistos nas manhãs dos fins
de semana, com suas camisetas exibindo o logotipo da equipe, cruzando alegremente
os recantos mais aprazíveis das cidades.
Oscar Cabral
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O GRANDE DIA
A advogada Paula Roberta Rodrigues no
Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro: a empresa em que ela trabalha
formou um grupo de corrida para estimular a integração entre os funcionários e
criar um ambiente de trabalho mais produtivo. "Nos dias anteriores às corridas
em grupo, trocamos e-mails entusiasmados sobre os preparativos", ela conta |
Esses grupos muitas vezes
surgem de forma espontânea, entre vizinhos ou nas academias. Nesse caso,
cada integrante paga em média 100 reais por mês para ter um treinador
atento às suas necessidades de exercício. Outros são atraídos
pelas assessorias esportivas, empresas especializadas que oferecem infraestrutura
de apoio e treinamentos. Outra forma de encontrar uma turma é procurar
clubes de corredores. Eles indicam grupos com o perfil que se deseja e promovem
corridas para participar delas, os preços variam entre 30 e 100
reais. O gaúcho Fernando Andorffy, de 46 anos, auditor da Receita Federal,
começou a correr na Equipe do Bira, em Porto Alegre, há quase um
ano. Movida pela agitação do grupo, que promove encontros semanais,
sua mulher, Helena, também de 46 anos, resolveu se arriscar no esporte.
"Nossa vida social mudou desde que meu marido começou a correr. Fizemos
novos amigos e resolvi correr com eles também", afirma.
Muitas
empresas descobriram que formar grupos de corrida é uma maneira de estimular
a integração entre os funcionários e criar um ambiente de
trabalho mais prazeroso e eficiente. No Rio de Janeiro, a Chalfin, Goldberg &
Vainboim Advogados Associados contratou a assessoria de corrida N-Body com esse
objetivo. Segundo a advogada Paula Roberta Rodrigues, 26 anos, que trabalha na
empresa, "além de melhorar meu corpo e minha saúde, ao correr
com o grupo do escritório tenho a oportunidade de me relacionar com colegas
que vão desde o estagiário até o sócio da empresa".
Os grupos de corrida deram origem às competições temáticas.
Há hoje no país cerca de 600 provas por ano, muitas delas dirigidas
a públicos específicos mulheres, militantes de causas ecológicas,
fiéis de igrejas evangélicas e até jovens que frequentam
baladas. Nesse caso, as corridas são noturnas e animadas pelo som de DJs.
"Acho o máximo participar dessas provas porque em cada uma delas se
sente uma energia diferente", diz o paulista José Luis Gracia Lazo,
de 27 anos, analista de comércio exterior. "Além disso, elas
permitem conhecer gente que gosta das mesmas coisas que você", ele
conclui.
Lailson Santos
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EXERCÍCIO E DIVERSÃO O
paulista José Luis Gracia Lazo no
Bosque Maia, em Guarulhos, na Grande São Paulo: ele é fã das corridas em grupo
em clima de balada, realizadas à noite e animadas por DJs, e também das que acontecem
no Autódromo de Interlagos. "Acho o máximo participar dessas provas porque em
cada uma delas se sente uma energia diferente", ele diz |
O mais novo atrativo para quem quer correr e fazer amigos são as viagens
para disputar provas em outros estados ou no exterior. Várias agências
de turismo e empresas que organizam corridas oferecem esse tipo de viagem. A Assessoria
Conexão Esportes, do treinador José Eduardo Coghi Pompeu, de São
Paulo, já levou corredores ao Rio de Janeiro, a Florianópolis e
a Punta del Este, no Uruguai. "Corremos para cuidar da saúde e do
corpo, mas também adoramos sair dos treinos e partir para uma happy hour
para jogar conversa fora", diz o treinador. A corrida de rua em grupos é
hoje popular em todas as grandes cidades do mundo, mas, segundo os especialistas
em esportes, em nenhum país ela se tornou tão popular quanto no
Brasil. A explicação para isso estaria no clima, sem temperaturas
rigorosas nem neve, o que permite a prática do esporte o ano todo. Para
o paulista David Cytrynowicz, presidente da Corpore, associação
de corredores especializada na organização de corridas de rua, "os
brasileiros estão cada vez mais ansiosos para sair do ambiente fechado
das academias, correr ao ar livre e conhecer gente nova".
Miriam Fichtner  |
TURMA ANIMADA
Fernando e Helena (à frente) com
seu grupo de corrida, a Equipe do Bira, no Parque da Redenção, em Porto Alegre.
"Nossa vida social mudou desde que meu marido começou a correr com essa turma,
por isso resolvi correr também", diz ela |