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Leitor
Tragédia do voo AF 447 Embora não ponha um fim
à dor dos familiares das vítimas do Airbus da Air France, a publicação
dos detalhes do que possivelmente aconteceu no momento da tragédia com
o avião nos sugere que o sofrimento dos passageiros foi amenizado. Lembrar
que as 228 vítimas "continuarão a viver nas vidas que ajudarão
a salvar" através das lições aprendidas com a triste
tragédia nos traz certo consolo ("O que já dizem os corpos",
17 de junho). Não
consigo acreditar que, com tanta tecnologia, os computadores tenham se baseado
apenas na informação de velocidade proveniente de uma fonte como
os três tubos pitot. Há mais de quinze anos nos aviões, os
aparelhos de GPS fornecem a velocidade precisa em relação ao solo,
e os computadores deveriam utilizar-se também desse parâmetro para
o confrontamento de suas informações. Tenho muito orgulho
de ser leitor de VEJA há mais de quinze anos. Gosto muito de me inteirar
dos assuntos em primeira mão. VEJA sempre dá a notícia antes.
A publicação não enrola, informa seu público de forma
ágil e coerente. A reportagem especial sobre o AF 447 mostrou de forma
peculiar o trabalho dos legistas e peritos do caso. Em época de crise,
VEJA é um ótimo investimento. Não
devemos deixar de relacionar o voo AF 447 ao acidente ocorrido em 12 de novembro
de 2001 com um A300-600R (aeronave semelhante ao A320) da American Airlines, em
Nova York, quando o avião decolou e encontrou a esteira de turbulência
de um Boeing 747 que decolara minutos antes. Ora, o que seria para fazer cócegas
num A300 arrancou-lhe o leme e o levou ao chão. Sempre soube que a esteira
de turbulência seria mais agravada em aeronaves de categorias diferentes
e inferiores: pesada para média e média para leve. O mais incrível
é que os senhores investigadores (com o dedo da Airbus) nos colocaram goela
abaixo que a causa do acidente foi o mau uso dos comandos do leme por parte do
piloto. Pergunto: cadê os sensores que não deixam a tripulação
exceder certos limites? VEJA
menciona a "estrutura molecular" do alumínio, mas a estrutura
do alumínio não é composta de moléculas, e sim de
átomos em arranjo ordenado (estrutura cristalina do tipo cúbico
de face centrada). Há
um erro na página 72, no diagrama do tubo pitot. O orifício frontal
do pitot (a) mede a pressão de estagnação ou pressão
total (Pt), enquanto o orifício lateral (b) mede a pressão estática
(Pe). A diferença entre os dois valores é então chamada de
pressão dinâmica, que é usada em conjunção com
outros dados atmosféricos medidos na altitude em que o avião se
encontra para calcular a velocidade do vento exposto ao pitot.
Violência nas escolas VEJA está de parabéns
pela dura porém esclarecedora reportagem "Quando ensinar é
uma guerra" (17 de junho). Precisamos de mais educadores como o professor
Marcelo Rolim, com seu belo exemplo de trabalho em Acari, para trabalhar na periferia.
Reportagem corajosa. Como
educadora da rede pública, acredito que a resolução dos problemas
educacionais só virá com diminuição do número
de alunos por sala de aula, maior incentivo ao aprimoramento do professor e, principalmente,
participação dos pais na educação dos filhos. Em
minha rotina de professora, já me vi intimidada por crianças que
nem haviam chegado à adolescência. Penso que estamos vivendo uma
crise de valores. Se antes a educação era rígida demais,
agora não se sabe mais impor limites. A meu ver, educação
começa em casa. O que ocorre na escola é reflexo do que acontece
em casa. Não são raros os casos em que pequenos ditadores fazem
o que bem querem com os pais, que reagem com uma incrível submissão. Sou
professora há mais de vinte anos e sei que tensão faz parte do processo
ensino-aprendizagem. Mas todos os dias tenho a mesma sensação dos
colegas entrevistados e, recentemente, quando fui agredida por um aluno, procurei
a Delegacia da Mulher. A atendente, muito atenciosa, após me ouvir disse
o seguinte: "Se os pais não assumirem os filhos e a escola não
deixar de arcar com a formação total do aluno, a situação
não vai mudar". Fiquei frustrada e estou tentando resolver como posso
a situação em sala de aula. A educação no Brasil só
será sinônimo de futuro se família, governo e demais instituições
sociais a levarem a sério. Educar não é responsabilidade
única da escola, e o professor não é formado para lidar com
situações de violência. Após
ler a reportagem, não tive como ficar calada. Há um ano, eu saía
da escola pública onde lecionava, às 23h05, na periferia da Zona
Sul de São Paulo, quando, ao entrar em meu carro, fui abordada por dois
marginais (ex-alunos), que me mantiveram refém por mais de duas horas.
Eles me levaram para um lugar inóspito, na região de Embu, e lá
me violentaram. Depois de muitas amea-ças e de toda a violência sofrida
(física e psicológica), fui solta. Não bastasse o trauma
vivido, bem como todo o tratamento pós-violência (coquetel antiaids,
vacinas e injeções), tive de licenciar-me pelo resto do ano, já
que não havia a possibilidade de uma remoção imediata, e,
ainda sim, sofri todos os descontos salariais possíveis, pois nem convertido
para acidente de trabalho o meu afastamento foi. Hoje leciono em outra escola,
mas carrego comigo as marcas das agressões: síndrome do pânico,
fobias inexplicáveis e insegurança permanente.
Rudolph Giuliani Estava em minha casa lendo a
entrevista com Rudolph Giuliani (Amarelas, 17 de junho), ex-prefeito de Nova York,
e admirando suas palavras sobre a tolerância zero, quando fui abordada com
a minha família por quatro bandidos armados. Eles levaram tudo o que quiseram
não queriam roupas, cobertores nem comida, apenas joias "de
valor" e dinheiro. Não havia muito, já que outra quadrilha
levara quase tudo no ano passado. Fui agredida no rosto, assim como meu marido,
amarraram meus filhos pequenos e a nós, adultos. A polícia veio
a seguir, não registrou nada, não fotografou nada, não tirou
impressões digitais nem fez nenhuma daquelas coisas que imaginamos que
possam ser realizadas pela polícia. O boletim de ocorrência foi feito
com a mesma emoção e importância que se dá quando compramos
banana no supermercado. O nosso caso não tem valor, ninguém morreu
e não merece divulgação. E esses bandidos que só roubaram,
agrediram e marcaram nossas vidas certamente continuarão a fazer o mesmo
e um dia matarão. Hoje, somos somente mais uma folha de papel no porão
da delegacia. Nova
York era uma cidade tomada pela violência, pelo crime e pela insegurança.
Exatamente como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e tantas outras. Para
haver uma mudança, há que começar pelo respeito à
cidade: pichações, quebra de monumentos, venda de drogas, roubos
não podem acontecer, e a tolerância zero tem de funcionar. O exemplo
de Nova York deveria ser seguido por aqui. As cidades brasileiras estão
à beira do caos, mas não se vê nenhum político, nenhum
governante realmente preocupado com isso. Parabéns
pela entrevista com Rudolph Giuliani. "Sem valores morais, toda a sociedade
acaba no círculo do crime, de uma forma ou de outra." Isso precisa
ser ensinado a todos, urgentemente, para o bem das futuras gerações. As
cidades degradadas precisam resgatar o respeito. Não se pode pichar. Também
não se pode roubar, nem quebrar, nem vender drogas, nem morar na rua."
Impossível resumir melhor a base de qualquer política decente de
combate à criminalidade e à corrupção.
Senado A
"omertà", o famoso "código de honra" ao qual
os mafiosos obedecem, silenciando sobre qualquer atividade ilícita que
possa chegar ao conhecimento das autoridades ou do público, está
sendo obedecida no Senado em alta escala. De tal forma que não existe apenas
um capo di tutti capi, mas vários capi dispersos pelos partidos
com os seus "soldados". Dessa forma, os 500 atos secretos permaneceram
anos e anos desconhecidos da opinião pública, mas muitos agora dizem
que de nada sabiam, nem mesmo da nomeação de parentes. Me enganem
que eu gosto... ("Por debaixo do pano", 17 de junho.) Cada
povo tem suas tragédias, vivendo sob ditaduras insanas, radicalismos religiosos,
confrontos étnicos ou a perpetuação da fome e da ignorância.
Sem dúvida, o brasileiro vive agora sob o trágico sentimento de
impunidade que domina todos aqueles que se servem cinicamente das benesses do
estado, quando deveriam, eles próprios, ser servidores do povo. A avalanche
de escândalos que se abate sobre o Senado Federal é a mais nova prova
disso. Quando acreditamos que essa ou aquela revelação finalmente
será a gota dágua que vai romper a represa da paciência
e resignação do homem comum, eis que surge outra notícia
ainda mais aterradora. Desta vez, descobre-se que mais de 300 medidas secretas
foram tomadas pelo Senado para beneficiar funcionários daquela casa com
vantagens com que o eleitor não poderia sequer sonhar.
A vaca e o aquecimento global Assim como na reportagem "A melhor
amiga do homem" (17 de junho), cito em minha dissertação de
mestrado, defendida em 2000, na Universidade de São Paulo, a importância
da proteína animal na formação do nosso cérebro, consequentemente
de nosso intelecto. Essa reportagem vem esclarecer um pouco o público leigo
sobre a importância desse nobre animal na formação de nossa
civilização. Espero que também ajude a esclarecer e sensibilizar
os ambientalistas radicais, alertando-os para o fato de que, mais que um animal
que solta "flatos e arrotos" na camada de ozônio, o bovino é
responsável pela sobrevivência e pelo provimento econômico
de milhões, talvez bilhões de pessoas. Órgãos ambientais
das Nações Unidas e vários outros já consideram a
pecuária como o principal emissor de gases responsáveis pelo efeito
estufa, ganhando de todos os meios de transporte juntos. Além de ser uma
atividade altamente poluidora e desnecessária. Se o homem caçou
e usou animais para se estabelecer e prosperar, tais atividades não são
mais necessárias no meio em que vivemos, e de fato se tornam a cada dia
mais inviáveis. Uma alimentação vegetariana traz inúmeros
benefícios para o meio ambiente e a nossa saúde, além de
poupar animais de uma exploração desnecessária. A
reportagem "A melhor amiga do homem" (17 de junho) esclarece o público
leigo sobre a importância desse nobre animal, o bovino, na formação
de nossa civilização.
PAC Parabéns
pela reportagem de treze páginas sobre o Programa de Aceleração
do Crescimento ("Ele existe, é bom que exista, mas a maior parte ainda
está no papel", 10 de junho). Trata-se de um trabalho espetacular,
minucioso, técnico, com dados completos e bem ilustrado sobre o assunto.
Gay Talese Foi um bálsamo para a alma a entrevista
concedida pelo jornalista e escritor Gay Talese ("A crise é dos jornais
e não do jornalismo", 17 de junho). Lendo seu ponto de vista
de como deve se comportar um veículo de comunicação e como,
por consequência, seus jornalistas devem se portar, verificamos que ainda
temos do que nos orgulhar na imprensa, ao contrário do que afirmam seus
inúmeros detratores. Os meios de comunicação e seus membros
não precisam ser contra ou a favor disso ou daquilo, basta que o ceticismo
esteja presente na profissão.
Holofote O
projeto do trem de alta velocidade ligando Rio de Janeiro, São Paulo e
Campinas é coordenado pelo Ministério dos Transportes, em conjunto
com a ANTT. Para assessorar a atuação desses órgãos,
o BNDES contratou estudos junto a consultores internacionais, objetivando analisar
a viabilidade técnica e econômica do projeto. Tais estudos estão
em curso. Portanto, na versão atual, não há, quer por parte
da diretoria do BNDES, quer por parte de seu presidente, Luciano Coutinho, desconfiança
quanto à viabilidade do projeto.
Radar O
PSDB só marchará unido em 2010 se optar por prévias amplas
e transparentes ("Aécio bate o martelo. Serra, o pé",
Radar, 17 de junho). A data pouco importa. O fundamental é não repetir
os equívocos que derrotaram o partido nas eleições presidenciais
de 2002 e 2006. Tucano que pensa pequeno tem voo curto.
Cinema Parabéns
a Isabela Boscov pela excelente reportagem "O astro operário"
(17 de junho). Moro em Londres há alguns meses e tive a oportunidade de
conhecer Clive Owen, pois ele frequenta o club onde trabalho e já
o atendi. Se você não for uma pessoa atenta, ele acaba passando despercebido,
pois costuma chegar com alguns amigos, compra (não ganha) sua bebida, sempre
trajando terno e gravata, o que para os clubs da moda de Londres acaba
sendo um tanto arcaico. Ah, não contrata paparazzi e se mistura perfeitamente
com os outros frequentadores do club. Ser ator para ele é realmente
só uma profissão.
Música Ao
ler a reportagem "A geopolítica do pop" (17 de junho), fiquei
surpresa com a falta de liberdade de expressão que ainda nos assombra.
Em um mundo considerado globalizado, em que a informação se expande
em velocidade cada vez maior, ainda vemos repressão, exílio e perseguição
a artistas.
Lya Luft Mais uma vez a extraordinária Lya
Luft nos presenteia com um texto maravilhoso. Há quem tenha o livro de
cabeceira. Tenho os textos de Lya Luft na cabeceira da minha cama. O artigo "Os
vivos e os mortos" (17 de junho) é um louvor à vida. Com a
facilidade com que a pena percorre o papel, essa maravilhosa escritora nos premia
com o conforto da "compreensão" desse fato inquestionável
que é a morte.
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